Porque é quase impossível deixar de comentar o episódio passado com Santana Lopes na Sic-Notícias a meio desta semana.
Principalmente por uma razão: se nos abstrairmos de que é o mesmo homem que, na fase de presidente do Sporting, andou atrás do treinador de futebol Carlos Queirós e que, quando Primeiro-Ministro, se rodeou de um bom leque de ineptos e ineptas (alguém já se esqueceu das sempre descontraídas declarações da tia Maria do Carmo?), se nos esquecermos de tudo isso – eu sei que é muito, mas com o dinamismo da nossa vida política tendemos a esquecer rapidamente as desgraças logo que surgem outras maiores – acabamos por achar que Santana Lopes dá sinais de se poder vir a tornar uma reserva moral do nosso regime.
O que é um pensamento aterrador.
Quase tão aterrador como o panorama em que vive o PSD, desde os nano-candidatos actuais aos nano-proto-candidatos que se querem perfilar para o pós-2009 (do inenarrável Morais Sarmento ao pretenso génio António Borges).
Mas nos últimos 25 anos foi apenas a segunda vez -a primeira foi em 1985 com o Hermínio Martinho – que vi um político, consciente e voluntariamente, bater com a porta em directo em plena emissão televisiva.
E sabe sempre bem. Mesmo se a probabilidade de voltar a acontecer durante a minha vida é pouco superior à de eu estar por cá quando passar de novo o cometa Halley.
Setembro 28, 2007 at 10:12 pm
Lembro-me de outra oportunidade em que Santana Lopes deveria ter saido, mas nessa altura não o fez. Num programa de inconfidências de uma acompanhante de hotel em Cascais. Talvez tenha amadurecido um pouco. E já consegue divertir-nos. É um progresso.
Setembro 28, 2007 at 11:11 pm
[...] Eu Queria Evitar, Mas a Diversão É Mais Forte « A Educação do meu Umbigo [...]
Setembro 29, 2007 at 12:48 am
Santana Lopes nos congressos do “PPD/PSD” (ouvir dito com a irritante voz elefante bébé de Santana Lopes) a sair intempestivamente em birras de Chico-Esperto, e depois a voltar passados 5 minutos, estúpida e pateticamente.
Santana Lopes nos congressos do “PPD/PSD”, com o braço por cima da Cinha, no bar, no meio do povoléu, copo na mão, a dizer para a tv que “se o Chico cá tivesse isto não se passava assim”.
O Chico! O Chico!
Santana lopes passadas duas horas no duche cm Cinha a tirar o cheiro a povoléu.
Santana Lopes a gastar hora e meia de Os Donos da Bola a “indignar-se” porque chamaram aos participantes do “painel”, paineleiros. E ele “tem filhos”… Tadinho! Que senhor tão sério!
Santana Lopes a receber umas massas valentes para comentar em Os Donos da Bola. Há que fazer pela vida…
Cinha Jardim lá posta a seguir por cunha de Santana. E a não dar uma para a caixa. Claro.
Santana Lopes a visitar o Presidente da República para lhe comunicar (!) que vai abandonar a vida política. Por causa de no Big Show Sic terem apresentado um quadro com um personagem chamado Santana Copos!!!
Santana lopes nos copos, na noite lisboeta, cambaleante a olhar para a pista e a decidir que gaja vai sacar.
Santana Lopes no Cruzeiro da Caras, com uma fita vermelha na cabeça, a olhar para a câmara da tv em silêncio, com aqueles olhos de carneiro mal morto que tanto enlouquecem as preciosas da linha do Estoril.
Santana Lopes semanalmente nas páginas da Caras. E da VIP, e da Olá, e da Maria e de todas essas publicações circunspectas e focadas na necessidade de o país “andar para a frente”…
Santana Lopes no programa A Cadeira do Poder, em que se simulava ser Primeiro-Ministro.
Santana Lopes Primeiro-Ministro com uma fitinha da sorte no pulso, especial feita por um mago joalheiro não sei de onde…
Santana Lopes a promover tias amigas a porta-vozes.
Santana Lopes a alimentar o tabu de se candidatar ou não à presidência do “PPD/PSD”.
Os jornalistas atrás dele como cães a um osso e ele a sorrir-se todo toleirão e dizer “Deixem-me ir almoçar!…”.
Santana Lopes Secretário Distado da Cultura a falar dos violinos de Chopin…
Os violinos de Chopin, a pála do Sporting, a Cinha Jardim.
Santana Lopes a presidente do Sporting em declarações à tv a dizer que com ele se acabavam os pagamentos aos árbitros no Canal Caveira.
Santana Lopes a ser corrido de presidente do Sporting por manifesta incompetência.
Santana Lopes presidente da Câmara da Figueira da Foz, a vender areia da praia para compensar o buraco que fez nas finanças do município.
As peixeiras todas contentes porque com Santana se falava mais da Figueira na televisão.
Os desastres urbanísticos e a especulação imobiliária promovida por Santana Lopes na Figeuira da Foz e em Lisboa.
Santana Lopes e os outdoors a dizer Lisboa Feliz.
Santana Lopes a realizar o mundialito de futebol de praia na Figueira, ponto alto do seu mandato.
Santana Lopes pela enésima vez a convocar a Imprensa para comunicar que vai deixara política.
Santana Lopes a não deixar a política e a NUNCA manifestar uma única ideia política, limitando-se eternamente a discursos do tipo “estão contra mim, mas não mostram a cara, não sou paineleiro, etc., etc.”.
O povoléu a aplaudir Santana Lopes em delírio, entre couratos e mines. Santana e a tia com que esteja casado na ocasião a sorrirem e todos areepiados com o pivete.
