Outubro 2007


Jorge Coelho na Quadratura do Círculo a camuflar a essência do Estatuto do Aluno e a dizer que ele está a ser objecto de uma campanha de intoxicação e que a culpa é do governo que não fez «uma campanha de contra-intoxicação» [sic]. Chega a ser politicamente obscena a forma como se faz a defesa destas medidas e a amostragem do título do DN que afirma que o insucesso desceu 22%, quando desceu apenas 7%.

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Amanhã, entrevista de Maria de Lurdes Rodrigues na RTP1. Aí é que vai seu o ataque tóxico completo.

E peço desculpa mas não consegui deixar o The Boss no topo da página.

 

Its rainin but there aint a cloud in the sky
Must of been a tear from your eye
Everythingll be okay
Funny, thought I felt a sweet summer breeze
Must of been you sighin so deep
Dont worry were gonna find a way

 

Im waitin, waitin on a sunny day
Gonna chase the clouds away
Waitin on a sunny day

Devido a problemas com o hardware cá de casa, não estou nas melhores condições para digitalizar páginas de revistas e esta merecia ser toda mostrada. Talvez amanhã.

Mas fica o essencial da notável coluna de José Gil na Visão de hoje, a desmontar boa parte da estratégia deste governo que está a tentar domesticar todas as arestas daquela coisa a que ainda chamamos democracia. Por enquanto, vai tentando, falta conseguir.

As iniciativas que visam simplificar (para bem gerir e «modernizar») multiplicam o número das complicações burocráticas existentes. Ao tirar a iniciativa, ao querer regulamentar até ao ínfimo pormenor a actividade dos funcionários, transforma-nos em máquinas. E ser robot cansa. Como cansam as reuniões e mais reuniões, tantas vezes inúteis mas obrigatórias. As pessoas andam esgotadas.

Eis como o autoritarismo, como estilo de governação pessoal, se transforma em rede impessoal de controlo dos serviços e dos homens: ao contaminar os seus conceptores, o vírus do autoritarismo torna autoritários os próprios serviços e avaliações. Autoritarismo e injustiça da rede e dos que cumprem rigidamente (quer dizer «como deve der», seguindo estritamente a lei) os seus imperativos. Com tudo isto, desenvolvem-se as rivalidades, as invejas, os golpes baixos, a mesquinhez, à medida da pequenez das disposições que se impõem – o velho ambiente retoma os seus direitos na nova sociedade tecnológica do conhecimento.

O governo construiu assim uma poderosa máquina de produção de subserviência e controlo das subjectividades desmotivadas. A nova lei da subjectivação formula-se assim: menos dinheiro e mais funcionalidade (gestão do défice oblige) em troca de mais obediência e menos qualidade de vida (biopoder do Estado). (José Gil, Visão, 31 de Outubro de 2007, p. 30)

Lembram-se de Pedro Norton quando, há coisa de ano e meio, defendia a Ministra da Educação nas páginas da Visão com unhas e dentes contra os professores? Eu andei por aqui (e duas semanas depois, outra vez) a refilar que ele estava a ver mal a coisa, mas não há nada como esperar que aquilo que sobe venha a cair.

E esta semana cá temos Pedro Norton a protestar com a dita ME, revelando que, pelo menos, não tem ideias fixas e que só demora uns 18 meses a mudar de rumo e a perceber que o discurso do mérito era uma simples cortina de fumo que muitos tomaram por D. Sebastião:

No curto espaço de tempo de uma semana, o Governo de José Sócrates conseguiu produzir dois documentos de uma imbecilidade absolutamente notável que dizem muito sobre a massa de que é feito este executivo.

A festa começa nesse hino à impunidade e à displiscência que constitui o novo estatuto do aluno. A coisa explica-se de uma penada: reconhecendo a sua antipatia genética pela ideia de disciplina, o PS de Sócrates resolve a questão da generalizada rebaldaria que grassa nas escolas públicas do País legitimando-a. A ideia é de uma genialidade desarmante. À falta de vencer a balda, integra-se no sistema a própria balda: os petizes, que já tinham dificuldades em chumbar por razões pedagógicas, ficam agora «proibidos» de chumbar por faltas. Ou como se diz em «eduquês» «a escola pública inclusiva não pode permitir que se impeça um aluno de voltar à escola (…)». É certo que alguns lunáticos e conservadores ultrapassados dirão que se sacrifica  um pouco mais a cultura de exigência e de mérito que seria suposto começar a ensinar-se na escola pública. Mas os cães ladram e a caravana passa. (Visão, 31 de Outubro de 2007, p. 46)

Pois, como cristão-novo Pedro Norton agora reforça na linguagem anti o que antes exagerava nos prós. Mas é interessante o que a passagem do tempo faz a estes apressados entusiastas da acção desta equipa ministerial. E, por muito que eu goste destas deserções nas linhas adversárias, não deixo de assinalar a mudança de posição.

Por questões de memória passada e futura.

