Na Feira do Livro deste ano acabei por descobrir que uma das bancas de venda de livros usados, antigos ou meramente fundos de catálogo – e a qual já conhecia de outros anos – era, afinal, a face visível de uma armazém do dito material situado a escassas  centenas de metros da escola onde trabalhei durante uma boa meia dúzia de anos.

Melhor do que os livros propriamente ditos, o dito armazém contém milhares de revistas estrangeiras de banda desenhada, publicadas entre finais dos anos 70 e meados dos anos 90 (fruto da fal~encia da respectiva distribuidora), com especial destaque para quase tudo o que não pude comprar na década de 80 quando passava pela Escadinhas do Duque depois de uma volta pelos alfarrabistas do Bairro Alto – a excepção na altura à contenção devida a quem não dispunha ainda de crédito bancário bonificado era a compra de algumas (a suivre) - agora a preços perfeitamente compatíveis com a sanidade das minhas finanças privadas congeladas há mais de um ano.

O resultado foi, apesar da auto-disciplina imposta que fez com que estabelecesse um plafond de exemplares por cada revista (Pilote, Metal Hurlant, Cahiers de la Bande Dessinée, Circus, Vécu, L’Eternauta, Totem, Cairo,  Zona 84, Heavy Metal, Mad, entre muitas outras bastante menos conhecidas e algumas raridades ao nível de fanzines ou espécimes mais antigos, como os das imagens) o meu escritório se visse subitamente inundado por uma nova vaga de papelada por catalogar, arrumar, compactar e, obviamente, ler ou reler.

Embora tenha comunicado a novidade a um amigo mais fanático do que eu e que tem levado quase o dobro dos caixotes cheios de revistas para o seu arquivo, assim reduzindo sabiamente a minha margem de escolha, e tenha prescindido de tudo o que é revistinha de super-herói da DC Comics, da Marvel e até da Dark Horse, estou a braços com um dilema espacial bastante agudo.

Quem é que, afinal, tem prioridade na ocupação do espaço disponível: eu e o resto dos humanos cá de casa ou eles (livros) e elas (revistas)? Por enquanto ainda tem sido possível negociar um acordo de cavalheiros, mas parece-me que a força do número acabará por impôr a sua lei.