Santana Lopes a deixar fugir o cão, o cão a ser aropelado e a destruir um pára-brisas de um carro, e Santana a fazer valer os seus conhecimentos de advocacia para se recusar a pagar os danos.
Porque tecnicamente um cão que é atropelado e vai pelo ar é considerado um fenómeno atmosférico como o granizo.
Santana Lopes a deixar uma entrevista a meio e a ser de novo adorado pelas multidões.
Para mi, Santana, sempre foste e serás o maipor palhaço do país. Quiçá do mundo!
Setembro 29, 2007 at 12:52 am
Quiçá não. O maior palhaço do mundo, sem dúvida!
Setembro 29, 2007 at 8:40 am
O Amigo das Pastilhas está mesmo com azia.
Até um palhaço pode ter um acto de dignidade numa situação em que outros não teriam coragem para tal.
A isso chama-se “preseça de espírito”, “réstea de integridade”, “tomates de palhaço” ou o que lhe queiramos chamar.
Setembro 29, 2007 at 9:31 am
O lado clown do Santana quase sempre foi assumido.
Lembremo-nos de algumas passagens televisivas como a do célebre programa do Albarran.
O problema é quando ele se esquece disso e pensa que é só homem sério de Estado.
Na mesma área política – e apesar de não ser a minha – Sarkozy é o que faz presentemente a melhor aliança entre essas duas facetas.
Ele é um Santana mais tudo o que Santana não tem.
Setembro 29, 2007 at 10:05 am
Azia? O H5N1 sabe do que fala, pois nunca se lhe viu um comentário que não fosse para contrariar. Vive enjoado, como se alguém estivesse permanentemente a segurar um penico cheio de dejectos por baixo do seu nariz.
Eu não ando sempre enjoadao, mas fico sempre enojado com o Santana Lopes, um indivíduo opaco, incapaz de ter uma atitude desinteressada. Um cretino ignorante, que retrata bem a indigência da classe política portuguesa do pós 25 de Abril. Digo e repito: é o maior palhaço do planeta Terra, quiçá da Via Láctea.
O H5N1, que gasta a sua azia toda com Álvaro Cunhal, possivelmente também sucumbiu ao charme do Pedro. “O amor é louco, não façam pouco, dessa loucura…”. Ou então são apenas as semelhanças que o atraem.
Amigo Paulo,
Concordo sempre consigo e esta é a excepção que confirma a regra. O Pedrocas, indignado com a indignidade, faz-me lembrar a mosca que estava a comer cócó, encontrou um cabelo e ficou agoniada
Setembro 29, 2007 at 11:34 am
Setembro 29, 2007 at 9:03 pm
Parasita,comedor,incompetente,gastador do erárario público,troca tintas, engatatão de 3ªcategoria, enfim, um dos maiores nojos após o 25 de Abril, quiçá do séc.xx
Setembro 30, 2007 at 8:29 am
Eu acho que ele fez muito bem Aliás, ter-me-ia levantado no momento em que interromperam a emissão e ido embora. A jornalista que se justificasse.
Detesto a mania que este país tem que o futebol é a coisa mais importante que temos…
Setembro 30, 2007 at 9:43 am
O sr. Santana Lopes foi dos que mais andou a alimentar a relacao entre a “besta” (como diria o Pacheco Pereira) do futebol e os politicos.
Agora rebenta-lhe o Jose Mourinho a meio da entrevista,nao gosta e vem dizer que ” o pais esta doido” e que ” as pessoas tem de aprender”, num perfeito sacudir da agua no capote.
Algo semelhante se tem passado com a Educacao…
Setembro 30, 2007 at 10:06 am
“O engraçado é que, num ápice, Santana blasfemou contra as supremas divindades nacionais: a televisão e o futebol. E os portugueses, em geral atentos e venerandos face a ambas, correram para os blogues e os fóruns “on line” a exaltar Santana, que fez uma carreira à custa das câmaras e da bola, e que acabou a noite como um herói de facto improvável e muito português.”
Disse o Miguel Sousa Tavares, e excepcionalmente concordei com ele.
Setembro 30, 2007 at 6:14 pm
Temos de concordar que subiu na nossa consideração.
Fez muito bem.
Outubro 1, 2007 at 10:22 am
Quando se erra, é-se penalizado, quando se acerta, só porque se errou para trás, é-se penalizado… A condenação quando ela é devida, a recompensa quando é merecida. De facto, o país a caminhar para o abismo porque se diz que a oposição é fraca e despojada de ideias, e uma entrevista que cada um deveria interpretar seguindo linhas de pensamento ininterruptas de apoio ou repúdio, é interrompida para ver a chegada de um milionário que, concorde-se ou não, foi despedido por (in)competência (não que concorde, mas não se despedem(!) pessoas competentes…) que viu a sua carteira recheada com um autêntico atentado à pobreza portuguesa. Também isto deve ser motivo de análise por parte de quem tanto critica quem criticou. Podemos olhar para o lado, mas se o país abrir falência, o Senhor Mourinho não o vai comprar nem lhe vai dar o salário e a comida que precisa para alimentar e vestir os seus filhos. Por isso é que Portugal está no abismo que está, já ninguém consegue distinguir o essencial do acessório!
Outubro 1, 2007 at 10:19 pm
Ninguém está a aplaudir o Mourinho, amigo Jimcoma. O Santana é que não tem autoridade moral para se indignar com a interrupção, sendo um demagogo, um rebalda e um trafulha como é.
Um exemplo: se o Zézé Camarinha aparecesse a dizer que é foleiro ser-se gabarola, acha que alguém o levaria a sério? Só se tivesse mudado radicalmente. Acho mais provável o Camarinha passar a ser feminista do que o Santana passar a ser honesto.