Na edição antecipada para hoje, embora chamando à capa os meandros da especulação em torno da banca, a Visão traz um artigo alongado sobre aquilo a que chama “A lição dos bons professores” e que, no essencial, passa pela identificação de casos individuais de boas práticas de docentes esplahados um pouco por todo o país.

É matéria para ser lida com óbvio interesse pelos casos exemplares apresentados e pela forma como, aparentemente, a Visão parece mudar de rumo em relação aos professores e à imagem que, a certa altura, ajudou – por certo que involuntariamente – a denegrir com um tristemente recordado suplemento sobre o Estado da Educação há pouco mais de um ano.

É tardio, mas é sempre reconfortante quando o olhar alheio deixa de procurar a nódoa na manga e se preocupa mais em perceber se a camisa está bem feita.

Mas o mais curioso é que, se observarmos onde trabalham estes colegas, raramente encontramos escolas posicionadas no topo dos rankings.

E isso é natural e fácil de explicar.

As verdadeiras boas práticas são, em muitos casos, invisíveis para as estatísticas mais mediáticas pois passam pela recuperação de alunos em situações de grande fragilidade e com acidentados percursos de insucesso escolar. Porque se é uma boa prática saber manter uma turma de bons alunos no topo da sua forma, por vezes é uma prática muito mais difícil trabalhar em condições adversas e fazer surgir à tona de água alunos e turmas com perfis complicados.

Quantas vezes um nível 3 ou um simples 10 implicam uma dedicação dos docentes muito superior à obtenção de um 5 ou de um 18. Só não sabe e percebe isso quem só vê o topo dos jacarandás das Avenidas Novas.

Texto do colega António Antão, enviado para publicação no Diário do Minho de hoje, mas que teve a simpatia de partilhar connosco e que eu divulgo esperando não “furar” a divulgação impressa. Os destaques a bold são meus.

