Desperto por uma nota local na revista Visão fui confirmar os critérios de admissão no mui bem colocado nos rankings e opinião publicada Colégio São João de Brito.
A tabela de pontos é clara, mesmo se faz lembrar a espaços as grelhas de avaliação dos docentes ou, pensando melhor, a tabela usada para a ocupação de cargos públicos, se substituirmos jesuítas por outra congregação conhecida. A parte dos parentes e etc pode ficar na mesma.
Destaco claramente os pontos extra para todos os familiares de jesuítas. Mas compreendo porque é um colégio gerido pela congregação.
Já outros critérios me deixam um certo sabor a ressequido.
É que os irmãos de alunos já matriculados no Colégio têm direito a 55 pontos se forem filhos dos mesmos pais, mas apenas 30 pontos de forem apenas filhos de um dos progenitores, ou seja, se forem meios-irmãos.
Será que a Escola Pública deve seguir este modelo de «boas práticas»?
Janeiro 18, 2008 at 4:40 pm
Não me parece que queiram a escola pública a seguir estas práticas, preferem antes o estado a financiar a 100% os estudos de quem puser os filhos nestes colegios, o cheque-ensino!
Já agora onde está a liberdade de escolha por parte das familias?
Estamos é perante a liberdade de escolha por parte do colégio.
Janeiro 18, 2008 at 6:01 pm
Quer dizer, então um irmão a 100%, mesmo que péssimo aluno, tem prioridade em relação a um de 50%, mesmo que belíssimo aluno?
Estes jesuítas (ai que saudades do marquês) assim não vão longe, têm muito a aprender com algumas escolas públicas. Por acaso estou-me a lembrar de uma no concelho de Sintra em que tudo o que é bom aluno no 6º ano tem vaga para o 3º ciclo, a ralé (que nunca tem vaga) vai para a secundária do lado…
Ou será que a minha leitura não é a mais correcta?
Janeiro 18, 2008 at 7:16 pm
É horrível não é ?! Pois é!
Mas…e em algumas Secundárias Públicas do Porto? As tais bem colocadas nos ditos Rankings! Querem nomes? Eu Dou!Aurélia e Filipa! A minha miúda não entrou ( não , não era pelos rankings, era pela mãe que trabalhava mesmo a 500m das duas escolas, num Infantário) com notas quase todas de 5 , e outros alunos da mesma zona fora do Porto e da mesma escola sim, mas com notas inferiores ! Um colega benemérito ” queres que eu fale com a vice-prsidente tal? E eu que não, mandando-os os dois intelectualmente à mer…) Até estivemos familiarmente para nos chatear, pedir critérios e fazer sentar os tais sempre guardiões do actual modelo de gestão no sitio certo, que é onde se luta por estas questões, até porque advogados não faltam na tribo!
Ou talvez… se soubessem que o Pai, era Professor e que até já ocupou cargos daqueles…lhe estendessem uma passadeira!
Na, Na, Não há “cunhas” , não há jogos de influências , tudo invenção minha, e qualquer semelhança com ficção é pura realidade. Ah! A minha miúda foi para essas escolas secundárias da “rafeirice” que ocupa um dos piores lugares do Ranking, que foi a minha de ternura de estudante!
Janeiro 18, 2008 at 7:29 pm
Há quem esteja a misturar alhos com bugalhos, vão-me desculpar.
A saber:
a) A “cunha” em escolas públicas é prática bem conhecida e mal denunciada por quem muito disso se queixa.
b) Uma coisa é a dita “cunha” outra um critério de índole moral que prejudica uma dada criança por algo que a própria não tem qualquer responsabilidade.
c) o novo modelo de gestão vai tornar institucional o que agora ainda é reprovadamente (e de forma justa) condenado como “cunha”.
Serei eu que estou a ver mal?
Janeiro 18, 2008 at 7:30 pm
Ia-me esquecendo: não sou assim o maior dos fãs do Marquês de Pombal. Numa votação para o “maior” português votaria mais facilmente no saudoso José Torres.
