Julho 2007


Não se deixem enganar pelo início, he’s (got) the real thing.

Ain’t singin’ for Pepsi
Ain’t singin’ for Coke
I don’t sing for nobody
Makes me look like a joke
This note’s for you.
Ain’t singin’ for Miller
Don’t sing for Bud
I won’t sing for politicians
Ain’t singin’ for Spuds
This note’s for you.

 

A PC Today espanhola traz no seu nº 169 um teste comparativo dos serviços de alojamento de blogues e o WordPress é o que obtém classificação mais elevada (8,23/10), pelo que os seus mais fiéis adeptos devem estar satisfeitos.

No entanto aqui ficam os seus quatro concorrentes mais directos para quem quiser espreitar:

SimplePHPblog (8,07).
MovableType (7,58)
Thingamablog (7,56)
Windows Live Writer (7,03)

Quanto a ferrantas para a chamada Web 2.0, eis algumas sugestões de Web OS, sistemas operativos web, sítios que emulam a aparência de um sistema operativo e permitem as funções de escritório próprias do Windows ou Linux: EyeOS, Orca, Xindesk, youOS e ZeppOS.

Vi mais uns recortes em directo na RTPN da prestação de Maria de Lurdes Rodrigues na Comissão de Educação. Não sei qual será o relato na imprensa amanhã, mas por este adiantamento, parece-me que ficaremos pelo óbvio, já abaixo descrito: o processo esteve muito certo, mas afinal acabou arquivado.

Mas agora não é isso que me faz perder tempo.

O que me impressionou novamente no desempenho ministerial foi a extrema dificuldade em MLR, mesmo quando de início seguia aparentemente um texto escrito, se expressar de uma forma clara, sequencial, encadeada, lógica e, digamo-lo, coerente e reveladora de uma competência razoável em matéria de oralidade na língua do massacrado Camões.

Sei que os ministros não precisam de ser versados nas matérias sobre as quais exercem a sua tutela política – parece até que isso é contraproducente em algumas opiniões – e também já li e ouvi que não é condição indispensável serem comunicadores natos, sendo isso encarado mesmo como um sinal do predomínio da forma sobre o conteúdo.

Só que neste caso, o problema é, para além da forma, o próprio conteúdo.

Já escrevi que a parte inicial parecia uma espiral discursiva, voltando a cada minuto ao mesmo ponto já antes explicado, com mudança de um ou outro vocábulo.

Mas a parte final foi mais curiosa, porque surgiram pérolas retóricas e do pensamento político que deveremos estimar e guardar para recordar no futuro.

Eis uma delas, citada de memória: «os processos disciplinares são um património, uma riqueza, um instrumento do Estado de Direito». Isto a propósito da relevância do procedimento disciplinar a Fernando Charrua ter sido feito com todos os requintes processuais. Não sei bem até que ponto se devem considerar os processos disciplinares uma riqueza, já que, na prática, eles são sinais de algo negativo, de condutas impróprias que é necessário averiguar e eventualmente castigar. Um instrumento, vá lá; uma necessidade, tudo bem; agora uma riqueza? um património “a preservar”?

Outra, também de memória, mas razoavelmente fiel: «quando existem dúvidas, não podem restar dúvidas». Neste caso, tratava-se de justificar porque, afirmando terem sido provados os actos assacados ao arguido, se ter mandado arquivar o processo. Ou seja, os factos foram provados, a Ministra não tem dúvidas quanto a isso, mas há quem continue a ter dúvidas, pelo que se arquiva o processo. A partir deste momento, se isto fizer jurisprudência, bastará a qualquer visado por um processo disciplinar alegar – ou fazer alguém alegar – que existem dúvidas que, mesmo com os factos dados como provados, a Ministra arquiva.

Isto é tudo uma imensa mistificação, tanto mais difícil de disfarçar, quanto as capacidades oratórias de quem o tenta fazer são algo diminutas.

Não quero ser jocoso, mas nem desrespeitador, mas não haverá por aí um curso do tipo Novas Oportunidades em Português Técnico?

Não é preciso escrever como o Eça ou Ramalho, discursar como Chagas (Pinheiro ou João), Bernardino (o Machado) ou Teófilo. Contento-me com menos. Mas, que diabos, afinal isto ainda se trata do Ministério da Educação!

