Do preâmbulo do decreto-lei 3/2008:
Os apoios especializados visam responder às necessidades educativas especiais dos alunos com limitações significativas ao nível da actividade e da participação, num ou vários domínios da vida, decorrentes de alterações funcionais e estruturais, de carácter permanente, resultando em dificuldades continuadas ao nível da comunicação, da aprendizagem, da mobilidade, da autonomia, do relacionamento interpessoal e da participação social e dando lugar à mobilização de serviços especializados para promover o potencial de funcionamento biopsicosocial.
Vamos abstrair-nos do tipo de prosa que, a coberto de um verniz aparentemente sofisticado, entra em algumas contradições. Vamos ao essencial: o que fazer com aqueles alunos que podem ter limitações muito sérias, mas não necessariamente permanentes? Por exemplo do foro psico-emocional? Ou mesmo handicaps físicos severos resultantes de circunstâncias acidentais, mas com possibilidade de recuperação a médio prazo?
Janeiro 13, 2008 at 1:36 am
«Os estudantes e os professores são habitualmente sujeitos a uma violência simbólica que funciona no sentido de os silenciar e não no aprofundamento das experiências de apropriação crítica e selectiva dos conhecimentos e relações sociais fundamentais para a compreensão de si próprios e da história que os une a uma tradição cultural. Estas são experiências de coragem e de luta pelo poder de significar e transformar o mundo, em vez de apenas o servir e reproduzir». E, tal como refere ainda Abreu da Silva, não deixa de causar aflição verificar que, não só se mantém uma atitude de indiferença, mas também se coadjuva o desenvolvimento – que não cessa de crescer – de «relações de sujeição, condições de indignidade, de sofrimento e desprezo pela vida humana».
Janeiro 13, 2008 at 3:17 am
Ando desatenta mas olha que a questão dos permanentes versus temporários tem mais que se lhe diga (e já foi dito antes deste diplomadrário). E lá estou eu com o mau feitio.
O artigo da colega, passou-me?
Bj,
M.
Janeiro 13, 2008 at 9:41 am
No Paideia (http://paideia-idalinajorge.blogspot.com/) a Idalina Jorge Publicou duas entradas esclarecedoras sobre este tema.
Janeiro 13, 2008 at 6:40 pm
Há quem aplauda a criação de jaulas estruturadas para os alunos autistas e para os multideficietes na escola pública. Certamente os mesmos que consideravam uma bizarria, com laivos de segregação, a existência de Estabelecimentos de Educação Especial.
Alguns especialistas requerem mesmo o alargamento do espectro de vigilância, tratamento e punição de todos os suspeitos de transgredir o padrão da normalidade, de acordo com os quadros delirantes e artificiais do Manual da ASAE psicológica, o DSM.
Teríamos assim uma escola melhor e mais higiénica, regida por terapeutas e gerida por especialistas. Depois do terramoto do eduquês o tsunami do psicologês.
Ao prender a escola numa visão instrumental, é natural que despontem perspectivas tecno-científicas, tanto viradas para o lado empresarial da gestão, como para o lado da avaliação do estado de saúde mental e física dos sujeitos.
Estas duas vertentes completam-se e são o sinal preocupante de que entrámos num novo estado de excepção ,em que tudo e todos são sujeitos a regulamentações e verificações, e que a Nomenklatura se prepara para se tornar dona e senhora da Escola, como nunca o foi no tempo de Salazar.
Janeiro 13, 2008 at 8:37 pm
Pois. é precisamente dos alunos com situações do foro emocional e mental que o decreto não fala.
Já agora e aquelas linhas, do preâmbulo «Todos os alunos têm necessidades educativas, trabalhadas no quadro da gestão da diversidade acima referida.
Existem casos, porém, em que as necessidades se revestem de contornos muito específicos, exigindo a activação de apoios especializados.»
Não vos lembra aquela velha frase de que todos são iguais, mas….?
E se lerem atentamente o decreto (sei que é penitência, mas) reparem que lá para a frente, no articulado, referem só necessidades educativas especiais.
Um grupo do docentes do especial, está à procura dos buracos legislativos para alargar os apoios.
Eu, já pedi formação acreditada pelo Organização Mundial de Saúde, leiam as páginas 16 a 20 da famosa CIF é muito claro:«só pode ser aplicada por um médico»