Janeiro 18, 2008 at 7:57 pm
Mas será que a culpa do atraso e da mediocridade de Portugal, passados 34 anos do 25A, ainda continua a ser dos Jesuítas??
Quantos jesuítas estão nos comandos dos partidos, dos bancos, dos tribunais, das empresas, das autarquias, das escolas, dos hospitais??
Só porque persistem em preservar a qualidade de ensino em casos singulares, devem ser combatidos e, se possível, exterminados, como queria o Pombal??
É este tipo de intoxicação e distorção da realidade que interessa aos jacobino-mafiosos. É a política económica assente na superioridade da “ética republicana”, no “igualitarismo” da “Escola Pública” e na corrupção levada a cabo pelos burocratas, pelos terapeutas e especialistas que transforma os cidaddãos em idiotas e em escravos do mercado e não os jesuítas ou outra qualquer confissão religiosa.
A religião do dinheiro, a adoração do mercado, a ausência de sentido crítico, a omnipresença do Estado e a imoralidade são as verdadeiras causas da decrepitude deste torrão europeu.
Ma os fantasmas e os lobos maus continuam a fazer falta na coreografia mental dos portugueses, porque acabam sempre por se recolher à segurança do rebanho em busca
do pastor.
Janeiro 18, 2008 at 8:01 pm
H5N1, caramba: dar 55 pontos a um miúdo porque é irmão de outro e 30 a um só porque os pais se separaram e procriaram de novo?
Aceito a liberdade de optarem por estas regras.
Mas desde quando alguém está aqui a colocar o assunto ao nível da perseguição aos jesuítas?
Janeiro 18, 2008 at 8:05 pm
Não fui eu que falei em cunhas. Existem e conheço-as em todos os lados. Mas mesmos em todos os lados. Falei de procedimentos usuais e corriqueiros.
Quando a pressão da procura supera largamente a oferta, penso que seja o caso de muitos colégios nos grandes centros, aparecem critérios que não lembrariam ao Diabo, quanto mais aos anti-diabo. Ao consultar a lista de prioridades só muito dificilmente iria pelo lado do critério da índole moral…, antes mais uma invenção para esticar o que já não pode ser mais esticado.
Desculpe-me a do marquês, mas até um católico não praticante como eu, que já não se lembra da última vez que entrou numa igreja para rezar, não consegue ficar indiferente às alergias que as escolas da igreja provocam nalguns espíritos.
Quanto ao Zé Torres, o bom gigante, tudo bem, especialmente vindo do vizinho da frente, mas eu voto no colega do Zé que felizmente ainda por aí anda.
Janeiro 18, 2008 at 8:53 pm
As “cunhas” foi outro comentador a introduzir na conversa, com devido conhecimento de causa, que eu também tenho.
Inclusivamente a tentativa oposta, de barrar a entrada a uma aluna, filha de pai efectivo na escola e morador na área da Escola, porque ela tinha problemas de aprendizagem.
Nada de pedidos de desculpa quanto ao marquês. Não estamos aqui para mesuras dessas.
Eu cá sou equidistante das obras, crenças e outras fés, incluindo as laicas.
Janeiro 18, 2008 at 11:28 pm
Eu votaria no Marquês para maior português de todos os tempos – apenas pelo facto de ter tentado ver-se livre da padralhada.
E sim: os jesuítas, discretamente, estão estrategicamente colocados em diversos órgãos de poder deste país. Os jesuítas e outros indivíduos de sotaina – os mesmos que, tivesse a História seguido o rumo certo, deveriam ter sido exilados e deportados compulsivamente.
Janeiro 19, 2008 at 4:01 am
jm,
“Por acaso estou-me a lembrar de uma no concelho de Sintra em que tudo o que é bom aluno no 6º ano tem vaga para o 3º ciclo, a ralé (que nunca tem vaga) vai para a secundária do lado…”
Está a referir-se àquela escola de queluz que ficou muito bem posicionada no ranking do 9.º ano?
