Educação: Conselho das Escolas sublinha aumento da responsabilização dos directores e reforço de lideranças
Em declarações à agência Lusa, o presidente do Conselho das Escolas, novo órgão consultivo do Ministério da Educação, considerou que as alterações ao nível da gestão escolar “fazem sentido”, já que será a comunidade educativa a definir o responsável máximo, tendo em conta o mérito, a experiência e um plano de actuação.
“Por outro lado, este modelo aumenta a responsabilização dos futuros directores de escola e fortalece as lideranças, tendo em conta determinados objectivos. O director passa a ter poderes alargados e responsabilidades acrescidas, tendo de prestar contas”, afirmou Álvaro Almeida dos Santos.
Educação: Director de escola há 16 anos garante que o modelo é o mais eficaz
Nos mais de 20 anos à frente da Secundária de Amarante, Fernando Sampaio já conheceu todos os tipos de gestão. Hoje, um dos poucos directores de escolas públicas no país não tem dúvidas em afirmar que este é o modelo mais eficaz.
No dia em que o primeiro-ministro anunciou no Parlamento a reforma da gestão escolar, a Lusa ouviu o relato de quem já foi presidente dos antigos conselhos directivos e responsável máximo de um conselho executivo, sendo agora director, desde 1991.
“Se pensarmos na escola como uma empresa que precisa de dar respostas imediatas, isso não é muito compatível com a ideia de um colectivo na gestão. Como a figura do director é um órgão unipessoal, ao contrário dos conselhos executivos (CE), acaba por haver uma liderança mais forte e mais operacional”, assegura.
Resta saber se até agora estes dilectos colegas tiveram muitos problemas em eternizarem-se nos cadeirões do poder nas respectivas escolas e, já agora, se isso tem sido especialmente vantajoso. E se têm gostado de deixar de ser professores durante uma ou duas décadas, olhando a Escola da sua secretária., quantas de vezes de costas para as janelas e para as portas, se não literal pelo menos metaforicamente..
E, já agora, se no caso do Presidente do Conselho de Escolas é uma opinião “pessoal” ou “institucional”.
Porque há diferenças, apesar da necessidade de,e passo a citar o novo cliché, «lideranças fortes».
Dezembro 12, 2007 at 11:09 am
Apanhei, agora e a meio, uma intervenção do Vice-Presidente da Confap (António Amaral) na Sic notícias.
Que não conhecia ainda muito bem o projecto do novo modelo de gestão, blá blá blá, mas reconhece ter muitos aspectos positivos, nomeadamente:
-Maior democratização. Pois, não é porque os conselhos executivos são eleitos que têm uma postura democrática, imperando frequentemente a “lei do quer, posso e mando”. Há prepotência na actuação dos executivos, diz Amaral.
-Maior responsabilização dos órgãos directivos das escolas que até agora não prestavam contas a ninguém nem nunca eram responsabilizados por nada;
-Deixa uma pergunta, por ainda não estar esclarecido: se os representantes de pais que agora passarão a ter uma voz mais activa discordarem das tomadas de posição do Director e da equipa, podem pedir a sua exoneração.
-É muito positivo que os municípios venham a ter uma voz mais activa.
Isto não é um comentário. São factos.
Dezembro 12, 2007 at 11:56 am
Já repararam que:
O presidente da CONFAP – Albino Almeida (AA)
O vice-presidente da CONFAP – António Amaral (AA)
O presidente do Conselho das Escolas – Álvaro Almeida (AA)
Num serão AA a mais????
Dezembro 12, 2007 at 3:16 pm
Por que será que não me admiro com a posição do Conselho de Escolas????
Eu não gosto muito d eusar a exppressão “eu bem dizia”, mas, na realidade, a resposta que postei ontem no “debate da nação” já apontava para este sentido, por muito que isso custe ao(à) nosso(a) amigo(a) DA.
Por maioria de razão ainda menos me admiro da posição da CONFAP.
São todos bons rapazes, bate tudo certo. O grande problema da educação em Portugal são mesmo os professores. Urge erradicar tal “cancro”, para que os nossos jovens possam continuar “escandalosamente felizes” e, diria eu, ignorantes,…..
