Student-teacher ratio
This shows the number of students per full-time equivalent (FTE) teacher. A low student-teacher ratio is not the same as a small class size. Some schools have teachers who teach specialized subjects with smaller classes. Other schools hire extra teachers to free up class preparation time for their core teaching staff. Both of these possibilities lower the overall student-teacher ratio but not the average class size.
Note that student-teacher ratios based upon FTE teachers can be exceedingly high for schools that have a large number of part-time teachers. If, for example, a small school has four part-time teachers at 25%, the student-teacher ratio at this school would be calculated based upon one teacher instead of four (because four teachers at 25% is equal to one full-time teacher). This in turn will make the student-teacher ratio appear higher than it really is. If your school has an exceptionally high student-teacher ratio, check with your school principal for an explanation.Fonte: National Center for Education Statistics (EUA)
Student/Teacher Ratio
(…)
This indicator does not take into account the quality of teaching or teacher qualifications. It also does not account for the curricula that are taught to our children. The indicator includes classes that have different types of teachers, such as special education and counseling, which are more prevalent in some schools. A better indicator would account for these differences and represent typical general education class sizes.Data Source: NJ Department of Education
Setembro 3, 2007 at 6:23 pm
Red alert: este post pode induzir as pessoas em erro. As estatísticas são úteis em mais de 50% dos casos. E isso é bom, mesmo que seja em 51% dos casos, porque já revela uma certa tendência de utilidade…
Já a estratégia alternativa, o chamado “parece-me que” não consegue passar dos 50% de sucesso. Mais precisamente, 50.0 % de sucesso.
Setembro 3, 2007 at 6:27 pm
Nada de truques baixos.
Este post não visa atacar a utilidade das estatísticas, mas sim o uso selectivo de indicadores de acordo com as conveniências ou então a sua utilização de forma descontextualizada.
Porque eu tenho uma bateria de quadros que renovam uns que useu há um ano atrás, quando a senhora Ministra fez a anterior investida retorcendo os números ou usando-os à la carte.
Setembro 3, 2007 at 6:44 pm
Neste caso em particular, o ratio é útil. Na hora de escolher uma escola prefiro ter acesso a esse ratio. Por mais excepções a que esteja sujeito é um excelente indicador.
As excepções são sempre as velhas aliadas dos anti-estatísticos.
Os “anti-estatísticos” são também conhecidos como a brigada da meia-galinha. Trata-se de uma religião bastante praticada em Portugal.
Setembro 3, 2007 at 8:56 pm
Réplica a Manyfaces:
Que se levante o primeiro que encontrou uma escola com mais de uma turma onde cada uma das turmas tenha sete alunos.
Setembro 3, 2007 at 8:59 pm
Ouvi a ministra dizer que no secundário o rácio aluno/professor era 7. Pensei então que como durante estes anos todos eu tenho arcado com mais de 50 alunos/ano, devem existir professores com um número negativo de alunos. Devem ser anti-alunos.
A ministra não estava a falar para professores que por mais incompetências matemáticas que tenham ainda sabem com quantos alunos têm de alombar. A ministra falava para a população, que ela diz que ganhou, e esse povo vai olhar para os professores do secundário e concluir mais uma vez que são um bando de mandriões.
Setembro 3, 2007 at 9:17 pm
Ó ManyFaces, não queria dizer anti-histamínicos? Assim talvez a sua arenga faça sentido. Até lá, indique-me onde é que há turmas de 11 alunos.
Setembro 3, 2007 at 10:07 pm
Daqui a pouco e com jeitinho é 1 professor por aluno… Façamos de conta que os 45.000 desempregados foram colocados pelo ME e vão ver se eu não tenho razão… Ah esperem lá e o ratio professor/professor titular é qual? Como se diria em inglês? Teacher-TitleTeacher ratio? ih ih ih…o meu inglês técnico está pelas ruas da amargura, ajudem-me lá…
Setembro 3, 2007 at 10:07 pm
MFaces, neste caso o indicador que interessa é o da dimensão me´dia das turmas e mesmo essa tem que se lhe diga.
Porque eu posso ter turmas de 20 e tal e turmas de 12, dependendo do estatuto das ditas.
O ratio neste caso pode ser pouco útil.
E eu até tenho aqui os livrinhos do ME que servem para desmentir o cenário traçado pela ministra que, como de costume, usa o que lhe interessa.
Dizem que a política é assim e por isso mesmo é que eu não gosto dela.
Setembro 3, 2007 at 10:30 pm
No 3º ciclo são frequentes os conselhos de turma com 15 professores e até mais, para turmas de 20 e picos alunos o que por si só é um indicador que revela que os números da dita não estarão muito longe da verdade.
Impressionante, verdadeiramente impressionante, é como uma classe que maioritariamente tem razões de queixa da dita, perde por completo a razão com alguns dos argumentos apresentados nos comentários deste post. Eis um exemplo:
“Ouvi a ministra dizer que no secundário o rácio aluno/professor era 7. Pensei então que como durante estes anos todos eu tenho arcado com mais de 50 alunos/ano, devem existir professores com um número negativo de alunos. Devem ser anti-alunos.”
Na defesa da minha saúde mental,espero este ano lectivo não ter nenhum aluno com uma capacidade intelectual inferior a este “professor?”…
Setembro 3, 2007 at 10:36 pm
Obviamente que toda esta encenação tem em vista lançar a confusão nas mentes da maior parte da população, que diga-se, está verdadeiramente a leste do que se passa e come acriticamente o que lhe dão. Cheira-me a nova investida sobre o professorado a breve trecho.