D.PEDRO IV…
Janeiro 19, 2008 at 9:47 am
Falando de coisas verdadeiramente importantes, DN de hoje sob o título:
‘La mala educación’ de Espanha é obra de analfabetos e iletrados
Janeiro 19, 2008 at 9:50 am
O “rumo certo” da História deve ser algo a que alguns Sacerdotes Supremos têm acesso, na sequência da transmissão dos Mandamentos do Manifesto Comunista, ou então através de uma ligação privilegiada com a Verdade Absoluta.
Entre a padralhada de sotaina e a padralhada m-l (reciclada ou não), venha o Diabo e escolha.
Sendo o Marquês uma versão soft de Estaline (criação da condições para o capitalismo de Estado), deve ser por isso que tem tanto “carisma” e tantos admiradores do lado do jacobinismo-terrorista.
Já agora, aconselhava uma leitura do “Sermão aos Peixes” do Jesuíta Padre António Vieira. Porque será que já nessa altura António Vieira era mal-amado pelo poder e denunciava a corrupção do Estado??
Janeiro 19, 2008 at 10:26 am
Tanta dicotomia levada ao extremo absoluto inutiliza todos os esforços em prosseguir uma discussão sobre qualquer assunto, pelo menos para mim. Tudo isto começou por um critério esconso de admissão numa escola antes de partir para os confins da estratosfera.
Janeiro 19, 2008 at 6:38 pm
Caro Ferrão
Acredita que se deve condescender em relação à barbárie, ao pensamento unidimensional e intolerante, mesmo que seja sob a capa do laicismo “progressista” ?
O que pensa AF, por exemplo, da escandaleira levada a cabo por alguns professores e estudantes italianos em relação à recusa em acolher o Papa enquanto académico, teólogo e filósofo, para intervir na Universidade de Roma ?
A resposta certa será:
a) Encolher os ombros
b) Apoiar e louvar a atitude dos professores e estudantes
c) Repudiar esta forma de intolerância dogmática
d) Nomear uma comissão de inquérito e aguardar que toda a gente se esqueça.
e) Chamar a ASAE
f) Adquirir um cartão do PS feito com nanotecnologia
g) cozinhar uns crepes de espargos verdes com molho de natas e champagne e acompanhar com um tinto Quinta de Grous
Janeiro 19, 2008 at 7:07 pm
A hipótese g) ia ganhando à c). Só que eu espargos, apesar de verdes, não são o meu forte.
Mas quanto à história dos 55 e 30 pontos?
Janeiro 19, 2008 at 7:29 pm
Caro H5N1
Tenho sérias dificuldades em sintetizar num único comentário o que penso sobre o tudo o que se passa perto e longe de mim. Por acaso ouvi a notícia e também me coloquei a questão de desconhecer os motivos que levarm professores e manifestantes da universidade italiana a tomar a atitude que tomaram. Em princípio estou em desacordo com imposições de silenciamento: não que me mova qualquer simpatia com a Igreja católica ou o seu representante máximo, mas – pelo contrário – porque sei bem que a prazo a lei da rolha acaba por atingir mais quem a promove que aquele que por ela é visado. Também não irei ao ponto de dizer que faltaram ao Papa oportunidades de falar em Itália.
Vou dizer-lhe outra coisa: estou familiarmente ligado a pessoas que transportaram no BI a menção filho ilegítimo. Nasci numa parte do antigo império que me concedeu o estatuto de português de segunda. Veio o 25 de Abril e a constituição que dela resultou acabou – formalmente – com uma coisa e com a outra. Agora vejo que se tenta revitalizar – de forma claramente anti-constitucional – diferenciação de oportunidades aos filhos do segundo matrimónio ou união de facto e tudo isto me arrepia. Porém, depois de ler tudo quanto disse a despropósito, fiquei mesmo sem conhecer o que pensava do tema proposto, se devo contabilizá-lo entre os que concordam ou discordam daquele ponto específico do regulamento do Colégio de São João de Brito. Posso até suspeitar, mas não me concedeu, ou a outros leitores do Umbigo, a graça de uma simples afirmação. Can you, for just one moment, stick to the point?
Janeiro 19, 2008 at 7:57 pm
Não me escandalizam os critérios de selecção dos colégios dos jesuítas – a missão deles é puramente capitalista e criam regras para seriar uma procura maior que a oferta.