Declaradamente, os responsáveis pela tutela da educação não sabem o que fazer com os exames do 12.º ano. Tal como o Pedro, inventaram um lobo com que passaram a assustar os alunos e o lobo nunca mais aparece.
Em 21 de Maio de 2004, num quadro de implementação de um novo plano de estudos para os cursos do ensino secundário, introduziam-se também algumas alterações nas provas de avaliação externa (exames) de cuja prestação depende a aprovação em determinadas disciplinas.
Na altura, quer por aventureirismo irresponsável resultante de saudades de tempos irrepetíveis, quer por inabilidade política resultante da ignorância do estado em que se encontrava a educação no seu país, ou, na melhor das hipóteses, enlevado por ideias românticas de levar a sério a educação em Portugal, quem legislou sobre os exames do 12.º ano não conseguiu prever as consequências da sua utopia.
Com efeito, era determinado que “os exames finais nacionais realizam-se no ano terminal da respectiva disciplina, incidindo sobre as aprendizagens correspondentes à totalidade dos anos de escolaridade em que a disciplina é leccionada” (Portaria 550-D, de 21 de Maio, ponto 5 do artigo 17.º). Ao referir “totalidade dos anos de escolaridade”, o legislador tinha vontade de repor os antigos exames de fim de ciclo sobre as matérias de todos os anos que o integram, como é óbvio.
Não vamos aqui tratar as disciplinas de frequência bienal da componente de formação específica, que têm exame sobre matérias dos dois anos (pelo menos até a estatística do sucesso o tolerar), nem a disciplina de Filosofia da componente de formação geral, que começou por ter exame obrigatório para todos os alunos, que imediatamente passou a ter apenas exame facultativo para acesso ao ensino superior e que, actualmente, desapareceu do elenco das disciplinas com exame e nem para acesso a um curso de Filosofia será exigida como disciplina específica. (Entretanto, em 2008, um aluno poderá entrar no curso de Filosofia da Universidade do Porto com a nota do exame de Geografia, por exemplo). Vamos referir-nos apenas às disciplinas de frequência trienal que são Português, da formação geral, e Matemática-A, História-A, Desenho-A e Língua Estrangeira II ou III, da formação específica, dependendo dos cursos.
Como pretendia o legislador em Maio de 2004, os alunos que iniciaram o ensino secundário em Setembro seguinte tinham de se mentalizar que a prática até então institucionalizada de que matéria saída no teste era matéria arrumada, estivesse bem ou mal sabida ou não sabida, tinha de acabar. Afinal, as matérias dos 10.º e 11.º anos passavam a ser passíveis de voltar a aparecer num “grande teste”, em final do 12.º ano, em Junho de 2007. E a contar com este pressuposto planificaram os professores os seus trabalhos. E a contar com este pressuposto, durante dois anos e meio, foram os professores pressionando os alunos a não abandonar o estudo de matérias passadas, porque o lobo vinha aí.
Chegámos à altura dos exames e, afinal, o lobo não apareceu.
Sob o subterfúgio de que era necessário simplificar processos e dado que ainda havia alunos do plano de estudos anterior com o curso por concluir, determinava-se, já com os exames à porta, que seria realizada apenas uma prova comum a todas as disciplinas de que existisse uma variante trienal, exclusivamente sobre conteúdos do 12.º ano. Por exemplo História, que devia ter três provas, uma para os alunos do antigo plano de estudos, outra para História-A (trienal) e outra para História-B (bienal), ambas da nova reforma, teve apenas uma sobre os conteúdos do 12.º ano do novo programa.
Claro que isto gerou discriminações e arbitrariedades. Enquanto que em disciplinas de que não havia nenhuma variante trienal os alunos tiveram de fazer exames sobre conteúdos de dois anos, noutras, também bienais, os alunos fizeram exame apenas sobre conteúdos do último ano de frequência. E fossem só estas as discriminações e arbitrariedades então cometidas!
Mas, num país de brandos costumes e onde a impunidade de quem nos governa constitui norma, nada resultou como consequência e o rei continuou a passear a sua nudez. Até porque, acreditava-se, em 2008, tudo iria entrar na normalidade instituída. E o Pedro continuaria a gritar “Aí vêm os exames sobre conteúdos de três anos! Aí vêm os exames sobre conteúdos de três anos”.
Qual quê? Mais uma vez, os exames sobre conteúdos de três anos não vão aparecer em 2008. E os pastores podem continuar a apascentar a suas ovelhas sem grandes preocupações com o lobo, pois, desta vez, o Pedro antecipou-se e já nos disse que estava a mentir.
Com efeito, alegando, mais uma vez, que ainda há alunos do anterior plano de estudos para concluírem os seus cursos, no final deste ano lectivo, os exames de disciplinas trienais vão continuar a incidir apenas sobre os conteúdos do actual programa do 12.º ano. E mais uma vez se contradizem as determinações de 2004.
Há, todavia, uma novidade: em 2008, todas as disciplinas bienais terão exame sobre conteúdos dos dois anos. Esta novidade vem corrigir um dos erros de 2007, ao repor práticas comuns em situações comuns, mas vem também testar como correm as coisas para ver o que se poderá fazer em 2009. E, entretanto, professores e alunos que continuem o seu trabalho neste ambiente de incertezas e de instabilidade.
É que, para 2009, o Pedro já começou a dar indícios de que continua a mentir e que o lobo poderá não voltar a aparecer. Quem tutela a educação actualmente, já vai sabendo o perigo que exames sobre conteúdos de três anos constituem para a estatística do sucesso. E, se até já a Matemática foi uma disciplina de sucesso, em 2007, e voltará a ser, em 2008, como é previsível, como pode o Pedro ir dar cabo de tão bons resultados em 2009, ao fazer aparecer o lobo?
Segundo a jornalista Isabel Leiria, num artigo do jornal Público de 19 de Outubro passado, “o Ministério da Educação ainda não decidiu quais as regras que vai passar a adoptar em relação aos exames nacionais do secundário, mas entende que, para já, a melhor solução é manter a excepção decretada no ano passado”. Como “ainda não decidiu”? Então não existem normas que regulamentam o processo de exames? Então o que é que foi publicado em 2004? Que aquelas determinações de David Justino sobre o novo conceito de exames eram um nado morto, já nós tínhamos percebido. O que não conhecíamos era os engulhos que essas determinações estão a causar a quem quer, a todo o custo, anunciar estatísticas de sucesso, sobretudo, em 2009.
Com efeito, continua a articulista, “Valter Lemos tem mesmo dúvidas sobre as vantagens de uma prova testar os três anos e recusa qualquer ideia de “facilitismo”. Então não havia de ter dúvidas? Então não havia de recusar ideias de facilitismo? Até porque, se admitisse essas ideias, ninguém ia acreditar.
Demagogia! Mais uma vez, pura demagogia!
Então não é que o Secretário de Estado, numa surpreendente e admirável descoberta, considera que “se os programas estiverem bem feitos, com uma lógica de espiralidade, as competências terminais verificadas no 12.º incluem as adquiridas no 10.º e no 11.º”? Ora, como mais adiante considera que “só em História é que pode haver dúvidas”, então tem a certeza de que, nas restantes disciplinas, os programas estão “bem feitos” e a lógica de espiralidade funciona. Então, de que é que está à espera para fazer aparecer o lobo no exame de Matemática e das restantes disciplinas trienais? Por outro lado, se tem dúvidas sobre a dinâmica da lógica de espiralidade em História, é porque considera que os programas não estão “bem feitos”. Que espera, então, para mandar fazer programas “bem feitos”?
A História, com efeito, já não é um engulho para o senhor, é um trauma. Por isso, não interessa fazer bons programas de História porque, mesmo com maus programas, História também ensina a reflectir criticamente sobre todo o mal que esta gente vem fazendo à educação em Portugal.
E está traçado o destino da História.

António Antão

Já repararam na rapidez do truque da mão logo no início?
E depois na fluência em vários idiomas técnicos?

Deixou-me trés content. It was fantastic mesmo!