A táctica é conhecida: lançar uns números descredibilizadores da classe docente, segue-se o pessoal do “spin” na comunicação social a ampliar, e os comentadores da praça pagos como deve ser.
Depois vem a marretada!
Estes tipos já METEM NOJO!!!
Mentem descaradamente! E nem temos uma comunicação social digna desse nome, verdadeiramente livre e independente!
Valham-nos os blogs e o passa-palavra.
Acho que estamos a caminhar a passos largos para o “antigamente”
Setembro 3, 2007 at 10:51 pm
jm,
Certamente perceberá que a ironia da observação não equivale a inferioridade mental.
Não conheço pessoalmente ou tenho procuração para defender o CPereira, mas acho que essa sua observação não será a mais justa possível.
Assim como certamente perceberá que Conselhos de Turma desses, com LEI, LEII (para Francês e Inglês a dobrar), mais as opções de ET ou EM, por vezes Estudo Acompanhado ou Tutorias entregues a quem nem lecciona outras disciplinas, etc, etc, nada trazem de útil ao sistema de ensino, pulverizando a estrutura disciplinar e não ensinando mais do que muito pouco de muita coisa dispersa.
Organize-se o currículo de forma coerente e certamente se ultrapassarão essas situações.
Setembro 3, 2007 at 10:52 pm
Para bem da saúde mental dos seus alunos espero que o jm faça um curso intensivo de senso de humor. É que não há pachorra para aturar gajos que têm a mania que são sérios e acham que só eles é que sabem matemática.
Setembro 3, 2007 at 11:23 pm
Uma coisa é humor, ironia e inteligência na argumentação. Outra completamente diferente é manipulação de números, e nesse campeonato (que a classe tem por vezes infelizmente jogado) eu não entro.
Dividam o número de alunos das vossas escolas pelo de professores e digam-me a que resultados é que chegaram.
Repito que o cerne da questão não é o o rácio apresentado pela dita, a questão é a aversão que ela tem aos professores e que tem prazer em demonstrar.
“Assim como certamente perceberá que Conselhos de Turma desses, com LEI, LEII (para Francês e Inglês a dobrar), mais as opções de ET ou EM, por vezes Estudo Acompanhado ou Tutorias entregues a quem nem lecciona outras disciplinas, etc, etc, nada trazem de útil ao sistema de ensino, pulverizando a estrutura disciplinar e não ensinando mais do que muito pouco de muita coisa dispersa.”
Paulo,100% de acordo, mas não deixa de ser verdade que são horas para muita gente, e que na hora de fazer o rácio tudo é contabilizado.
Setembro 3, 2007 at 11:30 pm
A questão do ratio professor- aluno já é velha e assume. quase sempre, os mesmos contornos: os professores clamam que têm turmas com muitos alunos e o ministério responde com um ratio de 7 ou 8 alunos por professor! A Explicação é simples: para o ME os professores que não dão aulas, os apoios educativos,os horários incompletos, os incapacitados,… todos contam! Logo o ME fala do ratio de professor alunos no global e os professores falam do ratio “professor que trabalha com alunos na prática” o que explica a grande diferença entre os números do ME e a realidade que sentimos diariamente nas escolas. O Post está excelente ao chamar a atenção que um ratio baixo não significa necessariamente turmas pequenas.
Um Abraço a todos
Setembro 3, 2007 at 11:51 pm
No meu 1º comentário chamei atenção para uma leitura que o público (a gente que a ministra conquistou) poderia ter. Felizmente sei matemática suficiente para calcular o rácio de que aqui falamos.
Friso que quando a Mª de Lurdes Rodrigues afirma que o rácio secundário ainda é mais baixo no secundário do que no primeiro ciclo, ela puxa para essa leitura porque no 1º ciclo afirmar que o rácio aluno/professor é de 11 significa que cada professor tem em média 11 alunos. Para mim isto é manipulação manhosa da ministra e contra isso o melhor é responder: És fina mas não caças ratos.
Setembro 4, 2007 at 12:17 am
Cá voltei. Férias acabadas.
O Nando coloca bem o assunto. Nas contas da ministra entram todos, quer os que estão realmente nas aulas com os alunos quer os que, por variadíssimas razões, não estão.
E há encapotado nos milhares que vão ficar de fora outro problema: regressaram às escolas não sei quantos professores – alguém sabe quantos? – que durante anos(10,14, 18…) estiveram com funções de funcionários públicos ou outras.O ratio este ano altera-se, sem dúvida. Uma “mobilidade” discreta, sem alarde.Para o público, o alarme dos que ficam sem emprego aparece como habitual nesta altura do ano.
Setembro 4, 2007 at 7:06 am
Full Time Equivalente (FTE) não parece ser um conceito demasiado complexo. Se a turma tem 30 aulas semanais (é só para exemplificar), e um professor com 22 horas poir semana já tem um horário completo, o racio é de 30/22 aprox igual a 1.36, independentemente de o Conselho de Turma respectivo ter 15 ou 150 professores. O que fica expresso quando se usa o FTE é a quantidade de recursos de trabalho do Ministério utilizados por aquela turma.
Se, por exemplo, essa turma tiver uma disiplina com uma hora semanal dada por um professor só para essa disciplina, esse professor – nessa turma – valerá 1/30 FTE aprox. igual a 0,03.