Escandaliza-me sim que colégios religiosos, como o Colégio D. Diogo em Braga, tenha expulso 3 alunos do 8ºano por terem feito um cartaz alusivo ao 25 de Abril ( em que afirmavam que esta data ainda não tinha chegado ao colégio) e onde não são admitidos alunos com deficiência ( cheios de razão porque consta do RI aprovado pela DREN). Isto não é capitalismo, é fascismo, e neste caso nem o Marquês nos vale. lembram-se da Comunicação Social ter falado destes dois casos? Mas … ficou tudo na mesma, e os pais das crianças em causa perderam…
Janeiro 19, 2008 at 10:26 pm
Não vou desenvolver uma tese sobre o assunto. Como agnóstico e sem ter qualquer informação mais detalhada sobre a realidade em apreço, baseado no conhecimento do mundo, direi apenas o seguinte:
Um Colégio particular que tem um projecto educativo alicerçado na importância da doutrina cristã, deve defender os princípios que sustentam a mesma, nomeadamente a família como espaço de compromisso para a vida e base da sociedade de responsabilidade.
Não partilho deste tipo de fundamentalismo, mas admito que tem tanta coerência para quem o pratica como o igualitarismo laxista que promove a mediocridade e a idiotia generalizada, ao mesmo tempo que oculta a selecção perversa que continua a verificar-se na Escola Pública.
Como o meu filho foi vítima do segundo esquema, tenho pena que não existam condições na Escola Pública para que a) se ensine a sério e b) se faça uma selecção justa e um encaminhamento da diversidade para diferentes vias (desporto, artes, profissionalização, investigação, etc).
Mas como se insite numa fraude, vamos continuar a afundar-nos à sombra das conquistas de Abril.
AF parece que continua a carregar o fardo do homem branco e toma a Constituição por algo de Sagrado, como se a corrupção, o desemprego e a imoralidade pudessem ser impedidas por um documento histórico.
Como diz Zizek, é actualmente impossível (em Portugal) combinar simultanemente a convicção (crença na ideologia da Nomenklatura), a inteligência e a honestidade: se levarmos a sério a ideologia oficial expressa na Constituição e defendida pelos partidos parlamentares, ou somos completamente idiotas ou cinicamente corrupos.
Janeiro 19, 2008 at 10:59 pm
Não me parece que todos os partidos parlamentares defendam a letra (e muito menos o espírito – certo ou errado) da Constituição.
Dois em cinco (não conto apêndices) defendem a sua revisão.
(não sou defensor oficioso do AF, apenas faço um reparo de passagem)
Janeiro 19, 2008 at 11:35 pm
“É que os irmãos de alunos já matriculados no Colégio têm direito a 55 pontos se forem filhos dos mesmos pais, mas apenas 30 pontos de forem apenas filhos de um dos progenitores, ou seja, se forem meios-irmãos.
Será que a Escola Pública deve seguir este modelo de «boas práticas»?”
Se a Escola Pública seguisse este modelo, um grande número de crianças portuguesas não teria lugar em qualquer escola… Ou pelo menos nas melhores! Mas com critérios tão definidos, não admira a diferença de resultados. Assim é muito mais fácil. A implementar-se um modelo deste género nas nossas escolas, iria haver uma separação maior entre classes, fraccionando a sociedade portuguesa.
Janeiro 19, 2008 at 11:56 pm
Mais uma vez, se nos cingirmos à hermenêutica da Constituição, corremos o risco de andarmos à caça de gambuzinos enquanto a Nomenklatura nos reduz a espectros do mercado global.
O que se passa em Portugal é ditado dos gabinetes de Bruxelas, dos escritórios de advogados da mafia político-financeira e a Constituição é um apenas um adereço sem qualquer relevância.
Veja-se o exemplo do processo BCP e a completa desmaterialização de todo o processo, sem constrangimentos políticos ou barreiras de qualquer espécie, que não as regras do próprio mercado.