1102a.jpg 

Vi de raspão apenas alguns minutos da ida de Maria de Lurdes Rodrigues à Comissão de Educação do Parlamento para continuar a novela do Caso Charrua a pedido do PSD, por via do deputado Pedro Duarte. Na Sic-Notícias passaram apenas coisa de 5 minutos ou menos e o Canal Parlamento está de férias, pelo menos a versão na net, pelo que não posso acompanhar aquilo que se adivinha uma imensa cacofonia repetitiva.

Se a ida de MLR ao Parlamento se justifica, já o assunto começa a não ser o mais urgente neste momento. Partilho globalmente  a visão crítica que hoje o jornalista João Tavares expressa no DN em relação a todos os intervenientes. E haveria coisas bem mais importantes a discutir, como a alteração das datas do concurso para muitos professores que se encontram de férias.

Quanto ao que pude ouvir do início da intervenção de MLR, para além da aridez de ideias, pois as mesmas duas ideias foram repetidas por quatro vezes naqueles poucos minutos, pode-se resumir no seguinte:

  1. Fernando Charrua dirigiu um gravíssimo insulto ao PM, perturbando o funcionamento dos serviços em que trabalhava e quem denunciou/relatou o facto e deu origem ao procedimento disciplinar fez o seu dever, tendo-se sido dados por provados os factos em causa.
  2. Toda a gente que escreveu ou falou criticamente sobre o assunto assentou oas suas afirmações em ficções, mentiras e falsidades, deturpando a situação e pressionado o Governo para esquecer, abafar ou arquivar o processo. Os termos são retirados, com rigor, das declarações de MLR há 15 minutos atrás.

Perante isto, e atendendo ao desenvolvimento objectivo do “caso”, constatamos que:

  • Apesar de todo o processo ter fundamento, de os factos gravosos terem sido provados, e de toda a gente estar coberta de razão do lado da DREN e do ME, o caso foi inexplicavelmente arquivado.
  • Afinal, pelos vistos e se atendermos ao desfecho em causa, o Governo foi efectivamente vulnerável à pressão e arquivou um processo que MLR declara que tinha toda a razão de ser e evidente gravidade, tendo os factos sidos provados e serem graves e perturbadores do funcionamento dos serviços.
  • Por fim, ao que parece, MLR arquivou o caso a contra-gosto, ficando por saber, se assim o é, porque o terá feito ou a mando de quem.

Quanto ao facto de eu ter sido bastante repetitivo neste texto, isso fica a dever-se a um qualquer condicionamento psicológico resultante de ter ouvido MLR dizer várias vezes as mesmas frases e expressões no curto espaço de uns 200 segundos ou pouco mais (entre as 17.24 e as 17.28, salvo erro).

Ontem à noite, na Sic-Notícias, assisti com o queixo a cair-me até ao chão a João Soares defender o método usado pelo Governo para reduzir de 1473 para apenas 3 as carreiras na Função Pública com o argumento de que os serviços foram convidados a dar a sua opinião durante o mês de Agosto, o que ainda segundo JS é uma boa novidade, ou algo parecido, pois nesta altura eu já estava comatoso.

Espero agora, que o Governo estabeleça, com base neste precedente validado pela boa opinião de Soares, o Parvus (estou aqui a remeter para a etimologia latina do termo, é claro), períodos formais de discussão das medidas propostas para todos os dias 29 de Fevereiro, terças-feiras de Entrudo e tardes de 24 e 31 de Dezembro.

Eu em relação a um Estado que se afirma de Direito exijo poucas coisas, mas aparentemente muito difíceis.