Setembro 4, 2007 at 7:17 am
E nunca nos esqueçamos que os professores por cá fazem tarefas administrativas que em muitos outros lados são feitas por pessoal de outro tipo, assim como são contabilizados como professores os colegas que desempenham funções de apoios e não só que lá fora são atribuídas a psicólogos, assistentes sociais, etc, etc.
Daó talvez tenhamos este racio muito elevado, mas depois tenhamos 1 psicólogo por 600 alunos.
Setembro 4, 2007 at 8:40 am
Se escolher a turma mencionada por jm como paradigma nacional, não poderei ser acusado de facciosismo. Simplificando:
1) O país só dispõe de turmas com 20 alunos, cada uma delas consumindo 1,36 FTE’s e com conselhos de turma de 15 professores.
2) Todos os 15 professores ganham o mesmo.
Coloca-se à Ministra o seguinte dilema. Qual o racio a apresentar ao público: se disser 20/15, dará 1 professor para cada dois alunos, o público ouvinte ficará estarrecido com semelhante qualidade de assistência aos alunos e louvará o esforço financeiro do Ministério da Educação; se, pelo contrário, disser 20/1.36 aprox igual a 14,7 estrá mais próximo de exprimir o esforço financeiro do Ministério.
Todos sabemos qual foi a opção tomada. Face a ela, surge como incomporeensível o anátema de anti-estatistas lançado por uma pessoa inteligente como o engenheiro Manyfaces, que não acredito que não use FTE’s de engenharia para gerir os recursos de trabalho que estão na sua dependência.
Setembro 4, 2007 at 8:45 am
Correcção:
Se, por exemplo, essa turma tiver uma disiplina com uma hora semanal dada por um professor só para essa disciplina, esse professor – nessa turma – valerá 1/22 FTE aprox. igual a 0,045. (comentário 18).
Setembro 4, 2007 at 11:11 am
Já postei por aqui várias vezes sobre estatísticas de educação e as minhas premissas e métodos de análise são sempre os mesmos. Quem se quiser dar ao trabalho de confirmar que faça um google search por aí no Umbigo…
Não comento estatísticas do ME ou de instituições sob sua alçada. São parte interessada e não idónea. As fontes relevantes têm de ter independência mínima. Por isso vale a pena olhar para os dados da OCDE, mesmo que em relação a esta haja sempre os conspirativos que acham que até esta fonte é pouco idónea. É a tal brigada da meia-galinha que tem horror a estatísticas…
Voltando à OCDE, o famoso relatório de Education at a Glance 2006, tem secção dedicada a este tema (indicador D2). Podem ver as estatísticas para o tamanho médio das turmas e para o ratio aluno Professor (gráficos D2.3 e D 2.4):
http://www.oecd.org/dataoecd/6/46/37344912.xls
Em todos os indicadores estamos confortavelmente
instalados na média (ou abaixo da média) para estes indicadores. Há até casos em que estamos nas melhores posições do ranking. Destaco o tamanho médio de turma e ratio aluno/professor na primária em que só temos 2 Paises à nossa frente…
Colocados os números na mesa, com a vantagem destes serem comparativos, dando-nos uma visão de onde estamos em relação aos outros, a pergunta que me assalta é a seguinte: afinal quem tem medo destes números e qual a razão pela qual são sistematicamente ignorados ou adulterados por ambas as partes da contenda? Não é só o Ministério que faz baixa política com as suas versões deste números. Neste caso concreto (e não estou a generalizar) o outro lado da barricada faz política ainda mais rasteira, por ser verdade que os indicadores mostram inequivocamente que estamos bastante bem nos indicadores em causa.
É curioso que esta discussão surja na mesma altura em que aparece a notícia dos 40000 Professores não colocados. Seria útil encontrar números que contrariassem as palavras da Ministra quando ela diz que os Professores não foram colocados porque não há trabalho para eles (diferença entre oferta e procura no mercado de Professores)? A verdade é que a Ministra (neste caso) fala a verdade. E não vale a pena tentar encontrar por aí evidências que contrariem este facto. Todos os indicadores, estudos e análises minimamente idóneas indicam que temos Professores suficientes no ensino Público e que não é possível absorver muito mais… Esses 40000 desempregados são um problema para o Pais na mesma medida em que o são todos os outros desempregados em outras actividades. Agora não compete ao ME funcionar com Segurança Social dos Professores, garantindo emprego artificialmente. Foi prática durante 30 anos com os resultados que se conhecem. Já chega.
Setembro 4, 2007 at 12:27 pm
Os números publicados pela OCDE são da responsabilidade dos governos que os fornecem. É certo que é feito um esforço de uniformização de critérios, contudo a estrita observância desses critérios é muitas vezes torpedeada. Já aqui notei uma vez que o Governo respondeu que o trabalho dos professores nas aulas de substituição era pago, quando, na altura, isso estava longe de acontecer. Parece que, mais tarde, após perder vários processos em tribunal, lá se dispôs a pagar pelo menos àqueles que fizeram questão disso.
Setembro 4, 2007 at 12:56 pm
MFaces, se reparar eu coloco muito a tónica na responsabilidade do ME empregar essas pessoas.
Escrevi mesmo que não tem qualquer obrigação legal ou política.
No entanto, há a responsabilidade colegial do governo delinear uma política para o Ensino Superior que não venda banha da cobra.
E não nos esqueçamos que muita desta gente já passou por cá – caso do MAriano Gago – e só vê que maçã está podree quando a lagarta deita a cabecinha de fora e se lambe, bem prazenteira.