Janeiro 20, 2008 at 12:02 am
Por este andar, ainda vamos chegar à conclusão de que PolPot tinha razão quando pretendeu expurgar a sociedade do Cambodja dos vícios burgueses e reeducar o povo, acabando com as classes ec om o fraccionamento social, já que passaram apenas a haver duas categorias: os mortos e os vivos.
Janeiro 20, 2008 at 1:21 am
Há estilos de linguagem, expressões que se usam, cuja única utilidade é induzirem no interlocutor uma conotação específica sobre o objecto de que se fala. Quando digo hermenêutica da constituição, estou a equipará-la esta a um texto religioso e, por extensão, qualquer um que aprecie a Constituição de 1976 sobre aquela que foi substituida, como alguém movido por motivações religiosas. Deixemos a hermnêutica em paz, que não é chamada para o assunto.
Mas há mais. Por exemplo, um erro não justifica outro (os actos do Marquês de Pombal não servem de desculpa para as discriminações no século XXI). Outro exemplo? Criticar uma disposição que discrimina cidadãos pela sua condição de nascimento não implica um juízo de valor negativo para com os escritos do Padre António Vieira (porventura, este seria o primeiro a protestar contra tal disposição).
Também no campo das atitudes, saber criticar actos e não pessoas contribui muito positivamente para o esclarecimento das situações ao invés da crispação de posições. De momento, ainda guardo alguma confiança que H5N1 tenha inteligência suficiente para conseguir fazê-lo.
Janeiro 20, 2008 at 10:22 am
H5N1, perdi o nexo lógico do comentário 23.
Janeiro 20, 2008 at 10:43 am
Caro AF
A hermenêutica não é do domínio religioso, mas tão só da interpretação dos textos à luz dos horizontes históricos, quer do leitor, quer do seu contexto como produto da actividade humana (ver Gadamer e Ricoeur, por exemplo).
Reafirmo que não critico ad hominem (isto é as pessoas, as suas virtudes e defeitos), mas apenas o sentido de certas expressões e de certas interpretações que naturalmente são sempre passíveis de leitura histórica, social, política e filosófica (é isto a hermenêutica, mesmo que seja pobrezinha).
As frases e declarações são ACTOS, FORMAS DE VIDA (Wittgenstein) e não adereços de moda ou características pessoais, embora por vezes usemos clichés e expressões datadas ou recorrentemente individualizadas.
A “crispação” é um conceito que me escapa, porque sempre usei expressões coloridas e conotadas, tanto quanto possível com modos de ver o mundo, ou seja, encaro quase sempre a linguagem como um roteiro histórico, pontuado de lugares de interesse e visita obrigatória para quem quer conhecer realmente o mundo e interrogar-se sobre o que vê, ouve e sente.
Por isso recorro por vezes também a curto-circuitos de sarcasmo e humor, para não me levar(em) muito a sério.
Não gosto de escrever tratados e a minha intervenção é impressionista com cores vivas que me dão prazer, senão era melhor estar mudo e quedo.
Já sou demasiado velho para mudar, mas faço tudo (ou quase tudo) por amor e desejo.
Um abraço, que vou apanhar um pouco de sol, enquanto o Sócrates não cobra um imposto sobre o dito.
Janeiro 21, 2008 at 9:30 am
Esclarecimento do comentàrio 23
Esta forma de recorrer a exemplos-limite surge sempre que não se quer entrar em explicações numa longa cadeia de considerações e justificações.
Como se sabe o conceito (que não tanto a prática) da SELECÇÃO é considerado reacionário e conotado com a reprodução de classes e de privilégios, por alguns sectores igualitaristas que consideram que a escola é um instrumento político-partidário por excelência.
Num outro comentário avança-se com a ideia de que a escola agravaria ainda mais as diferenças entre as classes em Portugal, se se possibilitasse a escolha dos alunos.
1. Existe, existirá e continuará a existir esta atribuição das escolas, desde que exista autonomia e capacidade de organização independente das turmas e avaliação das candidaturas de alunos. E, sobretudo, desde que exista liberdade.
2. As diferenças de classe e de rendimentos provêm da organização económica e politica da sociedade e do mundo e não da estratégia de selecção e admissão das escolas ou da pedagogia ministrada nas mesmas.