Com base em convenções que resultam da cultura civilizacional em que dizem que nos inserimos (judaico cristã, greco-romana, ocidental, atlântica, o que quiserem…), espero que:

  • O Estado funcione como regulador da vivência em comum da população que habita o território sobre o qual o seu aparato político-administrativo exerce uma jurisdição reconhecida.
  • Que esse Estado elabore leis para esse efeito e que essas leis respeitem os princípios básicos reconhecidos como essenciais para que uma ordem jurídica seja digna de confiança pelos cidadãos a que ela se aplica (não retroactividade, universalidade, equidade, e várias outras coisas acabadas em “ade”).
  • Que aprovadas essas leis – e independentemente do direito de as contestarmos no plano político ou jurídico - o Estado, através da sua burocracia específica, deve ser a primeira e última garantia de que são cumpridas de acordo com os tais principios fundamentais da universalidade, imparcialidade, etc, etc.
  • Que em situações de abuso do poder na aplicação das leis, ou em casos notórios de deficiente ou parcial leitura da legislação, prejudicando os cidadãos envolvidos, a correcção dos erros, objecto de reclamação pelos cidadãos, se encare como uma prática normal pelos organismos do Estado, seja pelo próprio agente da má aplicação, seja pelo organismo hierarquicamente superior, evitando o recurso aos Tribunais.
  • Que as situações acima descritas não sejam solucionadas de forma casuística, com base em estratagemas para-regulares e informais, sem normas estabelecidas para além do vai falar com fulano de tal e diz que vais da minha parte ou logo que possas escreve ao senhor doutor director sicrano de tal e expõe a tua situação, mas não te esqueças de lhe telefonar primeiro a dizer que vais escrever.

Tudo isto porque estou cansado de ver abusos burocráticos serem mantidos por mera teimosia de egos individuais de funcionários incapazes de reconhecer os seus erros, mais papistas do que o papa na aplicação mais rigorosa das leis em vigor ou já revogadas, assim como de assistir a filas mais ou menos longas de despojados à porta de gabinetes ou em corredores direcções gerais ou regionais disto ou daquilo à espera que seja feita justiça por meios do choradinho e da recomendação, em vez de decorrer da natural aplicação das leis em vigor.

Porque se há algo típico do terceiro-mundismo é este tipo de pequenez que faz do Estado de Direito uma anedota e da relação do cidadão com a burocracia do Estado um intrincado labirinto de conhecimentos, amizades e cunhas.

Eu, por mim, recuso-me a participar nesse joguinho medíocre que só amesquinha todos os envolvidos, tanto quem estende a mão submissa para receber aquilo a que tem direito como quem, sabendo isso, outorga como favor o que é apenas um direito.

Quem acertar no tipo que escreveu isto e está ali a cantar à frente do Eric Clapton, sem ir ver o ficheiro do You Tube não ganha nada, mas pode ficar contente. Então se for só da idade do CD pode considerar-se um melómano pop.

They call me the breeze, I keep blowing down the road
I aint got me nobody, I aint carrying me no load
Aint no change in the weather, aint no change in me

Entre nós a discussão sobre o papel do Estado e da iniciativa privada na Educação está enviesado há muito e dá poucos sinais de melhorar. O assunto não sendo simples, também não é de molde a só ser acessível a pessaos com uma capacidade inusitada de reflexão e teorização. O problema é que, por via de regra, quem trata o assunto, ou está demasiado ligado a teorias na sua formulação mais restrita ou então teoriza demasiado a partir de situações particulares que lhe tocam. E raramente reflectem sobre a Educação como uma questão nacional que deve ter um modelo minimamente coerente.

No meu caso, defensor de um sistema público e universal de ensino de qualidade, infelizmente obrigado a recorrer à oferta privada por falta de alternativa até há muito pouco tempo, gostaria de deixar quais são os pontos que considero essenciais para a sã convivência entre iniciativa pública e privada, e como cada uma delas deve funcionar. Tudo de forma breve e espero que clara, esmo se eventualmente lacunar na explicitação de algumas ideias.

  • O Estado deve providenciar uma oferta educativa universal, tendencial mas não necessariamente gratuita, de qualidade.
  • No âmbito dessa oferta pública, o Estado deve permitir níveis de autonomia efectivos no funcionamento dos estabelecimentos de ensino para os que o pretenderem, sendo preferível que regule apenas o quadro geral que devem cumprir todos, mas permitindo uma real margem de manobra aos seus órgãos de gestão em questões pedagógicas e financeiras.
  • A sociedade civil deve ser livre de forncer uma oferta alternativa à pública, cumprindo um conjunto mínimo de requisitos determinados pelo Estado, como por exemplo uma estrutura curricular nuclear comum ao sistema público, a contratação de pessoal devidamente qualificado e a sujeição a mecanismos de fiscalização regulares.
  • O sistema privado de Educação deve auto-financiar-se sempre que concorrer com o sistema público, devendo ser subsidiado sempre que a sua oferta surja onde a do Estado não está presente.

