Função pública deve perder poder de compra pelo nono ano
Fracasso das previsões da inflação leva a admitir que aumentos de 2,1 sejam ultrapassados pela subida dos preços, à semelhança do que acontece desde 2000. (Público, sem ligação)
Já sei, são os eleitores de 4 em 4 anos que fazem a avaliação, mas verdade seja dita que a avaliação do PS guterrista foi negativa e veio o PSD barrosista-santanista, que também acabou com avaliação negativa, dando lugar ao PS socrático.
O problema é que os «erros» continuaram e continuarão enquanto isto for aquilo que é, o mesmo com cores ligeiramente diferentes, danças de cadeiras nas direcções-gerais e administrações, mas fundamentalmente a mesma crença que os «erros» acabam ser por penalizar os mesmos.
E o que me chateia assim um bocado mais mesmo (daria bem 1% para não os ouvir…) é ter de aturar opinadores e especialistas – nos intervalos de serem políticos de segunda linha, assessores ou coordenadores de estudos – a perorarem de forma douta a posteriori sobre aquilo devia ter sido feito e não fizeram quando podiam.
E depois a culpa é dos interesses corporativos. Claro, dos seus interesses corporativos.
Pois alguém conhece algum congelamento dos seus vencimentos ou progressões?
E nove anos ainda não foram tempo suficiente para demonstrarem a sua competência? É que, parecendo que não, é mais de um quarto do tempo que vivemos em democracia.
E isto não é ser demagogo ou anti-democrata, é apenas observar que a culpa pelos «erros» acaba sempre ao deus-dará, com desculpas adequadamente ridículas como a que surgirá daqui por um ano, justificando os erros de agora com o facto de «não ser previsível», por exemplo, o aumento do preço do petróleo ou o clima económico recessivo internacional …
Bullocks…
Janeiro 16, 2008 at 11:21 am
Como sempre, acho que este Blog mantém um altíssimo nível.
Pela minha parte, mais uma vez agradeço. Este espaço tem sido um manancial de informação e opinião, bem fundamentadas.
Quero dizer, também, que assinei a petição e linkei no meu blogue, numa chamada de atenção aos leitores que por lá passam.
Coragem para continuar, colega!
Janeiro 16, 2008 at 2:05 pm
Aqui, a avaliação tem contornos diferentes (há avaliação e Avaliação e função pública e Função Pública): 1º não tem consequências (e a possibilidade de não ser re-eleito é, inclusive, premiada com um cargo até melhor – valorizar o mérito pela “excelente” avaliação)e, se necessário, conseguem tirar conclusões positivas da mediocridade); 2º Os melhores e os excelentes não precisam e não se sujeitam; 3º e em consequência do anterior a oferta fica francamente limitada (pensarão alguns, eu continuo a lembrar-me da possibilidade entre o nulo e o branco)… Alguém conhece (entre os muitos que por lá foram passando durante décadas e décadas, impunes e progredindo nas carreiras e inter-carreiras) algum, no desemprego?, com dificuldade em pagar as contas mensais?,a receber o ordenado médio (não mínimo) português?, angustiado com a impossibilidade de acumular qualquer (por mais pequena que seja) poupança?,a passar horas e dias de entrevista em entrevista a aspirar a um trabalho que já está destinado a outrém?, a esperar horas nos corredores das urgências num amontoado de macas, cadeiras de rodas, gente a contorcer-se e desesperada (…) como a generalidade dos “portuguesinhos”?, a esperar meses por uma simples consulta ou anos por uma cirurgia?, a faltar mais um dia ao trabalho, após doença, pela simples razão de ter que levar uma baixa e não haver capacidade de resposta no sistema nacional de saúde?, a precisar de substituir carro (sem qualquer luxo) e não ter disponibilidade financeira para o fazer?, a ter que “gramar” com os seus filhos em turmas de analfabetos e preguiçosos que perturbam a aprendizagem de todos, com professores muitos vocacionados para os projectos em comunidade mas pouco virados para o conhecimento na aula?, a ter que aceitar, pacífica e comprensivelmente, a sua descendência em escolas de marginais que agridem, assaltam, roubam, insultam?… … Alguém conhece? Eu, pelo menos, não tenho conhecimento! ELES não são sindicalizados nem têm afinidades com estas entidades e estão BEM na vida… logo, a culpa deve, de facto, ser dos sindicatos e o aumento da pobreza (e pobreza extrema), do fosso entre os mais ricos e os mais pobres, do desaparecimento da “classe média” e claro está, o problema da função publica … é culpa dos sindicatos: Se conseguirem neutralizar os sindicatos:A) ultrapassaremos os vizinhos espanhóis – somos mesmo muito bons: cumprimos com todos os nossos objectivos, fazemos muitas leis, regulamentos e circulares, fazemos muitos projectos e criamos muitas equipas de tudo e para tudo e mais alguma coisa, fazemos/ pedimos muitos diagnósticos, relatórios e avaliações, somos poli/multi/pluri/transvalentes… B)faremos concorrência e, quiça, ultrapassaremos a Noruega ou a Suécia – está visto!!! (Lux.?,França?, R.U.?, Alem.?, USA?, Japão? China ou Índia?…esses,já lá estarão bem para trás)!
