A TSF já anunciou como tudo se vai passar hoje no Parlamento e, francamente, acho que nem deveria existir debate.

As equipas já anunciaram as tácticas, modelo de jogo e alinhamento de jogadores. Também anunciaram que que cada uma vai jogar num campo diferente, para não se perturbarem entre si. Vai ser a nossa bem conhecida conversa de surdos, em que cada um diz o que lhe apetece, indiferentemente do assunto em discussão.

  • O Governo vai apresentar a catadupa de resultados que diz ter para comprovar a sua bela acção no campo da Educação, nomeadamente ao nível do Secundário e das Novas Oportunidades.
  • A Direita vai questionar o Governo sobre Segurança Interna, aparentemente por causa dos crimes violentos relacionados com a vida nocturna. É assunto preocupante, pois revela existir uma grau de sofisticação pouco habitual na nossa criminalidade, mas é um fenómenos restrito e revela mais sobre a inutilidade do SIS que outra coisa.
  • A Esquerda vai atacar o Governo pela via do Desemprego. Estratégia com as barbas de molho e que só vai dar para se discutir pontos percentuais. O assunto está mais do que caracterizado e até podia ser abordado pela via da questão educativa, mas aposto que PCP e Bloco não irão por aí.

Todos ficarão felizes e, em boa verdade, de Educação e da sua real qualidade pouco se falará, sendo que, com um pequeno esforço tudo (ou quase) poderia ser relacionado.

Porque uma via óbvia de questionamento do Governo é a seguinte: se é verdade que andamos a certificar camionetas cheias de portugueses que descobriram finalmente que são competentes (= detentores de competências certificadas), porque cargas de água até 2010 se prevê um aumento do desemprego?

  • Se o 12º ano é o «patamar mínimo» para o sucesso, onde anda esse sucesso quando se trata de passar da obtenção da certificação para a inserção no mercado de trabalho?
  • Afinal que retorno está a existir, ou se prevê que exista, para os supostos beneficiários dos milhões do QREN?
  • Ou seja, se o sistema educativo anda a funcionar sobre rodas oleadas (e toda a gente está a ficar extremanenbte certificada), o que é que falha para a economia não arrancar, a convergência com a Órópa continuar em banho-maria, o desemprego ter-se instalado para ficar e o sub-emprego precário permanecer endémico, sem necessidade da flexicoisa?

Dir-me-ão que são apostas a médio prazo, que nada se pode ver em tão curto espaço de tempo. Mas, não é exactamente isso que estão a tentar fazer com os dados sobre o sistema educativo?

Será que os alunos que entraram em 2005 no sistema já estão em 2007 a fazer a transição para o Ensino Secundário e a demonstrar desempenhos excelentes graças à acção deste Governo?

Ou os prazos dilatam-se e encolhem-se, tipo acordeão, conforme as conveniências e uma teoria da relatividade restrita à retórica governamental e à sua representação estatística da realidade?