O semanário Sol publicou, recentemente, escutas telefónicas incómodas para o primeiro-ministro, José Sócrates, para o actual ministro da Administração Interna, Rui Pereira, para Abel Pinheiro, ex-dirigente do CDS com responsabilidades directas nas finanças do seu partido, e para Paulo Portas, na altura líder demissionário daquela formação política. Essas escutas foram efectuadas no âmbito do processo Portucale (…) mas, lateralmente, expuseram uma outra questão: a tentativa de substituição do ex-Procurador-Geral da República, Souto Moura, ano e meio antes do termo do seu mandato.
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Quase duas semanas depois de estas escutas virem a lume, de S. Bento chega um silêncio ensurdecedor. Aparentemente, o primeiro-ministro convive bem com a circunstância de pairar sobre a sua cabeça o estigma de não ter dito a verdade aos portugueses. Logo, de estes poderem, a todo o tempo, questionar-se sobre a veracidade de outras afirmações do chefe do Governo. Num mundo de poder volátil e humores instáveis, é na credibilidade que os actores políticos encontram a substância capaz de os impor perante os seus concidadãos. Quando ela falha, o futuro passa a valer muito pouco. (Áurea Sampaio, Visão, 11 de Outubro de 2007, p. 56)