Dezembro 12, 2007 at 3:19 pm
Pouco falta para que voltemos a defender a filosofia que o cardeal Cerejeira defendeu em illo tempore: Bendita seja a santa ignorância….
E curiosamente tudo isto no mandato d eum governo do Partido Socialista…..
A tradição já não é o que era….não! não!
Dezembro 12, 2007 at 4:21 pm
No mesmo site que noticia a posição do presidente AA dizem que:
“Segundo o presidente do Conselho das Escolas, este órgão deverá emitir um parecer sobre a proposta do Governo até ao final da próxima semana, depois de reunir em plenário para estudar o documento.”
Resta-nos saber se a posição do conselho “pode” ser diferente do que a já veículada pelo seu presidente…
Há “gente” que não percebe que, pertencendo a um órgão que é colegial (ou será que não é e nesse mesmo órgão já está implícita a figura do director?) não pode dar a sua opinião antes do órgão a que pertence manifestar a sua posição.
O problema é que a ética e a deontologia à semelhanças da democracia já não são o que eram!
Todas adquiriram significados novos neste contexto chuchialista (isso mesmo… deriva de chucha!
Dezembro 12, 2007 at 4:44 pm
Penso que não é possível continuar a analisar o que se está a passar diante dos nossos olhos sem recorrermos a uma visão mais compreensiva/diferenciada da sociedade.
As grandes narrativas tradicionais, só por si, estão em falência e em discrepância acentuada com o mundo actual, e embora contenham muitos elementos ricos e reconfortantes em relação à interpretação hermenêutica, creio que só novas abordagens (re)construídas nas teorias e sistemas tradicionais, poderão proporcionar novas soluções para novos problemas.
Muitas vezes trata-se de recuperar, desenterrar e polir alguns aspectos anteriormente avançados por outros, ou ainda de nos obrigarmos a reflectir sobre o modo como descrevemos a realidade e a nós próprios, de forma a podermos alcançar os objectivos a que nos propômos, sem perder a sanidade mental.
Nesta demanda, importaria salientar muita literatura e muitas ideias que nos remetem para uma história nunca acabada, incluindo filósofos, sociólogos, poetas, jornalistas, psiquiatras e romancistas.
Quando assistimos a um recrudescer de certas ideias tecno-científicas de gestão e organização das comunidades humanas devemos ficar de pé atrás.
Esta cultura empresarial, “científica” e esta obsessão em “prestar contas”, já teve antecedentes históricos trágicos, quer em relação aos judeus, acusados de não prestarem contas ao povo alemão, quer em relação ao Kulaks na União Soviética, acusados de sabotarem a economia (começo a dar razão a Gabriel Mithá Ribeiro).
Retomando a sigla NEP leninista, Charles Melman desenvolveu uma teoria sobre a Nova Economia Psíquica, com algum interesse para se tentar compreender a lógica dominante da nossa sociedade:
C’est l’idée que « l’homme libéral » actuel aurait justement pour « nouvelle économie psychique » une « intériorisation du modèle du marché ». Le nerf de cette lecture du psychique est socio-anthropologique : « la “santé mentale” relève ainsi aujourd’hui d’une harmonie non plus avec l’Idéal mais avec un objet de satisfaction. La tâche psychique s’en trouve grandement soulagée, et la responsabilité du sujet effacée par une régulation purement organique » . Ce qui est soulageant là-dedans, c’est apparemment que la subjectivité « se croit libérée de toute dette envers les générations précédentes »
Dezembro 12, 2007 at 4:57 pm
Júlio Coelho,
Tenho do Alvaro Almeida Santos, a imagem de um bom Presedente de Conselho Executivo, diga-se o que se disser dele a escola que dirige é das mais prestigiadas de Vila nova de Gaia. Não o conheco pessoalmente, apenas colegas que passaram por lá, e pessoas que têm lá os filhos.
