De acordo com o Público (ver post abaixo) e o Jornal de Notícias a Ministra está feliz com a diminuição do abandono escolar. Entretanto, na Sic-Online leio:

Abandono escolar aumenta em Portugal

Cerca de 40 por cento dos jovens saíram da escola sem o 9º ano

O abandono escolar rondou os 40 por cento durante o ano passado, quase o dobro da União Europeia. É um aumento que revela o fracasso da políticas preparadas especialmente para manter os alunos na escola durante mais anos.

E depois leio o DN por sugestão do FTrindade e encontro:

Abandono escolar agravou-se em 2006

As políticas de combate ao abandono escolar não estão a funcionar. Em 2006, Portugal não só não conseguiu reduzir essa estatística negra do sistema de ensino, como assistiu mesmo ao seu agravamento: a percentagem de jovens que saíram precocemente da escola e cujo nível de estudos não ultrapassa o 9º ano de escolaridade subiu de 38,6%, em 2005, para 39,2%.

Penso logo que isto é qualquer erro de comunicação entre o centro de informações do ME e os órgãos de comunicação social pois estas são notícias recentes e vou ao site oficial dos números, mas de pouco me serve. Os dados coligidos só chegam a 2003-04, que são os que eu já tenho em papel.

Entretanto, em estudo do Observatório do Emprego e Formação Profissional sobre os Aspectos Estruturais do Mercado de Trabalho, com dados coligidos até ao passado mês de Março pode ler-se (p. 9) que o abandono escolar diminuiu de 46,6% para 39,2%, sendo que esse valor já estabilizara desde 2003 um pouco acima dos 39% (mais detalhes neste documento do Eurostat, em especial p. 10, com os dados de 2004). Significa isso que nos últimos anos (2003-2006), os ganhos antes conseguidos tinham deixado de progredir, sendo que – a ser verdade o que apressadamente MLR surge a afirmar - apenas se retoma em 2007 um ritmo perdido nos anos anteriores dos governos de Durão e Sócrates.

Espero que o aparente ganho próximo de 3% verificado em 2007 seja para manter, em termos reais e não apenas cosméticos (será que são dados preliminares e depois descobre-se que afinal havia um pequeno erro de cálculo?). Mas gostava sinceramente que tais valores fossem apresentados de forma consultável e não apenas como número geral, usado como o do aumento dos alunos matriculados apenas quando interessa, mas logo abandonado quando se trata de justificar a desnecessidade de professores, como aconteceu no início desta semana (mais aqui).