Perguntar-me-ão porque me deu agora para voltar a escrever sobre isto.

Simples.

Porque me complica um pouco os nervos que, por um lado, existam pais que têm meios e querem financiar em centenas de euros a ampliação de uma escola que acham ser a mais adequada para os seus educandos e não o possam fazer, enquanto outros se queixam porque lhes são pedidos 2, 3 ou 5 euros para ajudarem a financiar o funcionamento corrente dos estabelecimentos de ensino, devido à insuficiência de verbas disponibilizadas pelos poderes central e local.

Eu sei que as duas situações corresponderão a contextos socio-económicos diversos e que, no limite, poderemos estar a permitir que no ensino público existam exageradas estratificações ao nível do “prestígio (note-se que não usei o termo “qualidade”), quebrando teóricas regras de solidariedade na gestão da rede escolar. Contudo, as comunidades educativas e os estabelecimentos de ensino públicos devem ter a capacidade de gerir as suas finanças de modo a não dependerem de uma autorização superior para tudo, em especial se o Estado afirma estar com a bolsa vazia.

No caso da Escola da Ponte, se a sua forma de funcionar consegue congregar vontades e meios para a requalificar e ampliar é um dispararate que sejam os próprios professores da Escola a recusá-lo, a menos que a justificação seja muito fundamentada. Ou que o órgão de gestão do agrupamento não procure uma solução consensual.

No caso da escolas da zona do Ribatejo referidas na peça do Público (entre as quais está uma cujo funcionamento e liderança ainda recentemente foram positivamente exaltadas pela IGE)  que pedem alguns euros para ajudar em despesas corrents, ou do projecto educativo, é igualmente ridículo que sejam os encarregados de educação a contestarem esse contributo mínimo, em nome da gratuitidade constitucional do ensino. Porque as quantias são praticamente irrisórias, em especial atendendo aos objectivos, e se depois confrontarmos a conduta quotidiana e os gastos de alguns dos alunos cujas famílias se exaltam por tão pouco. Acredito que exista qum se sinta lesado pelo pedido, mas também acho que as escolas públicas deveriam ter a possibilidade de contratualizar com as respectivas Associações de Pais formas flexíveis de ajudar ao seu bom funcionamento, já que a tutela fiscaliza até ao último cêntimo contabilizado na caixa do bar e papelaria.

Enquanto a rigidez de mentalidades, do Estado, dos agentes educativos e das famílias, cada um à sua maneira, continuar a ser como é, dificilmente conseguiremos que o sistema público de ensino adopte métodos de gestão diferentes e minimamente autónomos da pesada regulamentação da tutela.

E as culpas não são exclusivas, mas repartidas por todos.

Penso eu de que…

Já aqui afirmei o meu coerente desalinhamento partidário e a minha adesão á abstenção em largos períodos da minha vida política. Ao contrário de muitos incautos, em Fevereiro de 2005 votei onde bem entendi que deveria votar, por forma a tentar evitar a maioria do Partido Socrático. Escolhi um mal menor, ou algo parecido com isso, opção que nem sempre me deixa bem comigo mesmo.

Em 2009 quase por certo irei votar, com os mesmos objectivos. Neste momento, apesar de todas as asneiras do Governo, a oposição perde-se em capelinhas à esquerda, enquanto se automutila à direita, em grande parte por falta de margem de manobra e temas autónomos da agenda governamental. Por isso, eu preciso de começar a ser esclarecido sobre o que a Oposição pensa ou propõe, por exemplo (que coincidência!), em matéria de Educação.

Porque vejamos as coisas de forma comercial: a classe docente tem quase 150.000 votos disponíveis, sendo que a maior parte deles em 2005 foi para o PS, mas agora já não iriam. Só que na falta de alternativa credível podem ir parar directamente à abstenção. Ninguém os quer cativar com propostas sérias e a sério?

Portanto, talvez conviesse à oposição – ou oposições - esclarecerem este nicho eleitoral não tão dispisciendo quanto isso, sobre qual é o seu posicionamento nestas matérias que nos interessa, desde a manutenção do ECD inalterado com as suas regras de progressão na carreira, até ao modelo de combate ao insucesso e abandono escolar.

