Sábado, 28 de Julho, 2007


Maria de Lurdes Rodrigues vangloriava-se de, no auge do conflito com os professores, ter alienado o apoio da classe docente mas ter ganho o da população.

Passados alguns meses, assente a poeira, avaliadas as consequências, observada a prática governativa, vê-se bem que esse elogio em causa própria parece agora claramente despropositado.

Não foi preciso muito tempo para a a população debandar do apoio a Maria de Lurdes Rodrigues, por muito que escassos opinadores procurem encobrir o óbvio.

A menos que agora aleguem que só os professores são inquiridos nas sondagens que, como aquela publicada ontem no DN, a colocam em penúltimo lugar em termos de popularidade. Agora, e atendendo ao precedente aberto pela própria, não é aceitávl que a mesma alegue que não governa com base nas sondagens e na popularidade, pois foi ela mesma que antes usou esse mesmo argumento da popularidade em sua defesa.

Those who feel the breath of sadness
Sit down next to me
Those who find they’re touched by madness
Sit down next to me
Those who find themselves ridiculous
Sit down next to me

Governo lança centro de arbitragem no Second Life

O Ministério da Justiça vai lançar hoje, em Aveiro, um centro de mediação e arbitragem no mundo virtual do “Second Life”. Este centro disponibiliza serviços de mediação e arbitragem aos “avatares” residentes neste mundo virtual – um número que supera já os 8,38 milhões em todo o mundo – podendo ser utilizado para dirimir conflitos derivados de relações de consumo ou de quaisquer contratos celebrados entre as partes neste mundo virtual.

Talvez esta seja a solução para os nossos problemas. Na impossibilidade de Portugal ser suportável na real life, o melhor é migrarmos todos para o Second Life e tentarmos fazer um mundinho virtual à nossa medida. O chato é que o Estado, pelos vistos ao aperceber-se da sua incapacidade de governar na vida real, também quer ir atrás de nós.

Agora continuando no ar pouco sério que estes disparates exigem: como é que um ministério incapaz de gerir a Justiça de forma eficaz neste mundo, se digna aparecer a oferecer serviços de mediação no mundo virtual?

O que se segue?

A Ordem dos Advogados a prestar aconselhamento jurídico pro bono aos anjos caídos em desgraça no mundo celeste?

ferias3.jpg

(c) Antero Valério

Notificação da decisão da reclamação dos contratados e finalistas
- a consultar pelos interessados na área dos candidatos a partir de 30 de Julho.

Candidaturas a decorrer de 1 a 7 de Agosto;
 - Destacamento por ausência da componente lectiva;
 - Afectação dos QZP;

 - Manifestação de preferências dos contratados / Finalistas admitidos.

Destacamento por condições especificas:
Lista de manutenção da situação de doença
  – a divulgar na área de candidatos e na área de escolas – 30 de Julho.

Destacamento por doença (novas situações):
Relatório médico a apresentar
  – aplicação já disponível na página da DGRHE até 10 de Agosto;
Formalização do pedido de concessão através de formulário electrónico
  – a decorrer de 6 a 10 de Agosto.

Carregamento de Horários pelas escolas
 - a decorrer de 22 a 24 de Agosto.

Publicitação das listas definitivas de colocação
  – 31 de Agosto”

Lisboa, 27 de Julho de 2007.

Com os melhores cumprimentos,

A DGRHE – Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação

As vagas do ensino superior particular e cooperativo, divulgadas ontem pela tutela, deixam de fora um total de 43 universidades e institutos politécnicos (incluindo diferentes pólos), de um total de 114. O Ministério do Ensino Superior e as entidades do sector responsabilizam-se mutuamente pelo atraso, que poderá trazer consequências graves para o sector. (Diário de Notícias)

Portugal não será o país com maior ratio de universidades, politécnicos e pólos disto e daquilo por aluno disponível ou mesmo por habitante imaginável?

Há alguns dias via um documentário sobre a Educação na Suécia, o sistema de avaliação no ensino básico de lá e as opiniões sobre o facto de não existirem “chumbos” até aos 14 anos, salvo em casos muito excepcionais.

E lá me lembrei que, como nas questões económicas, por cá se confunde, no plano das medidas a implementar, a nossa situação actual com a situação cimeira da Suécia nas tabelas internacionais de literacia, sempre com valores muito altos em termos de matrículas nos vários níveis de ensino não básico e de literacia.

É que é muito diferente ter este tipo de linhas orientadoras para a escolaridade obrigatória quando se atingiu um nível de literacia de 99,9-100% há décadas e quando existem hábitos de disciplina, auto-regulação dos comportamentos e organização das tarefas adquiridos há gerações, ou quando esses hábitos, atitudes e comportamentos ainda existem de forma não generalizada numa população com níveis de literacia e escolaridade bastante baixos em termos comparativos com o resto da Europa, em especial do Norte.

Porque é difícil termos planos para uma “escola do futuro” se nem sequer conseguimos completar a missão que devia ter sido cumprida pela escola do passado.

E, de novo, confunde-se uma consequência do desenvolvimento, neste caso educacional, com uma sua causa. É possível criar um sistema de ensino básico orbrigatório em moldes bastante liberais, quando a base onde ele assenta é segura e está consolidada.

Para além de que mesmo na Suécia, e como uma deputada afirmava no documentário em causa, o custo de não existirem reprovações na escolaridade obrigatória é a necessidade de, no ensino secundário “superior” serem indispensáveis planos dispendiosos destinados a recuperar as competências não desenvolvidas anteriormente e que, de acordo com os cálculos que apresentou, atingem cerca de 25% dos alunos suecos à entrada dos estudos secundários.

Portanto, nem mesmo nos reinos do Norte as coisas correm tão bem como as pintam. Claro que tomara nós chegarmos a esse tipo de problemas. Só que cá a tentação é começarmos sempre pela fachada do prédio, não interessando estudar se os alicerces aguentam com tanta janela electrónica e com portas tecnologicamente tão avançadas, sem cair tudo sobre si mesmo ao primeiro abanão.

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