Enviada pela Maria Lisboa, a ligação para a demonstração do SSS – o Sucesso no Secundário do Sócrates.

Chamo só a atenção para as bolinhas e setinhas a ensinar o povoléu a olhar.

Eu prefiro que no slide 6 olhem para a eevolução dos números dos Cursos Tecnológicos e dos Cursos Profissionais, para percebermos que nos últimos cinco anos a soma é mais ou menos nula. Porque quem tira 3 daqui para ali não aumenta 3, fica com o mesmo.

Já no slide 17 Sócrates parece querer demolir a obra guterrista em termos de contratação de docentes. Fica mal morder na mão de quem primeiro lhe deu de comer, mas cada um é como cada qual.

A clareza do discurso, a fluência do improviso coloca-o a par de quem sabemos. Achei isto por mero acaso numa pesquisa sobre as Novas Oportunidades e não pude deixar de partilhar esta preciosidade que nos demonstra como o mundo da gestão é, por definição um mundo. Quase como o dos analistas futebolísticos.

Com o meu pedido de desculpa ao Manyfaces que é da área e, porventura, até conhecerá o prelector. Em caso afirmativo, o tipo parece porreiro, pá. Mesmo se não se percebe, coiso, a opinião dele.

Sabe quantos alunos reprovaram por faltas no ano passado? Provavelmente nenhum. Estamos a falar de margens. O que acontecia era que os pais justificavam todas as faltas aos meninos. Só os pais que queriam que eles chumbassem é que não justificavam. Portanto, provavelmente nenhum.Facilitista é um regime que fecha os olhos às faltas justificadas que espera que as coisas atinjam o limite para a seguir dizer ao aluno que ele chumba.

Porque num momento qualquer lhes apetece mais o sol do que estar na escola, desistimos, deixamo-los. Não. Devem ser accionados mecanismos de chamada de atenção para que ele saiba que foi apanhar sol de manhã e que à tarde espera-o trabalho suplementar.

Não sabemos quantos são nem quais são os motivos porque faltam. O que estou a dizer é que a maior parte das faltas dos alunos são justificadas.

Mas não tem números? Porque é que não nos diz esses números?
A percentagem é insignificante. E são alunos com perfis complicados que não precisam de ser chumbados precisam é de ser integrados.

A vida no jovem na escola não fica dependente de um exame. Se tiver atingido as competências passa. Se no exame mostra que não sabe nada não passa…

Então é necessário ter todos os mecanismos para que os alunos estejam nas aulas. O meu objectivo não é chumbar alunos. É tê-los nas aulas.

Se alguém conseguir ligar estas citações num discurso coerente, por favor, faça-me chegar uma proposta.

  • Os alunos não devem ser deixados para trás porque faltam, mas afinal parece que as faltas injustificadas não são quase nenhumas. Insignificantes, mesmo.
  • A escola não deve abandonar os alunos, mas afinal só chumbavam aqueles que os pais queriam que chumbassem, não lhes justificando as faltas.
  • Tudo isto é feito para que os alunos não chumbem e abandonem o ensino, mas afinal provavelmente nenhum aluno chumbou por tais razões.
  • Os alunos podem faltar porque gostam de apanhar sol, mas podem sempre apanhar sol de manhã e ir à escola de tarde para trabalho suplementar (esta não é uma contradição, eu sei, é apenas um disparate imenso).
  • A vida do aluno não pode ficar dependente de um exame, mas se chumbar no exame não passa. O que é diferente.
  • Queremos ter os alunos nas aulas, mas permitimos que eles substituam essa presença por provas de recuperação, à medida das conveniências (e do sol).
  • Facilista é o regime que deixa acumular as faltas justificadas até ao aluno chumbar (pois, esta é uma completa falta de senso, mas há de tudo em poucas linhas).

Eu agora só espero que o Antero e os Gato Fedorento agarrem nisto e elevem estas passagens aos píncaros da excelência gráfica e visual, porque quanto ao texto humorístico nem precisam de se esforçar. O conteúdo está já lá todo.

É só fazer os bonecos, em duas ou três dimensões.

A Ministra da Educação entrou em novo ciclo de investida comunicacional. Hoje no CCB foi a apoteose, mas o verdadeiro delírio continuam a ser, para mim, as entrevistas, que permitem uma leitura mais demorada e a detecção de imensas incongruências, inverdades e completos devarios retóricos.

A entrevista publicada hoje no DN – coincidência, claro, o facto de ter sido o primeiro a publicar os rankings – é um verdadeiro compêndio para citações de Maria de Lurdes Rodrigues, quase desde a primeira frase.

Aliás o título escolhido «Provavelmente nenhum aluno chumbou por faltas no último ano» é um rematado disparate a dois níveis: antes de mais porque, se MLR andou hoje a divulgar as estatísticas do ano passado, saberá obrigatoriamente se alguém chumbou por essa razão; por outro lado é um disparate porque, obviamente, houve quem chumbasse por faltas e todos nós temos conhecimento directo disso. Só que à senhora Ministra resvala sempre o discurso para este tipo de tiradas, facilmente desmentíveis, que apenas cobrem de ridículo logo à partida, tudo o que afirme em seguida.