Afirmar que estão contra a política deste Governo não chega. Isso qualquer um de nós consegue fazer, mesmo à esquina de um café ou no recato do lar, conforme nos aconselharam.

O que interessa mesmo é que os partidos com representação parlamentar à cabeça, mas os outros também, assim como eventuais movimentos cívicos, saibam apresentar propostas concretas sobre aquilo que fariam se estivessem no poder, ou tivessem a possibilidade de influenciar a acção governativa. Do Bloco ao CDS seria interessante sabermos quais as suas propostas concretas.

Será que no caso do PSD a ausência de uma voz autónoma em matérias educativas, excepro sobre o caso do seu ex-deputado Charrua, significa uma ausência de alternativas?

No caso dos partidos mais à esquerda será que a Educação não é um tema interessante? Só interessa capitalizar o desagrado para greves e manifestações, sem ser assumida uma posição clara sobre os temas mais importantes desta área de governação?

E no caso do CDS, só interessa a introdução de examas e a liberdade de escolha das escolas pelas famílias? E o resto?

Neste altura, a dois anos de começar a pré-campanha para as legislativas de 2009, em outros contextos, os partidos que adivinhavam que o assalto ao poder podia ser bem sucedido já tinham começado a fazer as suas movimentações preparatórias.

Agora restam-nos jogos florais no maior partido da oposição, dividido entre maus candidatos e maus candidatos a candidatos, enquanto os outros parecem ter esquecido da Educação para além de objectivos políticos tácticos muito próprios.

Quem, de entre os que dizem estar contra, surge a favor de algo diferente? E que forma teria essa diferença?

Nós, docentes eleitores teríamos muito interesse em saber.

Pronto, se vamos para férias, pode-se sempre esperar pela afrancesada reentrée.

Mas começa a fazer-se quase tarde.

“É disto que o país precisa”, disse Sócrates ao anunciar mais 5400 camas no Algarve

(Público, p. 12, sem link permanente)

Há há alguns anos, desde o período pré-Expo, que acho que Portugal parece só ser encarado como viável pela nossa classe política como um destino turístico de 2ª classe, onde se organizam eventos espalhafatosos (basta ver a publicidade paga pelo Ministério da “Economia e Inovação” que todas as semanas inunda a imprensa), onde por vezes aparece uma ou outra celebridade para jogar golfe e onde os indígenas devem sobreviver de guardanapo no braço, esperando que o seu domínio de Inglês Técnico para a Hotelaria e Restauração permita angariar umas gorjetas que fujam à atenção do fisco, assim conseguindo que a remuneração precária  e sazonal chegue para, nos intervalos, comprar um telemóvel vistoso e tomar a bica da ordem no café da esquina.

Nunca fiz verdadeira tenção de sair de Portugal e os defeitos que encontro na nossa classe política e em quem anda por aí protestando contra o Governo apenas  quando não há futebol nunca foram suficientes para procurar abrigo em outras paragens.

Agora não sei se estou pouco novo para isso, mas confesso que o enjoo com a situação da secular choldra começa a atingir máximos históricos, só aflorados ali entre 93-95, quando o cavaquismo apodrecia à vista de todos.

Este tipo de politiquinho, entusiasmadinho, saltitantezinho, satisfeitinho consigo mesminho já começa, até pelo facto da idade não ser factor de distanciação mais respeitosa, a irritar-me e a fazer-me mal à saúde.

Isto que não passa de uma espécie de projecto de país, entre campos de golfe e aparthoteis que nascem como cogumelos numa zona que já todos sabemos estar sobrelotada ou em outras que deveriam ser preservadas, em que os únicos sectores de sucesso garantido são, no topo da escala, a banca e os hipermercados, e no fundo, os snack-bars, as lojas de telemóveis, as agências de intermediação imobiliária e as lojas dos 300, com os stands de carros em segunda-mão a passar por inovação e os Berardos a serem tomados como exemplos do sucesso, enquanto os Valentins se riem da Justiça, começa a ter um aroma terrível a ranço, a um ranço que não há fatinhos de bom recorte, apresentações em powerpoint com fanfarra pré-gravada, figurantes pagos à peça e povinho mantido à distãncia ou quadros interactivos que consigam esconder.

