Eduardo Lourenço foi quem mais habilmente demonstrou esta dissociação, nos portugueses, entre a auto-imagem e as efectivas capacidades. Por isso não espanta que:

Os alunos portugueses de 15 anos são dos que mais valorizam a importância do conhecimento científico. Em toda a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), são mesmo os que mais desejam seguir uma carreira nesta área, apesar de apenas dominarem as competências mais simples.

A maioria acredita que o seu desempenho é bom e que aprendem rapidamente o que é ensinado nas aulas, demonstrando uma atitude bem mais confiante do que os seus colegas finlandeses, que lideram o ranking. Mas na hora de mostrar as suas competências, só três países se saem pior – Grécia, Turquia e México.

E depois ainda há quem diga (a parceria ME/Confap) que temos pouca auto-estima e que os professores são terríveis a desmoralizar os alunos. Se mesmo assim são os que têm melhor auto-imagem, nem quero ver como seria de outra forma!

Agora mais a sério: isto mais não é que a demonstração prática de que os alunos estão já perfeitamente convencidos de que tudo é fácil e que eles são os melhores do mundo. E que o que fazem chega, mesmo não chegando. Um pouco como no futebol durante muito tempo.

Depois falta é a concretização. E quando aparece alguém que exige mais do que prosápia é que é pior. É porque é muito exigente. Provavelmente é porque é ruim. Ou mesmo disfuncional.