Julho 2007


Não se deixem enganar pelo início, he’s (got) the real thing.

Ain’t singin’ for Pepsi
Ain’t singin’ for Coke
I don’t sing for nobody
Makes me look like a joke
This note’s for you.
Ain’t singin’ for Miller
Don’t sing for Bud
I won’t sing for politicians
Ain’t singin’ for Spuds
This note’s for you.

 

A PC Today espanhola traz no seu nº 169 um teste comparativo dos serviços de alojamento de blogues e o WordPress é o que obtém classificação mais elevada (8,23/10), pelo que os seus mais fiéis adeptos devem estar satisfeitos.

No entanto aqui ficam os seus quatro concorrentes mais directos para quem quiser espreitar:

SimplePHPblog (8,07).
MovableType (7,58)
Thingamablog (7,56)
Windows Live Writer (7,03)

Quanto a ferrantas para a chamada Web 2.0, eis algumas sugestões de Web OS, sistemas operativos web, sítios que emulam a aparência de um sistema operativo e permitem as funções de escritório próprias do Windows ou Linux: EyeOS, Orca, Xindesk, youOS e ZeppOS.

Vi mais uns recortes em directo na RTPN da prestação de Maria de Lurdes Rodrigues na Comissão de Educação. Não sei qual será o relato na imprensa amanhã, mas por este adiantamento, parece-me que ficaremos pelo óbvio, já abaixo descrito: o processo esteve muito certo, mas afinal acabou arquivado.

Mas agora não é isso que me faz perder tempo.

O que me impressionou novamente no desempenho ministerial foi a extrema dificuldade em MLR, mesmo quando de início seguia aparentemente um texto escrito, se expressar de uma forma clara, sequencial, encadeada, lógica e, digamo-lo, coerente e reveladora de uma competência razoável em matéria de oralidade na língua do massacrado Camões.

Sei que os ministros não precisam de ser versados nas matérias sobre as quais exercem a sua tutela política – parece até que isso é contraproducente em algumas opiniões – e também já li e ouvi que não é condição indispensável serem comunicadores natos, sendo isso encarado mesmo como um sinal do predomínio da forma sobre o conteúdo.

Só que neste caso, o problema é, para além da forma, o próprio conteúdo.

Já escrevi que a parte inicial parecia uma espiral discursiva, voltando a cada minuto ao mesmo ponto já antes explicado, com mudança de um ou outro vocábulo.

Mas a parte final foi mais curiosa, porque surgiram pérolas retóricas e do pensamento político que deveremos estimar e guardar para recordar no futuro.

Eis uma delas, citada de memória: «os processos disciplinares são um património, uma riqueza, um instrumento do Estado de Direito». Isto a propósito da relevância do procedimento disciplinar a Fernando Charrua ter sido feito com todos os requintes processuais. Não sei bem até que ponto se devem considerar os processos disciplinares uma riqueza, já que, na prática, eles são sinais de algo negativo, de condutas impróprias que é necessário averiguar e eventualmente castigar. Um instrumento, vá lá; uma necessidade, tudo bem; agora uma riqueza? um património “a preservar”?

Outra, também de memória, mas razoavelmente fiel: «quando existem dúvidas, não podem restar dúvidas». Neste caso, tratava-se de justificar porque, afirmando terem sido provados os actos assacados ao arguido, se ter mandado arquivar o processo. Ou seja, os factos foram provados, a Ministra não tem dúvidas quanto a isso, mas há quem continue a ter dúvidas, pelo que se arquiva o processo. A partir deste momento, se isto fizer jurisprudência, bastará a qualquer visado por um processo disciplinar alegar – ou fazer alguém alegar – que existem dúvidas que, mesmo com os factos dados como provados, a Ministra arquiva.

Isto é tudo uma imensa mistificação, tanto mais difícil de disfarçar, quanto as capacidades oratórias de quem o tenta fazer são algo diminutas.

Não quero ser jocoso, mas nem desrespeitador, mas não haverá por aí um curso do tipo Novas Oportunidades em Português Técnico?

Não é preciso escrever como o Eça ou Ramalho, discursar como Chagas (Pinheiro ou João), Bernardino (o Machado) ou Teófilo. Contento-me com menos. Mas, que diabos, afinal isto ainda se trata do Ministério da Educação!

1102a.jpg 

Vi de raspão apenas alguns minutos da ida de Maria de Lurdes Rodrigues à Comissão de Educação do Parlamento para continuar a novela do Caso Charrua a pedido do PSD, por via do deputado Pedro Duarte. Na Sic-Notícias passaram apenas coisa de 5 minutos ou menos e o Canal Parlamento está de férias, pelo menos a versão na net, pelo que não posso acompanhar aquilo que se adivinha uma imensa cacofonia repetitiva.

Se a ida de MLR ao Parlamento se justifica, já o assunto começa a não ser o mais urgente neste momento. Partilho globalmente  a visão crítica que hoje o jornalista João Tavares expressa no DN em relação a todos os intervenientes. E haveria coisas bem mais importantes a discutir, como a alteração das datas do concurso para muitos professores que se encontram de férias.