Confesso que, pela primeira vez na vida, se um dia me dá mesmo para ir embora, vou de vez e fico sem sódade nenhuma de regressar.

Imagem de A Choldra nº 1, 1926

Imagem do Kaos.

Fernando Madrinha consegue, pelo menos uma vez por mês, fazer-me sair do torpor em que fico quando começo a ler a sua coluna de opinião no Expresso. Não vale a pena recomendarem-me que não leia, se já sei que não gosto do que vou ler. Esse não é o método certo por duas razões: há recuperações súbitas de doentes em estado quase terminal e nunca devemos deixar de ler aquilo de que discordamos para não ficarmos para sempre fechados na nossa forma de ver o mundo. E Madrinha representa o establishment mediático, aburguesado, acomodado, satisfeito consigo mesmo e com os poderes instalados que lhe permitem sentir-se assim.

As opiniões valem o que valem e todos temos direito à nossa. Madrinha tem o direito de, mesmo em casos em que o Ministério da Educação e o seu pessoal político fazem notória asneira, tentar dar a volta ao assunto para deixar no ar a dúvida de que, se calhar, talvez…

Tem ainda o direito de não gostar de Fernando Charrua, dos actos que foram razão do famoso processo disciplinar e que Madrinha afirma terem sido provados (não é bem assim, mas mesmo se fosse). Tem todo o direito de achar que Charrua não é um mártir da luta contra o medo. Eu também acho qu não é por aí que devemos ir. Fernando Charrua foi um exemplo muito útil, pela capacidade que teve de tornar o seu caso visível, para demonstrar até que ponto o País Socrático se tornou persecutório e delator.

Aquilo em que Fernando Madrinha já extrapola do razoável, em especial em pessoa que parece apresentar-se como tão ponderada e dotada de bom-senso, é comparar o caso de Fernando Charrua com o que se passou com o ministro Carlos Borrego no tempo do último governo de Cavaco Silva, com a sua inenarrável piada sobre os hemodialisados do Hospital de Évora que morreram por causa da água contaminada.

Fernando Madrinha acha razoável, portanto, comparar que numa sessão pública, para quebrar o gelo, um ministro lance uma piada de profundo mau gosto sobre pessoas que morreram por causa, em primeira e última instância, de erros ou falhas em serviços públicos, com o caso Charrua em que, na pior das hipóteses, o visado afirmou que era governado por um “grupo de bananas” chefiados por um “fdp”, à porta do seu gabinete de funcionário público.

São formas de ver as coisas.

Madrinha estará no direito de, na sua mente esclarecida, comparar piadas sobre uma tragédia que envolveu dramaticamente várias famílias com um qualificativo ao Primeiro-Ministro. Não sei se está no seu direito, mas na minha modesta opinião – que vale o que vale – Fernando Madrinha fez uma valente demonstração de idiotice.

Em nenhum momento, parece ter ocorrido a Fernando Madrinha que o caso de Carlos Borrego é muito mais similar – certamente que com pior gosto – aos disparates e bocas de políticos deste Governo como Maria de Lurdes Rodrigues (os tribunais dos Açores não são em Portugal), Mário Lino (o deserto, jamais), Manuel Pinho (tantas) ou Correia de Campos (os medicamentos para os pobres das 5ªs e 6ªas feiras). Se algo há a criticar, é que Sócrates mantém em funções governantes que já repetidamente ofenderam muitos dos cidadãos que, indirectamente com o seu voto no PS, ajudaram a que estas figurinhas sem tino na língua se tornassem ministros.

Um burocrata ou um cidadão não pode chamar em conversa particular “fdp” ao senhor Primeiro-Ministro? Mas poderá fazê-lo publicamente a um árbitro em pleno jogo de futebol?

A lógica de Fernando Madrinha transcende-me verdadeiramente, de tão estranha (será mesmo?) que é. Poderia ir atrás de outras crónicas suas à cata de incoerências piores. Mas chega-me saber que para Fernando Madrinha gozar numa sessão pública com a morte dos hemodialisados de Évora é equiparável a um insulto dirigido a sua excelência o Primeiro-Ministro numa conversa de gabinete.