Quanto às estatísticas, elas são importantes e seria profundamente hipócrita quem baseou parte de uma tese e outra parte das suas investigações na seriação quantitativa de dados dizer o contrário.
O que eu critico é o recorte dos dados de modo a dar uma ideia de realidade muito redutora e simplista.
Como estou entre reuniões não o posso fazer já mas, tal como MFaces já escreveu aquilo que acima escreve há uns bons meses atrás, penso voltar a incluir dados do projecto Eurydice sobre vários indicadores que o ME não divulga e espera que as pessoas não saibam pesquisar ou que o façam para atirar como tijolos.
Setembro 4, 2007 at 2:28 pm
“É certo que é feito um esforço de uniformização de critérios, contudo a estrita observância desses critérios é muitas vezes torpedeada.”
Esses malabarismos Lusos são conhecidos e a OCDE já deu mostras de estar atenta e de chamar a coisa pelos nomes quando se justifica… Abordei esse assunto aqui:
http://educar.wordpress.com/2007/02/27/educacao-mentiras-e-estatisticas/
“No entanto, há a responsabilidade colegial do governo delinear uma política para o Ensino Superior que não venda banha da cobra.”
Impedir que as pessoas se licenciem? Poderia fazê-lo, é certo, diminuindo as vagas nos cursos correspondentes. Mas esse processo tem de ser cauteloso. Não vamos impedir que alguém tire um curso para ser Professor. Há alguma regulação que pode ser feita ao nível do superior mas a porta tem de continuar aberta… Caso contrário entramos aqui num sistema de controlo absoluto pelo estado do mercado de trabalho dos Professores. Defendo alguma regulação mas nunca uma pre-determinação ou manipulação exagerada do mercado. Todos devem ter a liberdade de serem Professores se o quiserem. Muito diferente é terem o direito a emprego no estado. Há 30 anos que a tradição é essa: emprego garantido no estado. Neste caso a tradição já não é o que era e ainda bem, porque aquilo que se alimentou foi a ilusão da empregabilidade plena no estado… Isso é uma fantasia dispendiosa que durou estes anos todos.
Setembro 4, 2007 at 2:34 pm
Já agora, este post foi tão comentado e de forma tão acesa que espero que os comentários ao meu último post não se fiquem pela “estatística”. Porque eu remato com uma afirmação que espero q:
“A verdade é que a Ministra (neste caso) fala a verdade”
Setembro 4, 2007 at 2:35 pm
queria eu dizer:
Já agora, este post foi tão comentado e de forma tão acesa que espero que os comentários ao meu último post não se fiquem pela “estatística”. Porque eu remato com uma afirmação que espero que mereça comentários:
“A verdade é que a Ministra (neste caso) fala a verdade”
Setembro 4, 2007 at 3:22 pm
Segundo ManyFaces aí vêm umas horitas extraordinárias que serão pagas para o exercício de cargos, pois as horas para as actividades lectivas, como têm prioridade, foram todas postas no horário dos docentes em primeiríssimo lugar. As Direcções de Turma, os Apoios de todo o género, os projectos enfim, tudo o que é componente não-lectiva e não só, tem de ser prestado por titulares, que não chegam para as encomendas e, por isso, os ordinários irão receber por esse trabalho. Temos o ratio explicado bem como a verdade da ministra, também. Como não me apercebi disto, ManyFaces?!!! Devo ser lerdinho de todo. Graças ao desemprego de alguns (amendoins, amendoins) recebo mais uma lequitas, extra… Agora já só falta que nos descongelem… Olha se não fossem os cargos a justificar os titulares, agora isto não acontecia. Ainda bem.
Setembro 4, 2007 at 3:30 pm
A verdade é que ainda estamos a pagar o preço de ter “aberto” a escola, pondo-a “ao serviço do Socialismo”, como se dizia no Programa do MEIC (Min da Ed. e Inv. Científica) aprovado em Abril de 1975, onde se podia ainda constatar que
“a concepção revolucionária da Escola está integrada num projecto revolucionário e socialista para o país, oposto à concepção elitista e repressiva”
onde o que conta é
“a ligação íntima do ensino à prática produtiva”.
Esta ideologia continua presente nos alicerces da Nomenklatura que continua a recorrer a algumas verdades para a propaganda da política do descalabro educativo.
Se alguma coisa mudou, foi apenas a estúpida necessidade de fazer cortes orçamentais que implicaram pôr alguma ordem no desvario do ME.
Não se vislumbra nenhuma mudança de ideologia, nenhum “corte epistemológico” (homenagem a Althusser), apenas mais rigor no tratamento dos “recursos humanos”.
Setembro 4, 2007 at 3:41 pm
“Podemos todos ser professores se quisermos”, mas porque é que não podemos todos ser médicos se tivermos dinheiro para pagar o curso? Porque é que alguns cursos são extremamente regulados como pseudo garantia de qualidade e outros não têm regulação nenhuma? Os futuros diplomados têm o direito de saber quais são as melhores escolas, os melhores cursos e as saídas profissionais de cada curso a médio prazo, quer seja no sistema público quer no privado. O marketing cosmético não deve estar ao serviço da educação porque ela é demasiado séria para se prestar à demagogia neoliberal.
Setembro 4, 2007 at 3:44 pm
H5N1, não me parece que exista qualquer ligação íntima do ensino à prática produtiva, em especial no Ensino Superior, desde meados dos anos 80.
