O estudo encomendado pela FNE à sua antiga líder Manuela Teixeira sobre as propostas governamentais na área da gestão e administração escolar tem muitos pontos de interesse, merecendo algum destaque na imprensa do final de semana.
Espero que o mesmo seja disponibilizado no site da FNE – e não apenas as notícias sobre ele – para melhor o analisar, sem ser pelo que surge na comunicação social.
No Público (sem link) de hoje vem uma súmula de conclusões onde ressalta o receio pelos CE’s da conflitualidade que pode surgir de uma excessiva intromissão das autarquias na vida das escolas. É um receio que partilho, em especial se as ditas autarquias receberem, em outro pacote paralelo, competências sobre a contratação do pessoal não docente numa primeira fase e sabemos lá o quê numa segunda.
Mas o pior é que esta peça termina com uma conclusão atribuída ao estudo que acho especialmente disparatada:
Como aspectos positivos da proposta, o estudo realça “a sujeição do director a concurso público”.
O que significa que este interessante estudo realça como aspecto positivo exactamente o que está de forma mais clara em contradição com a Lei de Bases do Sistema Educativo.
Pois, provavelmente Manuela Teixeira nem era dirigente sindical de topo, nem sequer próximo do Governo, quando a LBSE foi elaborada. E nem sequer falo sobre as suas (inexistentes) críticas ao modelo de administração escolar que lá se preconiza.
Agora, gostaria de saber se a FNE e João Dias da Silva em seu nome, têm a mesma opinião: se a sujeição da ocupação do cargo de Director Executivo é mesmo melhor por concurso público ou se devemos respeitar o método electivo que a LBSE determina, embora alguns pareçam achar um resquício de algo que se deve ignorar, mesmo não assumindo isso com frontalidade.
Se assim é, se a FNE aceita o «procedimento concursal» como o melhor método de selecção da Direcção Executiva, pelo menos começamos a entrever aqui uma separação de águas nesta questão e a sabermos com o que contamos em matéria de alguma acção sindical em termos de contestação política e jurídica do diploma em projecto.
A outra hipótese é que Manuela Teixeira se deixou embalar pelas suas convicções pessoais (que transparecem ainda mais na peça do DN sobre o mesmo assunto em que praticamente defende as medidas do ME) ou por alguns PCE’s mais entusiasmados (erradamente) com um adivinhado admirável mundo novo por 9 anos que os deve conduzir praticamente até à aposentação.
Com amigas destas, que podemos esperar dos adversários?
Mas disto extrai-se uma lição adicional: este estudo tem muito mais destaque na imprensa do que as tradicionais acções de luta, vigílias e etc da Fenprof esta mesma semana. Algo que deveria fazer pensar muita gente, não se refugiando apenas nas cómodas teorias da conspiração.
Janeiro 20, 2008 at 11:54 am
Paulo, não acredito que sejas ingénuo a ponto de não saberes porque um estudo(?) proveniente da área da FNE – e podes ir ao respectivo site, espreitar qual a sua posição sobre a Proposta de Regime de Administração e Gestão, o que já de si, explica muita coisa – tem parangonas onde convém, e as “tradicionais acções(..) da Fenprof (que tanto te abanam a bílis) dão direito a 2 min de telejornal e a algumas linhas dispersas, apesar de lá ter havido jornalistas à farta…
Não deixes que a bílis espirre para os óculos, nesta altura é tudo menos boa ideia!
Um abraço
Janeiro 20, 2008 at 11:56 am
Maria, é sempre difícil fazer com que a ironia seja perceptível na forma de caracteres Times New Roman.
Olha que se atentares bem, há ali um parágrafo que te dá a chave para perceberes onde quero chegar e quem acho que está a dar tiros no nossos pés.
Que a fidelidade não te cegue e impeça de ver que a primeira e maior crítica não será para os “teus”.
Janeiro 20, 2008 at 12:26 pm
Além de não sofrer da fidelidade que me imputas, consegui perfeitamente analisar o Times New Roman. Como sabes, ao fim de uns anos, ficamos viciados na dita, mais o corpo 12… Não pus em causa a “primeira e maior crítica”, mas sim a necessidade de alfinetada constante. Bolas, já estamos cheios que chegue de outras coisas para até dos “nossos” (;))termos de “levar”…
Janeiro 20, 2008 at 1:23 pm
Maria, eu não imputo nada a ninguém, quanto mais a uma senhora.

Desculpa-me as “alfinetadas”, mas elas só existem por uma única razão: eu ainda quero que os sindicatos sobrevivam e se reformem de modo a perceberem em que mundo estão a actuar.
Se não me importasse com isso, nem sacava do alfinete.
Obrigado pelo “nossos”.
Janeiro 20, 2008 at 2:06 pm
A FNE, e até onde a memória me consegue levar, sempre agiu “em conformidade” tendo perdido muitos “fãs”. Porém, não mudou. Pelos vistos, compensa.
Janeiro 20, 2008 at 3:13 pm
Janeiro 21, 2008 at 12:00 am
Paulo, também não percebi o último parágrafo do post. É que eu sou do (muito) tempo em que a Manuela Teixeira esteve à frente da FNE, sei bem o papel que acabava sempre por ter, não me espanta absolutamente nada que os jornais lhe dêem relevo enquanto pouco relevo dão às iniciativas da FENPROF. Não se trata de conspiração, trata-se simplesmente de dar relevo ao que convém ao pensamento vigente.