Dá para perceber a lógica. Penso que nem mesmo o outro senhor teria este tipo de desrespeito pela vida humana, mesmo se estivesse em causa um insulto á sua mãezinha. Porque eu bem me lembro de em pequeno muitos parentes meus chamarem “fdp” a outro “S” (o Solnado, claro, como na rábula revisteira) e isso ser considerado quase como um dever cívico.

Maria de Lurdes Rodrigues vangloriava-se de, no auge do conflito com os professores, ter alienado o apoio da classe docente mas ter ganho o da população.

Passados alguns meses, assente a poeira, avaliadas as consequências, observada a prática governativa, vê-se bem que esse elogio em causa própria parece agora claramente despropositado.

Não foi preciso muito tempo para a a população debandar do apoio a Maria de Lurdes Rodrigues, por muito que escassos opinadores procurem encobrir o óbvio.

A menos que agora aleguem que só os professores são inquiridos nas sondagens que, como aquela publicada ontem no DN, a colocam em penúltimo lugar em termos de popularidade. Agora, e atendendo ao precedente aberto pela própria, não é aceitávl que a mesma alegue que não governa com base nas sondagens e na popularidade, pois foi ela mesma que antes usou esse mesmo argumento da popularidade em sua defesa.

Those who feel the breath of sadness
Sit down next to me
Those who find they’re touched by madness
Sit down next to me
Those who find themselves ridiculous
Sit down next to me

Governo lança centro de arbitragem no Second Life

O Ministério da Justiça vai lançar hoje, em Aveiro, um centro de mediação e arbitragem no mundo virtual do “Second Life”. Este centro disponibiliza serviços de mediação e arbitragem aos “avatares” residentes neste mundo virtual – um número que supera já os 8,38 milhões em todo o mundo – podendo ser utilizado para dirimir conflitos derivados de relações de consumo ou de quaisquer contratos celebrados entre as partes neste mundo virtual.

Talvez esta seja a solução para os nossos problemas. Na impossibilidade de Portugal ser suportável na real life, o melhor é migrarmos todos para o Second Life e tentarmos fazer um mundinho virtual à nossa medida. O chato é que o Estado, pelos vistos ao aperceber-se da sua incapacidade de governar na vida real, também quer ir atrás de nós.

Agora continuando no ar pouco sério que estes disparates exigem: como é que um ministério incapaz de gerir a Justiça de forma eficaz neste mundo, se digna aparecer a oferecer serviços de mediação no mundo virtual?

O que se segue?

A Ordem dos Advogados a prestar aconselhamento jurídico pro bono aos anjos caídos em desgraça no mundo celeste?

ferias3.jpg

(c) Antero Valério

Notificação da decisão da reclamação dos contratados e finalistas
- a consultar pelos interessados na área dos candidatos a partir de 30 de Julho.

Candidaturas a decorrer de 1 a 7 de Agosto;
 - Destacamento por ausência da componente lectiva;
 - Afectação dos QZP;

 - Manifestação de preferências dos contratados / Finalistas admitidos.

Destacamento por condições especificas:
Lista de manutenção da situação de doença
  – a divulgar na área de candidatos e na área de escolas – 30 de Julho.

Destacamento por doença (novas situações):
Relatório médico a apresentar
  – aplicação já disponível na página da DGRHE até 10 de Agosto;
Formalização do pedido de concessão através de formulário electrónico
  – a decorrer de 6 a 10 de Agosto.

Carregamento de Horários pelas escolas
 - a decorrer de 22 a 24 de Agosto.

Publicitação das listas definitivas de colocação
  – 31 de Agosto”

Lisboa, 27 de Julho de 2007.

Com os melhores cumprimentos,

A DGRHE – Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação

As vagas do ensino superior particular e cooperativo, divulgadas ontem pela tutela, deixam de fora um total de 43 universidades e institutos politécnicos (incluindo diferentes pólos), de um total de 114. O Ministério do Ensino Superior e as entidades do sector responsabilizam-se mutuamente pelo atraso, que poderá trazer consequências graves para o sector. (Diário de Notícias)

Portugal não será o país com maior ratio de universidades, politécnicos e pólos disto e daquilo por aluno disponível ou mesmo por habitante imaginável?