Mas comecemos pela primeira resposta que dá à pergunta colocada sobre o facilitismo trazido pelo projectado Estatuto do Aluno, que os entrevistaqdores decidiram colocar sob o prisma da crítica política de Paulo Portas e não das críticas dos professores. Mas leiamos:

O anterior estatuto – de 2002, negociado e votado num tempo em que o CDS/PP era governo – era um estatuto burocratizado. Um professor para repreender um aluno quase que tinha de meter um requerimento. Era bloqueador do acto pedagógico de prevenir, de corrigir, de repreender. O acto pedagógico é um acto de autoridade de um professor sobre adolescentes ou crianças. O que fizemos foi tornar o acto pedagógico um acto de autoridade natural. Se é preciso repreender, repreende-se sem prejuízo dos direitos dos alunos. Reserva-se à escola a decisão das medidas punitivas de comportamentos não desejados. E as escolas devem ter um regulamento que é claro para os alunos e para os pais. E é a isto que o CDS – que tanto gosta de falar de autonomia – quer-se substituir, dizendo o que fazer aos alunos absentistas. Vou dar um exemplo que é uma caricatura: com o anterior estatuto, nas zonas de trabalho infantil, os alunos podiam faltar um ano inteiro e tudo era justificado pelos pais e a escola não tinha nenhuma maneira de intervir.

Só este parágrafo é um formigueiro de erros de facto, meias verdades e insinuações pouco transparentes.

Vejamos:

  • O anterior estatuto do aluno, de 2002, da autoria de David Justino aligeirava bastante o procedimento burocrático imposto na anterior passagem do PS pelo Governo e pela Educação. Tinham sido Marçal Grilo e Ana Benavente a criar um procedimento verdadeiramente kafkiano para tratar das questões disciplinares. Não percebo se MLR desconhece mesmo isto, se apenas decidiu enveredar pela meia-verdade nas suas declarações.
  • Se o CDS estava ou não no Governo é irrelevante para o valor de uma lei. No caso até era o PSD que estava no ME. Nessa altura, quem não sei se ainda estava no CDS era o actual secretário de Estado Valter Lemos. De qualquer modo, esse não é argumento que valha na defesa do actual Estatuto.
  • «O acto pedagógico é um acto de autoridade de um professor sobre adolescentes ou crianças. O que fizemos foi tornar o acto pedagógico um acto de autoridade natural». Sinceramente tento perceber a substância destas frases e relacioná-la com o contexto disciplinar, mas não consigo. Alguém que me ajude.
  • MLR afirma que no regime anterior, em algumas zonas, os alunos podiam faltar o ano todo e os pais justificavam as faltas e tudo ficava bem. Que agora é que, eliminando as faltas injustificadas é que o controle vai se r efectivo. Volto a não perceber isto. Para já, porque os DT’s, pelo menos os normais, não justificam faltas o ano inteiro com indícios de trabalho infantil. Em seguida, porque MLR parece desconhecer a legislação que ainda está em vigor e que não aceita justificações ad hoc. Depois porque isso implicaria que, afinal, o abandono escolar ainda seria maior do que o oficial. Por fim, que eliminando as faltas injustificadas não se resolve nada, apenas se institucionaliza a balda, assumindo como regra a pior das práticas. O resto são puras vacuidades.

E já agora, se o acto de reprender deve ser exercido sem colocar em causa os direitos dos alunos, porque enão fazer o mesmo em relação aos delinquentes? Mas, afina, que rigor é este, que exigência é esta? Estamos na quinta dimensão?

Mas fiquemos com a pérola seguinte, verdadeira peça de antologia para os anais do enterro da Educação a Portugal, pelo menos para quem leva isto a sério e não como um programa dos Malucos do Riso (sem desprimor para os autores do dito que, por comparação, eram bem mais sérios no que faziam):

Acabamos com o anterior conceito de falta justificada ou injustificadas. Há faltas. E a escola tem de ter a possibilidade de decidir se aceita a justificação. Este estatuto não fomenta as baldas, pelo contrário. As escola passam a poder interpelar os alunos e os seus pais e a intervir. Faltou? Fica a trabalhar na escola até mais tarde, para compensar. Não foi submetido à avaliação contínua? É submetido a avaliação extraordinária. A exigência é muito maior.

Sim o que acabaram de ler não foi inventado por nenhum humorista. Nem é uma peça voluntariamente de non-sense. São declarações de uma Ministra da Educação de um país da UE. É certo que é uma Ministra convidada por alguém que tem do trabalho escolar uma concepção muito sui generis, que aparentemente acredita que tudo se pode fazer não estando lá. Mas não voltemos a episódios tristes.

Pelo menos Maria do Carmo Seabra dava mesmo o ar de se estar nas nuvens e nas tintas para tudo isto. Como Benavente, atrás dela acabou por vir alguém que provou que, afinal, ainda não tínhamos batido no fundo em 2004.