Porque devemos sempre distinguir essa concepção mais próxima do marxismo ortodoxo puro e duro com as nuances introduzidas por um neo-marxismo mais soft que na Educação se traduziu em tudo aquilo que costuma nomear (multiculturalismo, educação crítica, etc, etc), mas que, pelo contrário, acha incorrecta a estrita relação entre educação e economia.
É que embora pareça tudo igual, nem tudo o é.
Neste momento as tendências que procuram relacionar a Educação e a Economia de forma mais estreita estão bem mais perto da Direita e das concepções neo-liberais das finalidades do sistema de ensino.
Setembro 4, 2007 at 4:14 pm
Há outras condicionantes para as distorsões referidas acima. À frente delas, o insucesso nas discplinas de Matemática e Físico-Química, que afasta os alunos dos cursos de engenharia.
Setembro 4, 2007 at 4:17 pm
Flori,
Quanto ao desemprego serem amendoins, pois digo eu que muitos amendoins juntos fazem muita diferença… Quanto custaria ao estado empregar artificialmente 40000 pessoas ? Assim muito por alto, seria um valor nunca enferior a 500 milhões de Euros. É muito Euro. Aliás, o grande problema nestas discussões é que nunca se colocam números à frente das coisas. Sempre que alguém abrisse a boca com mais uma ideia peregrina para resolver este ou aquele problema devia aparecer um banner em rodapé com a info de quanto custa (tipo pop-up video). Seria pedagógico e anti-demagógico. Para alguns seria concerteza uma medida demasiado “economicista”. Afinal, “não podemos reduzir tudo a números”, não é? O problema é que por aqui a tendência não é a de reduzir tudo a números (seria um belo defeito), mas antes em reduzir tudo a paleio vago e desfazado da realidade.
Insisto:
“A verdade é que a Ministra (neste caso) fala a verdade”
Setembro 4, 2007 at 4:20 pm
A insistência já me está a fazer ranger os dentes.
O Estado não tem a obrigação de empregar ninguém.
Certo!
Mas tem a obrigação de não propagandear que devemos aumentar o nível das qualificações e depois não regular minimamente as qualificações que certifica.
E não se escusar com o argumento dos “dramatismos” e que a culpa é do gago do lado.
Setembro 4, 2007 at 4:37 pm
Caro PG,
As insistências servem para isso mesmo. Sabemos que o PG é teimoso, mas não é o único. E ainda bem porque senão isto ficava um bocado sem graça…
Setembro 4, 2007 at 5:00 pm
Ok ManyFaces, de facto se ganho dez não posso gastar onze. E sobre a importância dos número estamos falados.
-Mas por exemplo, já reparou por acaso na publicidade que o Instituto Piaget fez aos cursos de ensino durante anos. Parafraseando: “Ser Professor, profissão de Futuro”…
-Nas Universidades ditas de Novas UM, UTAD, UE, de que até sou um dos licenciados, apesar da defesa do encerramento dos cursos de ensino que fiz, quando por lá passei, respondiam os responsáveis: “Nem Pensar”, pois, é que cada aluno desses cursos entrava no orçamento…
-Nas Universidades ditas clássicas UC, UL, UP qual não foi o descanso quando viram garantidos o acesso dos seus licenciados ao ensino como saída profissional por um lado e por outro a criação das vias ensino com as pedagógicas “a martelo”, de que falou o Paulo atrás, para não perderem o espaço e o lugar no mercado de trabalho que as licenciaturas em ensino com estágio integrado estavam a ocupar!!!
-E por uma questão de pudor nem vale a pena falar das Universidades Privadas na formação de licenciados para o ensino…
E O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SÓ HOMOLOGAVA OS CURSOS, OS PLANOS CURRICULARES E MAIS NADA. Regulamentar e inspeccionar o cumprimento das regras, a 5 de Outubro não se metia…Regras, quais regras? Ora pimenta no rabo dos outros, é música celestial para a Maria de Lurdes Rodrigues, o Sindicalista Pedreira e o turbo professor Valter Lemos. Não é assim que manda o discurso neo-liberal?!
-Mas tudo bem, temos aí os Titulares, as Novas Oportunidades, as Certificações, as qualificações e os portáteis para regular toda esta desregulação consentida, permitida e apoiada, durante anos. Até parece aquele anúncio: Parvo é que eu não sou…
Setembro 4, 2007 at 5:52 pm
“já reparou por acaso na publicidade que o Instituto Piaget fez aos cursos de ensino durante anos”
Pois, mas publicidade enganosa é coisa que não falta por aí… Ser Professor pode ser considerada uma profissão de futuro desde que não se dê o futuro como garantido. Não será nesse sentido muito diferente de ser Engenheiro. Também se pode dizer que essa é profissão de futuro, mas garantias de empregabilidade não há, nem nunca houve. A diferença é que para os Professors já houve garantias. Digamos que a situação actual é que é de normalidade. A situação anterior era uma ilusão insustentável porque, no limite e à falta de outros empregos garantidos, todos os Portugueses poderiam optar por tirar um curso de Professor e entrar para a função pública (e tempos houve em que nem curso foi preciso). Não estivemos assim tão longe desse absurdo com as hordas de Professores que entraram no sistema em 30 anos… Foi bom (para alguns) mas acabou-se.
Setembro 4, 2007 at 6:30 pm
“Digamos que a situação actual é que é de normalidade.”
Aqui é que está o estrago: É QUE SER PROFESSOR É MUITO MAIS QUE FUNÇÃO PÚBLICA.
