O ME divulgou ontem as suas instruções para a organização do próximo anoe escolar, praticamente esvaziando parte do que eu iria escrever sobre o que se entende por autonomia dos estabelecimentos de ensino e agrupamentos.

O despacho que aguarda publicação é mais outro daqueles monumentos à nacionais à regulamentação da pesca com minhoca. Nada parece querer deixar-se ao acaso, sendo que por vezes tanta regulamentação acaba por pisar-se a si mesma.

Quanto às instruções propriamente ditas assiste-se a uma ânsia imensa por preencher o mais recôndito dos cantos dos horários de docentes e alunos, numa evidente tentativa de saturar toda a gente no mais curto espaço de tempo possível, assumindo-se a tal lógica do mais é melhor.

Um  ponto positivo das instruções – que o há, ninguém diga que eu só gosto de fazer críticas negativas – passa pela proposta, sugestão ou ordem para se constituírem equipas pedagógicas responsáveis pelo acompanhamento das turmas em cada ciclo de escolaridade.

Estas equipas pedagógicas, integradas pelos professores das diferentes disciplinas do ano de escolaridade e pelos docentes de educação especial, iniciam funções após o período de matrículas, envolvendo-se nas tarefas de constituição da turma e de análise do percurso escolar dos alunos.

O único probleminha, assim pequeninino, quase insignificantes, coisa pouca, nem quase valeria a pena falar nisso, é que esta sugestão, instrução ou ordem, surge quase um mês depois de se terem feitos as matrículas, uns bons quinze dias depois da constituição de maior parte das turmas, mas, em contrapartida, antes de se ter a possibilidade de saber exactamente como é que os horários dos docentes poderão ser definitivamente elaboradaos, pois o concurso para professores-titulares só termina na próxima semana, em muitas EB 2/3 ou EB 3/S ainda não está completamente definida a carga horária disponível a distribuir por cada grupo e departamento e, em suma, se alguns dos professores que estão, vão mesmo estar (QZP’s).

Este modo de actuar é extremamente interessante, instrutivo mesmo, quanto à forma como o ME desconhece o funcionamento quotidiano das escolas, pois este tipo de instruções – e já agora a certeza de que as colocações dos professores de QZP são mesmo trianuais, ou se os destacamentos dos docentes foram aceites – deveria ter chegado em seu devido tempo: por exemplo, antes das matrículas e do período de constituição de turmas, para que as tais equipas pedagógicas pudessem ter começado a funcionar desde logo e não apenas em Setembro.

Porque não me parece que a publicação deste despacho no período de férias obrigatório dos docentes seja o melhor exemplo de calendarização, a menos que se ache que  já nem em Agosto possamos gozar os diazinhos de férias a que ainda temos direito. Obviamente que as “equipas pedagógicas” que agora se sugerem/ordenam que funcionem desde as matrículas não podem dar um salto no tempo e começlar a funcionar desde o in´cio deste mês.

Porque esse início de mês já passou e dizem os menos crédulos na teoria do eterno retorno e na ficção científica que já não voltará mais.

Publicar isto em Maio já teria sido uma excelente ideia. Mas talvez ninguém tenha dado por isso. Ou deram e isto é mesmo só para chatear quem já anda suficientemente desanimado?