O buraco pode ser sempre maior.

O CCB foi de novo tomado para uma manobra imensa de propaganda onde, para encobrir a contestação ao Estatuto do Aluno e à regulamentação da avaliação dos docentes, o Governo e o ME se apressaram a antecipar apresentações públicas de dados sobre o ano lectivo transacto.

A parte boa é que desta vez não aprece que tenham contratado crianças para passarem por alunos.

Quanto ao resto, temos as habituais manobras decorrentes da manipulação dos dados ou mesmo da sua recolha e classificação.

  • Não sejamos ingénuos: os dados sobre a violência escolar serão sempre menores quando se restringem os critérios de registo das ocorrências enquanto tal. Relembremos que no passado ano lectivo houve muito cuidado em informar as escolas sobre como deveriam preencher as grelhas para o tal Observatório dirigido pelo socólogo João Sebastião.
  • Quanto ao Ensino Secundário, a diminuição do insucesso deve-se a uma estratégia que admito eficaz: criar cursos técnico-profissionais onde a não transição é positivamente impraticável, pois só no fim de todo o curso deve ser feita a respectiva avaliação. Pelo meio, só não passa quem não quer. Assim, obviamente, o insucesso diminui.

Mas não passam de truques, meros truques. Se decretarmos que as mortes nas estradas passam a ser classificadas como paragens cardíacas, os efeitos mortais da sinistralidade rodoviária diminuirão drasticamente.

E depois, claro há as recorrentes incompreensões da Ministra em relação a todos – indivíduos, grupos ou titulares de cargos de soberania – que não conseguem ver o mundo da Educação todo em tons de cor-de-rosa pálido.

 

I see the bad moon arising.
I see trouble on the way.
I see earthquakes and lightnin.
I see bad times today.

Mas o que interessa é não desanimar.

Pronto, ok, toda a conversa anterior deve-se ao facto comezinho de todos nós acabarmos por gostar de vermos a nossa prosa em letra de imprensa e em papel. É a sina de quem é triplo viciado em jornais, revistas e livros. Vai daí que não resisto a anotar que o Público teve o bom senso e bom gosto de transcrever parte deste post na edição de sábado, ao lado de textos do Fliscorno, do LavaFlow, do Atractivo, do Intervenção Maia, do Mais Évora e do Margem Esquerda. Eu sei que pela secção “Blogues em Papel” há clientes muito mais frequentes e que isto apenas vale o que vale. É um efémero simulacro de abertura da imprensa convencional aos blogues e tão só isso.

Não vale a pena infl(accion)ar o ego desnecessariamente por tão pouco.

Mas por outro lado, é-me muito mais reconfortante verificar que este mês o Umbigo teve em média, mais de 13.000 visitas semanais, o equivalente a todo o mês de Outubro de 2006. Há pouco as entradas deste mês iam nas 53.000, o que significa que devem chegar a cerca de 56-57.000 no final do mês.

Para um blogue de um cidadão comum, de um mero professor, alguém que achou que era preciso expelir um bocado do mau feitio em forma de verbo, porque a paciência com as faltas de respeito tem limites, e que era para ser mais sobre História e acabou por ser principalmente sobre temas educativos, tem ultrapassado todas as minhas expectativas.

A parte má é que me alimentou o vício da escrita que antes canalizava em outras direcções, porque passei a sentir que tinha deixado de falar apenas para o meu umbigo. Literalmente.

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Eu já não tenho tempo nem espaço para arquivar mais papelada, mas fui sendo chamado à atenção para algumas peças interessantes saídas nas edições de fim de semana do Público.

O resultado: hoje à tarde andei na pedincha e às sobras e lá encontrei as ditas edições. Digitalizações feitas, passei o material para o Umbigo ao Quadrado, pois estou quase a esgotar o meu espaço disponível aqui do Umbigo original no WordPress e precisei de arranjar uma garagem para os arrumos.

Portanto, quem quiser aceder às prosas de Vasco Pulido Valente, António Barreto e José Manuel Fernandes, todas elas razoavelmente certeiras sobre a Educação e a Política num país porreiro do subúrbio europeu, esteja à vontade e faça o favor de clicar aqui.

Todo este trabalho porque até consigo estar bem disposto e já explico mais acima porquê.

Governo quer estimular visitas de estudo a espaços culturais próximos das escolas

A ministra da Educação anunciou hoje que estão a ser criadas condições para que as escolas possam promover visitas de estudo aos museus e espaços culturais mais próximos.

“É uma prática que muitas escolas já adoptaram, a de proporcionar aos alunos visitas a espaços de cultura, de arte ou mesmo de ciência, que importa generalizar”, disse Maria de Lurdes Rodrigues na abertura da Conferência Nacional de Educação Artística, a decorrer até quarta-feira, na Casa da Música, no Porto.