Dezembro 12, 2007 at 6:09 pm
Caro H5N1
Tentei distrinçar uma grande narrativa não-tradicional não-em-falência e não-em-discrepância com o mundo actual nas palavras de Charles Melman, mas confesso que flipei na parte do nerf de cette lecture. Tem mais detalhes?
Dezembro 12, 2007 at 7:18 pm
Caro AF
http://centreguenouvry.free.fr/melman1.htm
Dezembro 12, 2007 at 11:44 pm
Caro(a) DA
Concedo que o Álvaro dirige eficientemente a escola (que tem estado bem colocada nos rankings – signifique isso o que quer que seja) e é um homem de multiplos recursos e interesses, que vão desde a gestão ao folclore, por exemplo.
Contudo, isso não invalida, a meu ver, aquilo que afirmei.
Afirmar, por exemplo, que este novo modelo faz sentido porque será a comunidade a definir quem será o responsável, soa-me a estranho. Então não era até ao momento, precisamente a comunidade que elegia esse responsável?
Afirmar também que aumenta a responsabilização dos futuros directores e fortalece as lideranças, só compreendo tal afirmação se for enquandrada no contexto de saber a quem a chefia d etopo da escola deve “fidelidade”; até agora, a sua “fidelidade”, isto é, o seu compromisso, estava para com quem os elegeu. A sua autoridade derivava do poder delegado directamente pela própria comunidade (aliás como é normal no contexto de uma democracia representativa); neste novo modelo, a “fidelidade” terá d ese para com o ministério que é quem o nomeia. Ou seja é a figura do chefe, do reitor. Tal não quer dizer que a sua legitimidadee, a sua autoridade seja maior, bem pelo contrário.
Dezembro 12, 2007 at 11:46 pm
A propósito. Exerci durante 7 anos o cargo de presidente do CE. Sempre eleito com percentagens acima dos 70% de toda a comunidade e nunca senti que me tenha faltado legitimidade, capacidade de resolução de problemas e de liderança.
Dezembro 13, 2007 at 12:00 am
Exacto.
Esta lei é para “blindar” lideranças fracas.
Dezembro 13, 2007 at 9:06 am
H5N1
Obrigado pela referência
Novembro 8, 2008 at 12:08 am
O Sr Dr Júlio Coelho. V.ª Ex.ª é mesmo Coelho. Mas fique sabendo que falar tão bem de outro Presidente, que por acso diz não conhecer, é obra. V.ª Ex.ªa não está a ser coelho, mas lebre.
Será que quer tirar o Dr Álvaro do caminho, ele que até sonhava vir a ser secretário de estado?! Será que V.ª Ex.ª, Dr Júlio, tem pretensões, ofuscadas pelo tempo, de vir a ser candidato a…
Novembro 8, 2008 at 12:17 am
Quanto ao Dr Álvaro Coelho!
O Sr é notável, diria notabilíssimo.
Apesar da sua estatura, já está projectado em altos voos. Basta, para tal e para quanto, ter conhecido em pessoa Sua Ex.ª A Sr Doutora Ministra, mais os seus digníssimos seretários de Estado. Você é mesmo do poder, gosta do poder, ama poder.
Mas talvez a escola já não goste de si, nem o ame a si!
Novembro 22, 2008 at 4:54 pm
Eh, Sr Dr Álbariu!Bocemessê é do camanho. Si sinhora. Bota cá uma faladura e tretas. Tanto disse que sim e tanto disse que não.
Mas que porra! Tome partido! Eu já sê: bossa mercedes (é um bam carru)és dos partidos da Rodrigues, da vossa Sinhora. Cum carago! Entas os sinhores profios, bocê não gosta deles?
Novembro 22, 2008 at 5:01 pm
Para mim, se fosse Primeiro Ministro, e também Engenheiro, já tinha constituído uma nova equipa para a Educação.
Nem pensava duas vezes. Se penssasse três, os três seriam: Ministro: Albino Almeida, porta voz do ministro: Dr Álvaro dos Santos; única (por não haver mais) secretária: Dr Margarida – uma que é do Norte, mas atina mais para o SUL e ocupa demasiado espaço no Norte.