Mas claro, a Finlândia é que é o farol.
Tudo bem. Vejamos o caso de sucesso da Finlândia mais de perto. Os excelentes resultados em matérias como a Matemática e as Ciências nos testes do PISA já têm proporções míticas entre nós e um pouco por todo o mundo.
Mas alguém observou exactamente como aconteceram?
Reza a história educativa da Finlândia que muita coisa começou em 1996 com o Programa LUMA, que teria o primeiro relatório de avaliação em 2002(luma-1.pdf).
Aspecto básico a reter desde já: uma reforma que começa a ser implementada e seis anos depois é avaliada, para se poder aprofundá-la, aperfeiçoá-la e/ou retocá-la.
Se lermos o relatório de avaliação também percebemos que, efectivamente, as autoridades municipais tiveram grande importância na sua implementação. Logo a seguir ficamos a saber que nesses anos o programa foi aplicado em 78 casos-piloto.
Mas se o sucesso é em parte atribuído à colaboração activa das municipalidades, a quota-parte mais significativa é explicitamente atribuída aos professores.
The best way to guarantee high-quality learning is to have motivated, enthusiastic teachers. Hence, ways of bringing about changes in teachers and in their teaching methods are being looked for in the LUMA programme. The teachers’ enthusiasm and knowledge will be visible in their work and this will influence the students’ interests, ways of studying and subject choices.
Pois claro. Professores entusiasmados, motivados, cujos conhecimentos são visíveis no seu trabalho e assim influenciam os interesses, forma de estudar e escolhas dos alunos.
Não me parece que seja exactamente isso que se passa para cá de Vilar Formoso.

Janeiro 10, 2008 at 11:06 pm
O inglês técnico não chega para se perceber relatórios como este. E o francês ainda deverá ser mais técnico porque nem precisou de fax.
Mas quando as bases de trabalho se ancoram nas mesmas teorias os resultados só podem ser do mesmo tipo
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO É UMA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA
Janeiro 10, 2008 at 11:12 pm
Eu já não tenho palavras para descrever isto.
Ele foi os titulares e toda a série de incoerências, ele foi a percentagem para a oralidade e actividades práticas nos cursos científico-humanísticos e mais os 135 minutos de FQ e B/Geol, ele foi o estatuto do aluno, ele foi a avaliação de desempenho, a gestão escolar e a avaliação de desempenho docente, ele é a alteração dos regulamentos internos, dos departamentos curriculares, ele é ainda a legislação que ainda vai sair, ele é eu já não perceber nada do congelamento das carreiras, da formação contínua…..
Tudo isto para 2007/08. Retroactivamente!
Mudanças, reformas e tudo o mais saem em DL de 2008 para se reportarem a 2007.
Realmente é parecido com o que se fez na Finlândia!
Isto é um regabofe total. E só devia ter uma resposta:Não fazemos isto!
Ou então:ok, a gente faz. (de conta)
Janeiro 10, 2008 at 11:14 pm
It will be very clear to any evaluator that the lack of succes of the current reform has to be attributed fully to the minister-team-led misconcepts.
Janeiro 10, 2008 at 11:14 pm
Em Maracanau é assim:
Janeiro 10, 2008 at 11:20 pm
Quanto a mim só há uma solução para pôr fim a este delírio:As escolas responderem: NÂO FAZEMOS ISTO NESTAS CONDIÇÔES!
Janeiro 10, 2008 at 11:26 pm
Eu vou tentar convencer os da minha.
O problema é como diz a nossa PCE: quem leva com o processo em cima é ela.
Janeiro 10, 2008 at 11:48 pm
Pois, mas isto só não seria assim se uma maioria das escolas fizesse isto.
Meia dúzia seria harakiri por certo.
Janeiro 10, 2008 at 11:56 pm
Aquela do DL que menciona as condições que o avaliado deve poder exigir para cumprir os objectivos a que se propôe já me levou a imaginar o que eu posso exigir.
Mas será que posso?Posso?
Janeiro 11, 2008 at 2:05 am
Gostaria tanto de estar a leste deste país à beira-mar plantado…
Estou a sentir-me muito nêspera, que estava em cima da cama,na mão da velha que me vai comer.
Também sou da opinião que se devia tomar a única posição possível e digna de um ser vertebrado complexo e pensante e que é:
“NÂO FAZEMOS ISTO NESTAS CONDIÇÔES!”
Já o devíamos ter feito na altura do concurso dos titulares. Esta é outra oportunidade que não devíamos desperdiçar para manter uma posição clara e sensata!
Tenho estado muito caladinha ultimamente, tentando não me esquecer que afinal também sou professora, mãe, esposa e amiga de alguém e não apenas uma máquina para produzir e ler quantidades industriais de papéis com conteúdos obscuros e cretinos.
Valha-nos a Santa Sanidade Mental!
Janeiro 11, 2008 at 5:32 pm
Paulo, seria interessante comparar o modelo de recrutamento e gestão dos professores na Finlândia com o nosso: o acesso á profissão, quem contrata e quem os gere, qualidade da formação inicial, etc.
Janeiro 11, 2008 at 5:33 pm
” o acesso à profissão”
Janeiro 11, 2008 at 5:34 pm
Logo que possível ter tempo para andar pela base de dados Eurydice, onde está tudo isso.