Há alguns dias via um documentário sobre a Educação na Suécia, o sistema de avaliação no ensino básico de lá e as opiniões sobre o facto de não existirem “chumbos” até aos 14 anos, salvo em casos muito excepcionais.

E lá me lembrei que, como nas questões económicas, por cá se confunde, no plano das medidas a implementar, a nossa situação actual com a situação cimeira da Suécia nas tabelas internacionais de literacia, sempre com valores muito altos em termos de matrículas nos vários níveis de ensino não básico e de literacia.

É que é muito diferente ter este tipo de linhas orientadoras para a escolaridade obrigatória quando se atingiu um nível de literacia de 99,9-100% há décadas e quando existem hábitos de disciplina, auto-regulação dos comportamentos e organização das tarefas adquiridos há gerações, ou quando esses hábitos, atitudes e comportamentos ainda existem de forma não generalizada numa população com níveis de literacia e escolaridade bastante baixos em termos comparativos com o resto da Europa, em especial do Norte.

Porque é difícil termos planos para uma “escola do futuro” se nem sequer conseguimos completar a missão que devia ter sido cumprida pela escola do passado.

E, de novo, confunde-se uma consequência do desenvolvimento, neste caso educacional, com uma sua causa. É possível criar um sistema de ensino básico orbrigatório em moldes bastante liberais, quando a base onde ele assenta é segura e está consolidada.

Para além de que mesmo na Suécia, e como uma deputada afirmava no documentário em causa, o custo de não existirem reprovações na escolaridade obrigatória é a necessidade de, no ensino secundário “superior” serem indispensáveis planos dispendiosos destinados a recuperar as competências não desenvolvidas anteriormente e que, de acordo com os cálculos que apresentou, atingem cerca de 25% dos alunos suecos à entrada dos estudos secundários.

Portanto, nem mesmo nos reinos do Norte as coisas correm tão bem como as pintam. Claro que tomara nós chegarmos a esse tipo de problemas. Só que cá a tentação é começarmos sempre pela fachada do prédio, não interessando estudar se os alicerces aguentam com tanta janela electrónica e com portas tecnologicamente tão avançadas, sem cair tudo sobre si mesmo ao primeiro abanão.

Enquanto não se acabam dois ou três textos para finalizar a análise superficial da relação de Portugal com o 1º mundo ou das dúvidas que permanecem sobre o futuro ano lectivo, empilham-se os livros destinados a despachar durante a estação ou porque já esperam há muito ou porque acabaram de chegar e ficaram no topo da lista ou então porque é aconselhada uma releitura.

Eis algumas propostas:

Elmore Leonard – talvez um dos melhores autores para o Verão, tanto pelo tema (histórias de malandrice e chico-espertismo nos states), como pela economia da escrita e pelo humor sardónico e metralhante. Com dois livros dele (este é o daquele filme com o Clooney e a Jennifer Lopez) conseguimos reconciliar-nos com a literatura e ganhar fôlego para um capítulo do Lobo Antunes, do Saramago ou de um qualquer novo novelista nacional com excelentes recensões no Expresso e no Jornal de Letras.

Joseph Connolly – porque é sempre bom um pouco de british wit nestas leituras e dá um ar mais sofisticado na praia quando se lê algo de alguém que fez as biografias de Jerome K. Jerome e P. G. Woodehouse, dois dos expoentes fundadores do género. Não é que o vizinho da cabana ao lado saiba, mas nós pensamos que sim e sentimo-nos muito satisfeitinhos connosco mesmos.

Robert Wilson – porque escreve policiais modernos, passados em Portugal ou em Espanha a partir do seu monte alentejano e porque devemos ser solidários com quem gosta de nós, apesar de todos os nossos defeitos.

Stephen King – um dos autores de best-sellers que melhores histórias consegue imaginar, sendo que neste livro explica como o faz, ajudando a quebrar preconceitos de quem ache que ele escreve a metro apenas por motivos comerciais e com base em fórmulas de sucesso. E porque o livro é o primeiro que escreveu depois de, há uns anos, ser brutalmente atropelado e ter estado quase a ir desta para melhor.

E sim, gosto de comprar paperbacks e literatura daquela que chamam “de aeroporto”.

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