Um dos mais notórios é o do excesso de pessoal do Ministério da Educação e dos custos associados a um aparelho dito gigantesco da sua estrutura.
Confesso que até concordo com esta ideia quando me lembro dos labirínticos corredores da 5 de Outubro, dos mais alongados da 24 de Julho ou dos mais apinhados, por exemplo, da Praça de Alvalade. Que são aqueles com os quais, por diferentes tipos de necessidades e trabalhos, contactei mais de perto. Ou quando leio a lista de serviços centrais e regionais do ME no respectivo site.
Mas depois o próprio ME me desmente quando parece achar que, de entre tanta gente, boa parte requisitada e portanto escolhida pela sua adequação às funções desempenhadas. não há ninguém com qualificações para desempenhar tarefas de tipo técnico, muito específicas e naturais na área da Educação como:
- Compilar a legislação existente nesta área, sendo necessário pagar 20.000 euros mensais (o que excede largamente o que receberia uma dúzia de técnicos posicionados a meio da respectiva carreira) a um advogado conhecido da área socialista, cujo irmão mais novo tem a carreira promissora em stand-by. Não sei se, entretanto, isto já é o resultado de tamanho trabalho se apenas o resultado natural do trabalho dos técnicos da área jurídica do ME.
- Certificar os manuais escolares em circulação no mercado, para o que é necessário acreditar entidades externas ao ME e estabelecer protocolos que podem ir até ao pagamento de 7.500 euros pelo Estado (mais 2.500 por parte das editoras) por cada um dos manuais em causa, sendo que tal custo corresponde em termos líquidos, por exemplo, ao salário mensal de seis professores ou técnicos já na metade superior da tabela salarial.
Sendo que este tipo de tarefas não são em áreas estranhas às funções directas do ME e de alguns dos seus organismos, só posso entender que o excesso de pessoal e a falta de meios financeiros do ME não passam de um mito, maldosamente posto a circular por parte de alguém que quer denegrir de forma insidiosa a imagem da nossa tutela.
Dezembro 19, 2007 at 12:28 pm
Ora aí está! O curioso é que todo o ataque que nos fizeram a nós professores, que na realidade temos um estatuto diferente, dentro da grande máquina da função pública, acabou por camuflar toda a panóplia de excessos de funcionários (da vertente das 9 às 17) dentro dos ministérios! O excesso desmesurado de toda uma quantidade de “boy and girls”, que foram sendo enfiados ao longo dos anos pelos sucessivos governos, nos gabinetes, passam à margem de toda esta actual pseudo virtuosa ideologia anti- função pública. Curioso, muito curioso é verificar que se calhar as culpas e o deboche até está noutro lado e sempre esteve, da parte daqueles que foram alargando a lotação nas conveniências partidárias!
Eu, como muitos outros, sou um professor que trabalha no sector público, mas não sou, nem quero ser, “manga de alpaca”, nem nunca fui! Nem enfio esse barrete por muito que mo queiram enfiar!
Ora aqui está uma boa questão! Se as pessoas (opinião pública) tiverem um pingo de honestidade intelectual para a abordarem?
Dezembro 19, 2007 at 1:33 pm
Deixar perpassar a ideia que o ME é uma máquina burocrática pesadíssima para os bolsos dos contribuintes e, atendendo à lei dos rendimentos decrescentes, ineficiente é fruto das más-línguas. As provas aí estão para o demonstrar, pois não cabe na cabeça de ninguém que, devido a simples favoritismos, os nossos mais altos dirigentes, tão empenhados na redução da despesa pública, possam esbanjar os parcos recursos do povo!
Dezembro 19, 2007 at 1:43 pm
A (des)propósito… Santana Castilho no Público de ontem
http://ocartel.blogspot.com/2007/12/o-complexo-do-special-one.html
Dezembro 19, 2007 at 2:09 pm
Há, ainda assim, uma diferença entre as duas formas de desperdiçar dinheiros públicos nos dois casos referidos.
Na compilação legislativa podemos identificar aptidões ou disponibilidades que estão eventualmente mais concentradas noutros ministérios, como o da Cultura (organização documental) e Justiça (legislação). Nada que um protocolo interministerial não resolvesse da forma satisfatória com uma eventual comissão de serviço temporário de um ou dois funcionários públicos no ME. Mas já sabemos o que vale a Ministra quanto a capacidade de negociação.
O segundo caso representa um verdadeiro salto qualitativo na arte dos cambalachos, pois fere directamente a função nuclear do seu ministério. É como cuspir nos funcionários públicos.