Ao continuar a matraquilhar-se nesta “reprodução das desigualdades”, no “igualitarismo” e noutras características fantásticas da escola, ignora-se a verdadeira origem das desigualdades e as instâncias da Justiça e transfere-se para os alunos a capacidade revolucionária de mudar o mundo através das ideias e atitudes do Homem-Novo. Este modelo delirante de vingança pode assumir diferentes formas, mas a experiência demonstra que as consequências mais tenebrosas são sempre o resultado do fanatismo político de personagens medíocres da Nomenklatura, transportado para o interior da pedagogia e dos objectivos da escola.
Os Taliban, os Guardas-Vermelhos, o Freirismo radical são, entre outros, a face mais visível desta ideologia salvífica que pretende erradicar os parasitas, os impuros, os ricos, enfim a miséria do mundo, através da accção sacerdotal-pedagógica.
Neste quadro, a tragédia do Cambodja de PolPot, ao tentar construir uma sociedade nova pelo internamento de toda a população numa espécie de Escola Inclusiva e Revolucionária, onde todos eram tratados e “trabalhados” para serem iguais, representa um dos culminares desta paranóia do “igualitarismo” levado até às últimas consequências.
Janeiro 21, 2008 at 10:46 am
Encontra-se aí um leap of reason nesse raciocínio, na minha modesta opinião.
Uma coisa é defendermos uma escola que garanta a igualdade de oportunidades à partida, fornecendo a todos um sistema com características uniformes que permitam a cada um expressar o seu potencial individual (se eu começar a ficar muito “eduquês” é favor colocar um filtro).
Outra coisa é querer formatar o percurso dos alunos e normalizá-los à saída como salsichas com aceitação pela ASAE e instituições comunitárias.
É aqui de existem por vezes confusões e divergências.
Eu defendo:
a) A existência de um serviço público de ensino universal garantido pelo Estado.
b) O apoio ao sector privado quando ele complementa esse serviço público em situações que este não consegue satisfazer.
c) Um sector privado que assuma as leis do mercado e conviva com elas.
d) Uma autonomia de funcionamento para as escolas não imposta e formatada.
e) Efectiva liberdade no funcionamento das escolas, a vários níveis, para que professores e alunos possam agir de forma livre e apenas com os condicionalismos de um enquadramento global na sua acção.
f) Apoio efectivo a todos aqueles que revelem handicaps para conseguirem expressar todas as suas potencialidades.
g) Uma sociedade que se esforce em não agravar fenómenos de desigualdade socio-cultural (não é de homogeneidade, atenção).
Isto significa que defendo claramente uma Igualdade de Oportunidades à partida, mas uma necessária Diversidade de Resultados à saída.
De um lado sou criticado como “igualitarista”.
Do outro, de “elitista”.
Em nada desta história o Pol Pot é chamado para se perceber do que falamos.
Só introduz “ruído” e pode provocar reacções de rejeição desnecessárias, sendo que provavelmente quer eu, que o Ferrão, quer o H5N1 estaremos de acordo no essencial.
Janeiro 21, 2008 at 4:08 pm
Sim, é isso, embora as “características uniformes” do sistema educativo não se coadunem muito bem com a “expressão do potencial individual”.
Acredito que a partir de certa altura (9.º ano ?) deveria haver a SELECÇÃO (brrrrrr) de uma via educativa adequada às características individuais dos alunos.
O efeito perverso da “via única” está aí à vista (embora com efeitos agravados pelo descalabro económico), com milhares de licenciados em estado de indigência e com uma falha grave de técnicos e profissionais qualificados em múltiplas actividades, incluindo as artes, a política e a ciência (já que para o desporto -leia-se futebol – existem inúmeras escolas particulares).
Porquê o Pol Pot ? Porque a actividade educativa está cada vez mais politizada e fundamentalizada, quer em profissões de fé jacobinas quer em coreografias religiosas, quer ainda em análises de mercado.
Janeiro 21, 2008 at 4:19 pm
Se a despolitização dos professores e alunos for uma consequência da politização das intenções do “sistema”, estaremos de acordo.