A Normalidade agora vai ser a de avaliar o desempenho com quotas, tipo: Foste excelente mas, como tu todos os outros, como só tenho 1 excelente para atribuir por causa da quota, vai para mim e tu esperas… e se pertenceres ao grupo dos professores caros, então nem bom tens, aguarda para conheceres a reciclagem e respectiva mobilidade…
Está bonito está… Esta, digamos, é que vai ser a normalidade.
Então foi normal a exploração do recurso dessa mão de obra a quem se acenava com garantia de emprego para fidelizar, tipo Windows, e agora vai-te embora que já não prestas. Enquanto serviu tudo bem, agora acabou a ilusão do serviço: DESEMPREGO, ou como diz o meu filho quando está zangado: Estás despedido. E as responsabilidades morais e sociais dessas práticas? Então assumia-se de forma clara o carácter precário dessa colaboração/serviço e agora todos sabiam com o que contavam: acabou-se.
Ok, ManyFaces, só para a provocação: esta situação é uma ilusão insustentável de quem não tem sensibilidade social, porque essa sensibilidade, todos sabemos que custa dinheiro. Falta saber o contributo que cada um pode e quer dar. Está a ver, números mais uma vez.
Setembro 4, 2007 at 6:47 pm
É interessante discutir o conceito de normalidade porque ele tem cambiantes interessantes quando se fala de professores. Comecemos pelas tais quotas. Esse conceito parece ser completamente estranho quando falo com Professores. E no entanto, noutros casos o sistema de quotas É a normalidade. Em qualquer empresa há quotas para todos os lugares. Não há 50 ou 60 ou 1000 lugares de direcção, existem aqueles que é racional existirem, ainda que os candidatos sejam mil. Este é um bom exemplo: tomemos uma empresa qualquer em que existem 1000 candidatos para 100 vagas de direcção. Assumamos que todos os candidatos são previamente avaliados com nota de excelente, sendo esta definida como a condição necessária de acesso ao lugar. Deve a empresa promovê-los todos a Director? Não. A pergunta em si não faz sequer sentido. A verdadeira questão é que a empresa não PODE promovê-los a todos. Seria demasiado caro e irracional. A empresa não precisa deles todos. A empresa selecciona os melhores 100 entre os 1000, apesar de todos eles terem classificação de excelente. Isto É a normalidade. É destas normalidades que vivem milhões de pessoas nas mais diversas actividades e empresas. A minha perplexidade resulta de este sistema ser tão estranho quando se fala de professores e suas carreiras… Desconfio que a chave para esta perplexidade reside na frase:
“É QUE SER PROFESSOR É MUITO MAIS QUE FUNÇÃO PÚBLICA.”
Se me explicarem porquê talvez eu entenda porque conceitos normais noutros contextos são tão estranhos para os Professores.
Setembro 4, 2007 at 8:51 pm
Pois é, o Manyfaces tem carradas de razão.
Só por preguiça mental se pode achar normal que o poder social dos sindicatos se transmute no poder de determinar, em contrato com a Nomenklatura do ME, a política educativa deste país.
Só por inercia se pode considerar natural que o poder económico do Capital se converta no poder de decidir o que é que convém a uma Universidade.
A oligarquia sindicatos-nomenklatura do ME que até agora tem controlado a orientação do ensino, corre o perigo de ser substituída pela oligarquia empresários-mafiosos do estado.
A primeira enquadrava o docente como um agente do próprio estado, com uma carreira blindada, à imagem da tradicão corporativista (que tanto devia a salazar).
A segunda, na senda da globalização europeia com toque mediterrânico, empurra o docente para o papel de trabalhador à medida da satisfação do cliente/consumidor.
É a luta entre a estabilidade de um mundo dominado pela ideologia do capitalismo liberal, do marxismo, dos mandarins em torres de marfim e das organizações burocráticas do Estado e, o mundo das redes virtuais, do Capital desencarnado, terapêutico e camaleónico, onde o que conta são mais os resultados e menos as lealdades.
Este véu metafísico que os docentes querem continuam a usar, foi-lhes confecionado num tempo em que se atribuía à profissão um estatuto ímpar. Actualmente, com a Internet e a televisão, a cotação de um professor encontra-se drasticamente desvalorizada, uma vez que as “competências” se adquirem de forma díspar e multifacetada, sem a contribuição decisiva da escola.
É o próprio “progresso”, tão caro à “esquerda”, que sabota uma das suas mais substanciais apostas para a emancipação da humanidade. Ele há coisas fantásticas, não há ?
Setembro 4, 2007 at 9:01 pm
Manyfaces
O exemplo não é demasiado infantil? Haverá alguém entre os leitores que defenda o argumento que se deu ao cuidado meticuloso de rebater?
Só me ocorreu como comparável a descoberta socrática de que a nova ponte do Carregado une as duas partes da lezíria do Tejo, enfim…
Setembro 4, 2007 at 9:48 pm
MFaces, a essa pergunta em maiúsculas eu tenho vários modelos de respostas, a começar pelos exemplos escandinavos de que tanto gosta em que os professores não são, em grande parte, funcionários públicos.
Não é um modelo que quereria como a regra para cá, mas em muitos pontos os professores são profissionais de tipo liberal que estabelecem contratos com os empregadores: autoridades locais, associações de pais, empresas, o Estado.
Quanto ao problema das quotas, acho que já lhe expliquei que a estrutura da carreira docente não necessita de ser piramidal, porque a função não implica necessariamente esse tipo de estrutura.
