Porque é quase impossível deixar de comentar o episódio passado com Santana Lopes na Sic-Notícias a meio desta semana.

Principalmente por uma razão: se nos abstrairmos de que é o mesmo homem que, na fase de presidente do Sporting, andou atrás do treinador de futebol Carlos Queirós e que, quando Primeiro-Ministro, se rodeou de um bom leque de ineptos e ineptas (alguém já se esqueceu das sempre descontraídas declarações da tia Maria do Carmo?), se nos esquecermos de tudo isso – eu sei que é muito, mas com o dinamismo da nossa vida política tendemos a esquecer rapidamente as desgraças logo que surgem outras maiores – acabamos por achar que Santana Lopes dá sinais de se poder vir a tornar uma reserva moral do nosso regime.

O que é um pensamento aterrador.

Quase tão aterrador como o panorama em que vive o PSD, desde os nano-candidatos actuais aos nano-proto-candidatos que se querem perfilar para o pós-2009 (do inenarrável Morais Sarmento ao pretenso génio António Borges).

Mas nos últimos 25 anos foi apenas a segunda vez -a primeira foi em 1985 com o Hermínio Martinho – que vi um político, consciente e voluntariamente, bater com a porta em directo em plena emissão televisiva.

E sabe sempre bem. Mesmo se a probabilidade de voltar a acontecer durante a minha vida é pouco superior à de eu estar por cá quando passar de novo o cometa Halley.