Quanto ao que pude ouvir do início da intervenção de MLR, para além da aridez de ideias, pois as mesmas duas ideias foram repetidas por quatro vezes naqueles poucos minutos, pode-se resumir no seguinte:

  1. Fernando Charrua dirigiu um gravíssimo insulto ao PM, perturbando o funcionamento dos serviços em que trabalhava e quem denunciou/relatou o facto e deu origem ao procedimento disciplinar fez o seu dever, tendo-se sido dados por provados os factos em causa.
  2. Toda a gente que escreveu ou falou criticamente sobre o assunto assentou oas suas afirmações em ficções, mentiras e falsidades, deturpando a situação e pressionado o Governo para esquecer, abafar ou arquivar o processo. Os termos são retirados, com rigor, das declarações de MLR há 15 minutos atrás.

Perante isto, e atendendo ao desenvolvimento objectivo do “caso”, constatamos que:

  • Apesar de todo o processo ter fundamento, de os factos gravosos terem sido provados, e de toda a gente estar coberta de razão do lado da DREN e do ME, o caso foi inexplicavelmente arquivado.
  • Afinal, pelos vistos e se atendermos ao desfecho em causa, o Governo foi efectivamente vulnerável à pressão e arquivou um processo que MLR declara que tinha toda a razão de ser e evidente gravidade, tendo os factos sidos provados e serem graves e perturbadores do funcionamento dos serviços.
  • Por fim, ao que parece, MLR arquivou o caso a contra-gosto, ficando por saber, se assim o é, porque o terá feito ou a mando de quem.

Quanto ao facto de eu ter sido bastante repetitivo neste texto, isso fica a dever-se a um qualquer condicionamento psicológico resultante de ter ouvido MLR dizer várias vezes as mesmas frases e expressões no curto espaço de uns 200 segundos ou pouco mais (entre as 17.24 e as 17.28, salvo erro).

Ontem à noite, na Sic-Notícias, assisti com o queixo a cair-me até ao chão a João Soares defender o método usado pelo Governo para reduzir de 1473 para apenas 3 as carreiras na Função Pública com o argumento de que os serviços foram convidados a dar a sua opinião durante o mês de Agosto, o que ainda segundo JS é uma boa novidade, ou algo parecido, pois nesta altura eu já estava comatoso.

Espero agora, que o Governo estabeleça, com base neste precedente validado pela boa opinião de Soares, o Parvus (estou aqui a remeter para a etimologia latina do termo, é claro), períodos formais de discussão das medidas propostas para todos os dias 29 de Fevereiro, terças-feiras de Entrudo e tardes de 24 e 31 de Dezembro.

Eu em relação a um Estado que se afirma de Direito exijo poucas coisas, mas aparentemente muito difíceis.

Com base em convenções que resultam da cultura civilizacional em que dizem que nos inserimos (judaico cristã, greco-romana, ocidental, atlântica, o que quiserem…), espero que:

  • O Estado funcione como regulador da vivência em comum da população que habita o território sobre o qual o seu aparato político-administrativo exerce uma jurisdição reconhecida.
  • Que esse Estado elabore leis para esse efeito e que essas leis respeitem os princípios básicos reconhecidos como essenciais para que uma ordem jurídica seja digna de confiança pelos cidadãos a que ela se aplica (não retroactividade, universalidade, equidade, e várias outras coisas acabadas em “ade”).
  • Que aprovadas essas leis – e independentemente do direito de as contestarmos no plano político ou jurídico - o Estado, através da sua burocracia específica, deve ser a primeira e última garantia de que são cumpridas de acordo com os tais principios fundamentais da universalidade, imparcialidade, etc, etc.
  • Que em situações de abuso do poder na aplicação das leis, ou em casos notórios de deficiente ou parcial leitura da legislação, prejudicando os cidadãos envolvidos, a correcção dos erros, objecto de reclamação pelos cidadãos, se encare como uma prática normal pelos organismos do Estado, seja pelo próprio agente da má aplicação, seja pelo organismo hierarquicamente superior, evitando o recurso aos Tribunais.
  • Que as situações acima descritas não sejam solucionadas de forma casuística, com base em estratagemas para-regulares e informais, sem normas estabelecidas para além do vai falar com fulano de tal e diz que vais da minha parte ou logo que possas escreve ao senhor doutor director sicrano de tal e expõe a tua situação, mas não te esqueças de lhe telefonar primeiro a dizer que vais escrever.

Tudo isto porque estou cansado de ver abusos burocráticos serem mantidos por mera teimosia de egos individuais de funcionários incapazes de reconhecer os seus erros, mais papistas do que o papa na aplicação mais rigorosa das leis em vigor ou já revogadas, assim como de assistir a filas mais ou menos longas de despojados à porta de gabinetes ou em corredores direcções gerais ou regionais disto ou daquilo à espera que seja feita justiça por meios do choradinho e da recomendação, em vez de decorrer da natural aplicação das leis em vigor.

Porque se há algo típico do terceiro-mundismo é este tipo de pequenez que faz do Estado de Direito uma anedota e da relação do cidadão com a burocracia do Estado um intrincado labirinto de conhecimentos, amizades e cunhas.

Eu, por mim, recuso-me a participar nesse joguinho medíocre que só amesquinha todos os envolvidos, tanto quem estende a mão submissa para receber aquilo a que tem direito como quem, sabendo isso, outorga como favor o que é apenas um direito.

Quem acertar no tipo que escreveu isto e está ali a cantar à frente do Eric Clapton, sem ir ver o ficheiro do You Tube não ganha nada, mas pode ficar contente. Então se for só da idade do CD pode considerar-se um melómano pop.

They call me the breeze, I keep blowing down the road
I aint got me nobody, I aint carrying me no load
Aint no change in the weather, aint no change in me

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