Há alguns dias via um documentário sobre a Educação na Suécia, o sistema de avaliação no ensino básico de lá e as opiniões sobre o facto de não existirem “chumbos” até aos 14 anos, salvo em casos muito excepcionais.

E lá me lembrei que, como nas questões económicas, por cá se confunde, no plano das medidas a implementar, a nossa situação actual com a situação cimeira da Suécia nas tabelas internacionais de literacia, sempre com valores muito altos em termos de matrículas nos vários níveis de ensino não básico e de literacia.

É que é muito diferente ter este tipo de linhas orientadoras para a escolaridade obrigatória quando se atingiu um nível de literacia de 99,9-100% há décadas e quando existem hábitos de disciplina, auto-regulação dos comportamentos e organização das tarefas adquiridos há gerações, ou quando esses hábitos, atitudes e comportamentos ainda existem de forma não generalizada numa população com níveis de literacia e escolaridade bastante baixos em termos comparativos com o resto da Europa, em especial do Norte.

Porque é difícil termos planos para uma “escola do futuro” se nem sequer conseguimos completar a missão que devia ter sido cumprida pela escola do passado.

E, de novo, confunde-se uma consequência do desenvolvimento, neste caso educacional, com uma sua causa. É possível criar um sistema de ensino básico orbrigatório em moldes bastante liberais, quando a base onde ele assenta é segura e está consolidada.

Para além de que mesmo na Suécia, e como uma deputada afirmava no documentário em causa, o custo de não existirem reprovações na escolaridade obrigatória é a necessidade de, no ensino secundário “superior” serem indispensáveis planos dispendiosos destinados a recuperar as competências não desenvolvidas anteriormente e que, de acordo com os cálculos que apresentou, atingem cerca de 25% dos alunos suecos à entrada dos estudos secundários.

Portanto, nem mesmo nos reinos do Norte as coisas correm tão bem como as pintam. Claro que tomara nós chegarmos a esse tipo de problemas. Só que cá a tentação é começarmos sempre pela fachada do prédio, não interessando estudar se os alicerces aguentam com tanta janela electrónica e com portas tecnologicamente tão avançadas, sem cair tudo sobre si mesmo ao primeiro abanão.

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