Advogado contratado duas vezes

O Ministério da Educação contratou duas vezes o mesmo advogado para fazer o mesmo trabalho.

No primeiro contrato, o advogado João Pedroso comprometia-se a fazer um levantamento das leis sobre a Educação e ainda a elaborar um manual de direito da Educação. O trabalho deveria estar concluído até Maio de 2006, mas tal não aconteceu. Apesar de não ter sido concluído nos prazos previstos, o advogado recebeu a remuneração.

Ainda assim,o ministério fez depois com João Pedroso um novo contrato com os mesmos objectivos, mas a pagar uma remuneração muito mais elevada. Em vez dos iniciais 1500 euros por mês, João Pedroso passou a receber 20 mil euros/mês. (Nuno Guedes, RCP)

É que boa parte do trabalho não é bem para especialistas em Direito. E que muito desse trabalho está feito em colectâneas publicadas e disponiveis no próprio Arquivo Histórico do ME e na sua Biblioteca da 5 de Outubro. Ou já está online e ao alcance de uns quantos cliques e copy/paste.

E que, porventura, tamanho erro de cálculo sobre o trabalho a fazer indicia que os envolvidos não faziam ideia do assunto que iam tratar. Embora exista no mundo universitário quem seja especialista em áreas como a da pesquisa em fontes sobre Educação. Posso indicar uns quantos nomes de pessoas que conhece por boas leituras e que certamente o ME também conhecerá. O “manual” poderia ser feito separadamente, depois do material bem pesquisado, tratado e preparado para utilizações posteriores. A menos que isso não conviesse, sei lá, por causa das sinergias de concentrar tudo no mesmo contratante.

E garanto-vos que, por essas quantias (em especial a última) eu consigo fazer esse levantamento para todos os planetas do sistema solar em seis meses. Um bocadinho mais, se der para renovar o contrato por dez vezes mais da segunda vez.

Quanto a detalhes onomásticos ou familiares, não gostaria de fazer juízos precipitados. O h5N1 parece perceber (olha-me a provocá-lo!) mais do que eu sobre nomenklaturas próximas de um certo e determinado partido que andam, por força das circunstâncias, arredadas da ribalta.