Não me chocam carreiras paralelas, progredindo de acordo com a ultrapassagem de objectivos ou metas que se definam, num caso para docentes em exclusivo, em outro caso para quem exerça cargos de supervisão pedagógica e ainda em outro para quem se especialize em gestão escolar.
Mas seriam carreiras paralelas.
A progressão poderia ser po mérito, tudo bem.
O que não percebo é a fixação na exist~encia de quotas, como se na docência existisse a necessidade de “dirigentes” e “dirigidos” no seio da carreira.
Existe uma diversidade de funções, mas não necessariamente uma hierarquia entre elas.
E a diferenciação poderia ser positiva (prémios de desempenho) e não negativa (bloqueio forçado da progressão, mesmo para quem alcance as metas definidas).
Setembro 4, 2007 at 10:15 pm
Assim seja ManyFaces, quando referi que ser professor é muito mais que função pública quis dizer o seguinte:
-Quero um gabinete que posso partilhar com mais colegas; O Director na empresa tem um que é só seu;
-Quero um PC pessoal, computador de mesa pessoal, para eu poder não só programar, calendarizar, guardar, organizar, ensaiar, esquematizar, modelar, fazer montagens multimedia, sim, sim, juntar som e imagem com placa de captura e digitalizador para poder, juntamente com os meus colegas e alunos recolher, isto é, fazer trabalho de recolha, pesquisa…de campo prático; O Director dos 100 escolhidos tem um PC no gabinete, outro em casa, um portátil no carro com gps, telefone à disposição, tudo em rede e tudo pago pela empresa;
-Quero nesse gabinete o material que todos os gabinetes têm, material de escritório como lápis, canetas, canetas várias, acetatos etc, etc, quero “titular” esse material; No escritório da empresa que o sr. Director escolhido dos 100 dirige vai lá ele gastar dinheiro do seu bolso em comprar meias? Qual quê? A empresa tudo isso fornece.
-Quero livros, muitos livros e tempo e sossego para os ler e sobre eles reflectir;Os Workshops, case study formação e quejandos numa empresa que se preze, ao director estão garantidos e facilitados.
-Quero que as listas de obras, que todos os anos me pedem para a minha área disciplinar, sejam compradas e, pelo menos, que entrem na biblioteca, porque os do gabinete até dou de barato trazer os meus que compro com o “ordenado milionário de professor que recebo mensalmente do ministério que me tutela”; Mas desde quando é que a empresa admite que o sr. director compre do seu bolso o que quer que seja para benefício da própria empresa? Até o pode fazer mas a compensação por isso será mais que garantida.
-Quero trabalho e condições para trabalhar e não quem me tutele chamando-me malandro, irresponsável e ingrato. Quero aprender sempre para poder saber o que ensinar.Mas desde quando é que a empresa que escolheu o director de entre 100 candidatos não vai dar condições para que o director maximize o seu tempo de trabalho a favor da empresa?
Depois destes quero, será que o que quero é demasiado para o que querem que eu faça como trabalho? ENSINAR. Mas desde quando o director para obter mais lucros para a empresa, esta não lhe dá o que ele quer, se vai LUCRAR?
As minhas desculpas PG pela largueza e repetição, mas não podia deixar de dizer isto. É que, como professor e com as condições do director da empresa, até seria capaz de dormir no gabinete, uma vez por outra se necessário.
Agora trabalhar sem compensação financeira, apresentar o trabalho feito e ainda me chamarem malandro, impondo-me regras que não compreendo, aplicando-as à quero, posso, mando e cala-te, acrescidas de distorções convenientes da realidade. Então das duas uma, ou vai ou racha: PAGUEM-ME COMO DEVE SER COM REGRAS E CONDIÇÕES DE TRABALHO.
Setembro 4, 2007 at 10:18 pm
Eu também quero…
Setembro 5, 2007 at 7:46 am
Depois do que li nestes posts só posso chegar a uma conclusão:
Existe uma grave crise de identidade da profissão docente em portugal, a que não serão alheios os sindicatos, já que sempre consideraram a “classe” como um depósito imutável de apoiantes para os seus jogos de poder e pouco mais.
Outra causa terá sido a demissão da “elite” da própria classe em reflectir sobre as mudanças sociais e económicas entretanto ocorridas, uma vez que sempre foi mais cómodo repetir, até à náusea, os catecismos de “esquerda”, insatalar-se na Nomenklatura e esperar pela reforma.
Por isso admiro a lucidez daqueles que separam os diferentes papéis, como o jm, que não confundem o ser cidadão-interesse público, com o ser pai-interesse privado e com o ser professor-interesse profissional. Este exercício é indispensável para se ter um olhar independente e imparcial sobre a realidade.
Setembro 5, 2007 at 9:38 am
h5n1:
Qual crise de identidade qual carapuça… Todos os anos o mesmo rosário:
-ir ao meu bolso para fotocópias, acetatos, canetas, papel, tinteiros, livros etc..
-relegar a família para aquele canto da casa para que eu possa corrigir os testes, os trabalhos, planificar as coisas, fazer os materiais necessários e preparar as aulas como tem de ser, num dispêndio de horas extraordinárias que não contam para nada e que na escola é impossível fazer pela falta de condições, mas que não são tidas nem achadas e muito menos pagas.
-para além do trabalho de ensinar, planificar, calendarizar, avaliar e substituir ainda tenho que preencher papéis e papelinhos, formulários e formulariozinhos, fazer projectos e projectinhos, relatórios e mais relatórios num acrescento de trabalho burocrático e de secretaria que só me impede de que eu me faça melhor professor e melhore o meu trabalho.