Maria de Lurdes Rodrigues não pára de nos espantar. Recordemos que se os docentes faltarem a actividades lectivas colocam a sua avaliação imediatamente em risco. Recordemos que nas visitas de estudo deve existir um ratio de 1 professor por cada 10-15 alunos. Recordemos que as turmas podem ter 28 alunos. O que implica pelo menos dois docentes nas visitas, por cada turma.

Portanto, se as visitas implicarem uma deslocação de algumas horas e se envolverem mais de uma turma – racionalização do custo dos transportes – há que pedir a colegas do Conselho de Turma que acompanhem a visita. Mas esses colegas podem ter outras aulas, com outras turmas, nesse dia. E deverão deixar planos de aula e actividades para as aulas de substituição. Mas, mesmo assim, devem repor as aulas não dadas, por causa daqueles parâmetros da avaliação que penalizam a falta a actividades lectivas.

Logo, cada visita implica trabalho a triplicar: acompanhar a avtividade, preparar as aulas de substituição e repor as aulas. Portanto, e como o ME anda muito simpático e todos andamos felizes por trabalhar mais pela mesma remuneração, os voluntários para o sacrifício são poucos. Tudo o que eram visitas que permitissem aos alunos saírem do seu ambiente normal estão comprometidas.

Por pura e simples responsabilidade do ME. Que agora tenta esconder as consequências dos seus actos impensados. A tal coisa dos efeitos perversos de medidas muito “boas”. Excelentes mesmo. Para todos, menos para os interessados. Que são os alunos, por acaso.

Espero há que tempos pelo protesto da Confap, sobre o prejuízo que isto implica para as zonas onde os alunos já menos recursos têm, mas em vão.

Por isso, estas declarações de MLR apenas procuram apontar o óbvio: ou as visitas se fazem ao lado da Escola ou vão tender para a inexistência.

O que MLR queria dizer ao afirmar que o Governo está a “criar condições” para essas visitas de proximidade, mais não é do que confessar que, quem fizer outras, acaba penalizado.

Não há que mascarar os factos com peneiras de má qualidade. Porque devem existir limites para a hipocrisia. Mesmo na vida política. Mesmo na triste vida política que vivemos, onde como António Barreto onde sublinhava, a inverdade, a omissão ou apresentação parcial dos factos se tornaram comuns, porque passam impunes e se transformaram num modo de vida. Com os exemplos a virem do topo da hierarquia.

Título de post muito descritivo, mas para chamar a atenção para o essencial, ou seja a produção do prometido relatório nacional sobre as provas de aferição que, estranhamente, o ME mantém em ambiente com acesso reservado aos Conselhos Executivos. O normal seria que os relatórios de cada escola estivessem dessa forma, mas o Relatório Nacional não.

Mas como os amigos do Umbigo são muitos, já podemos desfrutar da peça descritiva que, após três meses, pouco passa da agregação das tabelas feitas pelos professores-classificadores e pelas Unidades de Aferição (ver relatório que alguém gentilmente me enviou no fim de semana: afer.pdf).

Do documento pouco se consegue extrair directamente em termos substantivos, embora uma leitura dos resultados obtidos por competências específicas não deixe de susitar algumas perplexidades, conforme o quadro-síntese seguinte.

 

Ora bem em Língua Portuguesa acontece uma coisa estranhíssima. Nas competências da Leitura e Expressão Escrita os resultados são quase equivalentes entre 1º e 2º CEB. Mas no Conhecimento Explícito da Língua a queda é brutal e de mais de 50 pontos (de 64% vpara 11,5% de acerto).

Se nos lembrarmos de toda a confusão em redor da aplicação da TLEBS encontramos uma das origens para a desorientação de alunos e docentes em matéria de ensino-aprendizagem da gramática, pois o que era deixou de ser, mas muito tarde e, em vários caso, foi necessário voltar atrás e refazer percursos.

Mas isso não pode explicar tudo, visto que a parte relativa a esta competência fugiu, previsivelmente, às matérias mais controversas. Resta, portanto, perceber porque no 1º CEB o conhecimento explícito da língua é a competência com maior taxa de acerto, enquanto no 2º CEB os resultados são miseráveis.

Será que foi da forma como as provas foram elaboradas? Se eu fosse ingénuo iria por esse caminho.

Será que os professores do 2º CEB são uma cambada de incompetentes? Se fosse do ME optaria por essa hipótese.

Como sou docente de Língua Portuguesa, tendo acompanhado o processo todo, tenho algumas outras ideias sobre o assunto, até por testemunhos directos. Só que não gostaria de generalizar o que, por enquanto, são casos particulares.

Agora quanto à Matemática como é possível que, no caso do 6º ano, os resultado das competências específicas mais básicas (Geometria, Números e Cálculo) os resultados sejam bem piores do que em competências que, teoricamente, implicam o domínio daquelas (Estatísticas e Probabilidades, Álgebra e Funções)?

Isso seria o equivalente a alguém que, não percebendo muito bem o que são e quais são os órgãos internos do corpo humano, depois soubesse descrever muito bem o aparelho digestivo, respiratório e reprodutor, explicando correctamente o seu funcionamento.

