Os cérebros da 5 de Outubro conseguiram enfiar uma eleição num processo de concurso público, de maneira a tentar tapar a brecha aberta em relação à LBSE.

Não é que a solução me convença, mas há que admitir que alguém deve ter passado umas horas a congeminar isto.

Claro que é uma solução meio encavalitada na fronteira da compatibilidade com a LBSE.

Os artigos 21º e 23º são uma pérola antológica sobre como tornear a letra e o espírito da LBSE. Já adivinhava isto que, aliás, seria praticamente a única forma de – formalmente – respeitar a incómoda «democraticidade do processo».

Eu de certa forma até concordo que, em termos nacionais, esta talvez fosse uma solução a adoptar: em vez de uma eleição tradicional, deveríamos abrir um concurso público para Primeiro-Ministro, ao qual pudessem concorrer políticos com um mínimo de experiência – um mandato como detentores de um cargo político executivo – mesmo de países envolventes ou mais distantes.

Conforme as candidaturas apresentadas, os currículos e os projectos, depois uma espécie de Conselho Corporativo Geral da Nação (note-se que no Conselho Geral das escolas só os elementos do corpo docente e dos funcionários estão sujeitos a eleição, sendo os outros nomeados, designados ou cooptados) reunir-se-ia e escolheria o melhor candidato.

Aposto que muito provavelmente não teríamos acabado com uma espécie de engenheiro.