Janeiro 16, 2008 at 2:16 pm
Caro PG,
Concordo consigo, mas devo dizer que neste caso não se trata de erro nenhum. O governo não falha as estimativas de inflação por ser incompetente. Falha ostensivamente. Ainda hoje de manhã no Forum TSF o beato das Neves dizia isto com a competência económica que se lhe reconhece: errar na inflação é normal, porque é um indicador difícil de estimar. Agora errar sistematicamente no mesmo sentido não é um erro: é truque de conveniência.
A lógica é esta, seja no estado seja no privado: o PIB não aumenta, o Pais não produz riqueza, toda a gente perde poder de compra. O estado sabe que também os funcionários públicos têm de perder perder salário real enquanto o PIB não descolar para valores acima dos 3-4% e o déficit não descer. Só que… não pode decretar diminuição de salários (já os congelamentos de carreira são impopulares, mas não tanto como seria um corte no salário). A alternativa é fingir que erra a previsão de inflação (todos os anos) e com isto diminuir os salários reais. Típico jogo de sombras em que o enganador é fortemente levado a enganar pelo enganado. O governo sabe que o custo político deste joguinho da inflação é muito inferior ao custo de dizer a verdade. Como diria um economista: não há incentivos para se dizer a verdade. Enquanto neste Pais o custo da verdade for claramente inferior ao custo da mentira rebuscada não sairemos deste jogo de sombras.
Janeiro 16, 2008 at 2:44 pm
errata: “Enquanto neste Pais o custo da verdade for claramente superior ao custo da mentira rebuscada não sairemos deste jogo de sombras.”
Janeiro 16, 2008 at 4:21 pm
JF
Falta qualquer coisa no texto que permita fazer a ligação lógica entre os sindicatos e tudo o resto que descreve como sendo uma relação de NÓS-ELES.
Por exemplo, a justificação cabal de que os sindicatos não funcionam como meras válvulas de segurança entre o Capital e o Trabalho.
A explicação objectiva do estado actual da Educação e do papel dos Sindicatos, uma vez que os seus dirigentes se sentaram de braço dado com os camaradas do Ministério da Educação para concertaram as políticas do sector, durante os últimos 30 anos.
A razão de serem as máquinas partidárias a comandarem as políticas sindicais, e o que têm a ganhar os trabalhadores com essa hipoteca dos seus destinos à prossecução das políticas da Nomenklatura.
Siceramente, parece-me que os sindicatos não possuem na sua essência nenhuma propriedade intrínseca ou transcendental que os imunize contra a corrupção e os transforme em instituições acima dos jogos político-mafiosos.
Os sindicatos têm tanta legitimidade na representação dos “portuguesinhos” como o Duque de Bragança ou o Mister Scolari. Trata-se, no fundo, de uma questão de crenças e de decisões pessoais em relação ao significado do “Nós” vs. “Eles”.
Talvez o hábito ancestral de ter uma canga, ou o Complexo de Édipo mal resolvido por D. Afonso Henriques, ajude a perceber esta pulsão do homo lusitanus para o aconchego do rebanho e a carência de um pastor, seja na forma de Salazar, Cunhal ou Sócrates.
Janeiro 16, 2008 at 7:20 pm
Quantos cidadão conhecem a existência de um “jogo de sombras”?
O que estará nas nossas mãos para “mudar o estado das coisas”?
Votaremos nulo, branco ou pura e simplesmente iremos entrar na estatística do absentismo?
Como ter um país do qual nos venhamos a orgulhar? Dependerá do esforço e consciência individuais?
Como ficar tranquilo em relação ao futuro dos nossos filhos?
Evoco o final do poema de Brecht: “Tantos relatos/ tantas perguntas”.
Janeiro 16, 2008 at 8:16 pm
Manyfaces, obviamente que o erro é sistemático.
Só que entre qualificá-los imediatamente de desonestos (e eu tenho problemas sérios em distinguir desonestidade “política” de desonestidade “geral”) e incompetentes, eu opto pela segunda, para tentar não fazer imediatamente juízos de valor sobre o carácter alheio.
Vamos acreditar que são pessoas sérias, só que com falta de jeito.
Janeiro 16, 2008 at 8:35 pm
Só por um acaso muito pouco provavel a simples incompetência daria origem a nove error consecutivos com o mesmo sinal. Segundo o gume de Occam a razão para este erro sistemático deve ser produrada noutra direcção.
Janeiro 16, 2008 at 8:37 pm
erros em vez de error
procurada em vez de produrada
Devo estar em dia não