-e depois de tudo isto uma ministra que diz o que diz de mim, os secretários que a acompanham a fazer um dia para logo desfazer no momento a seguir ou no outro dia e todos em conjunto virem-me dizer que sou um malandro, um privilegiado que o que preciso é de mais trabalho e pau nos costados…
-um governo chefiado por honestíssima entidade que governa apoiando e promovendo a delação, o desrespeito, a desconsideração o incumprimento legal, criando e fazendo injustiças em nome duma melhoria que não vislumbro mas exigindo-me que eu cumpra a lei e me mova perseguições desde fiscais, a escutas e judiciais com processos que se arquivam mas que já não repõem a situação do antes…
-E depois de tudo isto e o mais que não há espaço para dizer ainda tenho de ser suficientemente lúcido para separar e conciliar o papel que desempenho como ser professor, ser cidadão e ser encarregado de educação…
-Finalmente ouvir a ministra falar do ratio utilizando as estatísticas para o lado que mais lhe convem… Concerteza que concordará comigo h5n1 é preciso ser, estar e permanecer no escalão dos super, para isto aguentar.
Setembro 5, 2007 at 11:14 am
“Não é um modelo que quereria como a regra para cá, mas em muitos pontos os professores são profissionais de tipo liberal que estabelecem contratos com os empregadores: autoridades locais, associações de pais, empresas, o Estado.”
Pois, mas o meu modelo seria mesmo esse. Noutras paragens tem provas dadas.
“Mas seriam carreiras paralelas.
A progressão poderia ser po mérito, tudo bem.
O que não percebo é a fixação na exist~encia de quotas, como se na docência existisse a necessidade de “dirigentes” e “dirigidos” no seio da carreira.”
Pois aqui divergimos, sendo que a divergência tem natureza muito fundamental. Eu entendo que a hierarquia é uma necessidade em qualquer organização. A partir do momento em que existem recursos humanos para gerir, para coordenadar. Em que há necessidade de orientar o trabaho de acordo com estratégia pré-estabelecida… A hierarquia e verticalização de carreira resulta não só de uma necessidade de racionalização de custos, como indiquei em cima, como também de uma necessidade de liderança, coordenação, supervisão, características imprescindíveis em qualquer organização. Como já se disse por aqui tantas vezes: a carreira de professor era a única carreira horizontal em Portugal. Custa a crer que a natureza da profissão justificasse uma excepção deste tipo. Essa foi uma opção ideológica e política, que foi mantida durante todos este tempo…
Flori: Todos os Professores deveriam ter laptop fornecido pela escola uma vez que têm de trabalhar em casa. Lutem por isso… Parece-me básico.
Setembro 5, 2007 at 1:33 pm
Tenho umas obras a fazer la em casa, para as quais tive de contratar 3 pedreiros.
No entanto, nao me esta a apetecer pagar-lhes muito.Quero guardar uns dinheirinhos para comprar um quadro interactivo la para casa, e ir passar umas ferias as Caraibas.
Mas ja arranjei um sistema fixe.
Vou criar uma carreira de pedreiro, e dividi-los por escaloes. Aoas mais velhos, pago-lhes o devido-topo de carreira- e os mais novos,pago-lhes menos, porque sao mais novos, estao em inicio de carreira.
E se tiverem todos a mesma idade e experiencia? Simples, instituo um sistema de cotas, por exemplo um terco para pedreiros titulares e tenho o problema resolvido!
E se ele protestarem? Simples,ai entra a velha conversa do: Nao faltava mais nada! Querem ser todos generais!? Os coitados vao ficar tao espantados, que nem se lembram de referir que fazem todos a mesma tarefa, e que indice salarial nao e posto hierarquico.
A proposito, por falar em generais, quanto e que ganha um professor no topo da carreira? Como capitao, ou como major?
Setembro 5, 2007 at 1:57 pm
Um Professor Catedrático no topo de carreira ganhava em 2006 de ordenado base, 5 065 Euros.
Um Almirante ou General, ganhava 4 999 Euros.
Então e agora ?
Setembro 5, 2007 at 2:05 pm
Carreiras verticais ou horizontais.
Pois já aqui falámos e refalámos disso.
O pormenor é que essa “opção ideológica” não é do pós-25 de Abril.
Já antes a progressão dos docentes na maior parte dos níveis de ensino era feita com base na antiguidade e numa avaliação sumária.
Mesmo no Estrado Novo.
Passei por uma dezena de escolas e, salvo uma ou outra excepção, nunca verifiquei que os eventuais erros de gestão ou os níveis de abandono escolar se ficassem a dever à horizontalidade da carreira.
Quem não tem características de liderança não passa a tê-las porque passou a titular com 95 pontos.
E quem as tem e ficar encracado no 6º ou 7º escalão será desperdiçado por muitos anos.
Setembro 5, 2007 at 2:07 pm
H5N1,
Um professor – não falo dos catedráticos – tem que fazer todos os dias.
Os almirantes e generais precisam de inventar guerras para não morrerem de tédio e adormecerem com a cara em cima das medalhas.
Dezembro 12, 2008 at 8:44 am
Na minha Escola não existe nenhum professor com menos de 50 alunos. Somos cerca de duzentos professores e mesmo os que têm horários reduzidos têm mais do dobro dos números da OCDE.
Como é que são encontrados os números da OCDE?