Ou que não sabendo bem o que é uma planta ou animal, depois compreendesse claramente as suas espécies e sub-espécies. Os exemplos podem não ser muito bons, mas dá para compreender a ideia.

Pelo que ouvi a muitos colegas, algo passou tanto pelos critérios da prova, como da sua posterior classificação, que foi progeredindo no sentido de um desajustamento facilitador em relação a certas questões, para limitar os danos nos resultados finais.

Mas posso estar a ler isto tudo mal e, afinal, tudo isto ser natural e lógico.

Só que, lá está, em parte as ideias de Nuno Crato sobre a inexistência de critérios fiáveis e homogéneos de ano para ano, de exame e prova para exame e prova, deixam-nos sem perceber a exacta origem destes fenómenos anómalos.

E claro, para além disso, existem ainda outro tipo de anomalias. Mas essas, pois, são complicadas.

A certa altura não há paciência para aturar as opiniões dos especialistas que passam pela trindade Universidade-ME-CNE ou outro organismo deste tipo (IIE, por exemplo). Porque ficamos sem perceber se a realidade que observam é a mesma e se qualquer delas é a nossa, a que enfrentamos no dia a dia.

Domingo, no Público (sem link), Júlio Pedrosa, um daqueles efémero Ministros que passaram pela 5 de Outubro para abrilhantar o currículo, dá uma entrevista que em alguns momentos bordeja o surreal – pelos vistos a CNE não tem estudos nem uma ideia clara sobre o que são os rankings escolares, vantagens e inconvenientes – enquanto em outros se mantém à tona e até entra em choque com a vulgata valteriana-rodriguista para o Ensino Básico.

Sabemos que a política do ME em matéria de formação de professores e organização do Ensino Básico visa a criação de um professor generalista para os primeiros anos de escolaridade, para atenuar o aparente trauma da transição de 1 para cerca de 8 docentes.

A solução valteriana é a de reduzir o número de docentes nos anos correspondentes ao actual 2º CEB. Ora Júlio Pedrosa parece pensar exactamente o inverso, com base na sua observação dos exemplos de sucesso:

Um dos [problemas] que diagnosticámos é que a transição entre o professor único do primeiro ciclo do básico para os vários das numerosas disciplinas do segundo ciclo, o 5.º e 6.º anos, cria muitos problemas.
No sector privado, essa transição tende a ser mais gradual, porque em muitas escolas já há vários professores no primeiro ciclo do básico…

Interessante. Portanto, a ideia será a de alargar o número de docentes no 1º CEB para a transição ser mais gradual? Parece óbvio!

Não. Alguma coisa tocou no cérebro de Pedrosa, lembrando-o que não deve ir contra a política governamental, e o que diz ele em seguida é:

Deve pensar-se se faz sentido existirem tantas áreas do segundo ciclo do básico.

Pois… Parece que afinal a lógica deu um torcicolo e em vez de sugerir a criação de um 1º CEB com 2-4 docentes por grandes áreas e depois ter um 2º CEB intermédio com 5-8 docentes, a ideia é empobrecer o currículo para reduzir o número de docentes no 2º CEB (o objectivo vai mesmo ser eliminá-lo), quando mesmo antes de afirmava que as boas experiências eram em outro sentido.

Com especialistas assim, quem precisa de opinadores mal fundamentados e incoerentes?

Um golpe de mágica: faltar à escola e continuar na escola.Ao permitir que os alunos que excedam o máximo de faltas injustificadas não percam o ano, o ministério é capaz de resolver o problema do abandono escolar. É que passa a contar como estando presente, quem, de facto, está ausente. (José Manuel Fernandes, Público, 28 de Outubro de 2007, sem link e eu sem a edição em papel para digitalizar)

Pois, pois, pois. Mais um que despertou para a realidade dos factos só quando eles tomam a forma de lei. Mas será que isto não se adivinhava desde o início? Ou será que apenas se sentiu aborrecido porque o ME furou os planos habituais do Público em ser o primeiro a divulgar um ranking de escolas?

Será que José Manuel Fernandes, naquele seu afã de liberal neófito, chegou a pensar que este ME estava a fazer alguma coisa pela Educação quando afirmava que ia flexibilizar, dar mais autonomia, etc, etc? Achava ele que zurzir nos professores, por via do estatuto, era algo mais do que uma manobra orçamental sem qualquer substância para a qualidade do sistema de ensino?

E será sequer correcto afirmar que estas medidas resolvem o problema do abandono escolar? Ou limitam-se a escondê-lo?

ACORDEM! 
DOIS ANOS E MEIO JÁ É TEMPO MAIS DO QUE SUFICIENTE.

Os relatórios sobre as provas de aferição de 2007. Amanhã vou saber se já recolheram o do meu agrupamento, mas se alguém tiver acesso, pode sempre ir satisfazendo a minha curiosidade, pois a minha base de operações é conhecida.

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