Junho 2007


Embora este trailer não faça – nem de longe, por ser tão formal – justiça a este filme delirante e divertidíssimo. Com destaque para o quase português nos hábitos e desenrascanço P. K. Dubey, cujas melhores cenas são recolhidas nesta colectânea.

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Para mim é o equivalente aos Jardins Suspensos da Babilónia.

Desde a descoberta em finais de 2004 que, em silêncio respeitoso para não perturbar o conjunto de autores, visito religiosamente este espaço de fresca verdura florida que nos devolve o prazer de visitar um Porto que para os mouros é quase desconhecido, apesar de um período de visitas relativamente frequentes há uns anos atrás, mas nem sempre com os destinos certos.

Se é para me maravilhar com algo na blogosfera, quero começar por aqui.

As deserções de antigos defensores da política do ME como corajosa (os cowboys que exterminaram os índios no velho Oeste também tinham fama de corajosos) e da ministra como determinada (qualquer tiranete pode ser assim qualificado, em especial os menos esclarecidos e mais despóticos) começam a acumular-se de tal forma que já começa a ser embaraçante sentirmo-nos quase no mainstream da opinão publicada.

Outro mail. Segundo ele, a Escola Secundária D. Luís de Castro (Braga) seria a única escola com cursos de apoio à infância no Norte (Geriatria Nível 3, Apoio à Infância Nível 3, Acção Social), teria sucessoe scolar superior a 70% (média nacional 40%) e o custo aluno/professor mais baixo das escolas de Braga. A empresa Bragaparque teria comprado os terrenos onde se situa a escola (avaliados em 10 milhões de euros). Por alegada falta de “massa humana crítica” a DREN teria decidido transferir alunos (sem professor) para a Escola Sá de Miranda, uma das mais caras no rácio aluno/professor. A registar, a coincidência do fecho e da compra do terreno, para confirmação ou desmentido.
(…)
Até que enfim! Maria de Lurdes Rodrigues recua e admite novo concurso para professor titular para o ano. Custa, mas a ministra da Educação lá vai sendo, de vez em quando, obrigada a engolir sapos vivos. (Marcelo Rebelo de Sousa, Sol)

Como pode o Partido Socialista, esquecer o que levou, em grande parte, à sua formação? Como pode não saber que a democracia e a liberdade se medem essencialment pelos direitos e garantias que se dá ás oportunidades, aos cidadãos individualmente, incluindo os que têm o humor de colocar uma fotocópia ou o mau feitio de insultar o primeiro-ministro. É uma vergonha para qualquer partido, mas é uma dupla ou tripla vergonha para o partido que foi fundado por Mário Soares e por outros como ele.

É, além disso, uma fraqueza política exasperante. O sinal mais forte da insegurança e a patetice táctica no seu esplendor.

Ao agir assim, o Governo sublinha o seu poder, mas perde a autoridade. Quem vai crer que este é um Governo preocupado com as liberdades fundamentais? quem vai acreditar que este é o Governo que – como garante o ministro Santos Silva e o primeiro-ministro – jamais perseguirá alguém?

A situação está a tornar-se ridícula. E o ridículo, como todos sabem, mata. (Henrique Monteiro, Expresso)

Nota ainda para a forma tão crítica como Fernando Madrinha, também no Expresso, trata o Mariano Gago a propósito do novo regime jurídico proposto para o Ensino Superior, recorrendo a argumentos contrários aos que usou para, há um ano, validar a política de Maria de Lurdes Rodrigues em matéria de carreira docente (a reverência pelo Ensino “Superior” relativamente ao “Básico” tem destas coisas…).

E claro a nota no Sol abaixo reproduzida sobre o concurso para professor titular.

Não há fome que não dê em fartura, só que como sou pobre tendo a desconfiar deste súbito maná.

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Esta caricatura que o N. me fez logo no 1º período parece-me agora – à luz do Zeitgeistdemasiado jocosa.

Pensando bem, a colecção de caricaturas que fui recolhendo ao longo dos meus anos como professor, é algo que revela uma atitude algo insultuosa dos meus alunos.

O facto de eu os ter incitado a fazê-las e as ter recolhido e guardado só agrava mais a situação, porque agora desconfio que quebrei o dever de lealdade para comigo.

(já agora e para que conste em termos de gosto, não uso camisas abertas a mostrar a capilaridade peitoral)

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O Umbigo não nasceu para servir de repositório de notícias sobre os desmandos da nossa política educativa. Mas a realidade por vezes submerge-nos, pelo que na medida das minhas possibilidades lá vou fazendo um álbum de recortes no Umbigo ao Quadrado. Em especial num fim de semana em que a Educação ganha destaque (assim como a consciência do clima de incitamento à delação) nos vários jornais de referência e num ambiente em que claramente os favores – será de forma consistente? – mudaram em relação à 5 de Outubro.

A notícia da última página do Expresso sobre a Escola cuja qualidade foi premiada, mas que a DREN mandou encerrar de acordo com aquelas teorias concentracionárias estranhas, que eu pensava perdidas nos anos 70, é apenas mais uma e já aqui se falou disso em post e em vários comentários.

Claro que, por caridade, vamos fazer por esquecermos que o Expresso em várias peças e artigos de opinião apoiou de forma entusiástica este tipo de política de corte a eito, apenas com base em quadros estatísticos.

Vamos acreditar que foi por atraso na percepção dos efeitos perversos das medidas do ME.

Compromisso Portugal denuncia retaliações

O Movimento Compromisso Portugal explica a fraca intervenção da sociedade civil nos problemas do país com o receio de retaliações aos cidadãos por parte do Governo. (Sol)

Entretanto, parece que no PS alguém decide estrebuchar para além de Alegre e Roseta, havendo quem finalmente afirme que «isto não é o PS», embora, claro, sob a capa do anonimato.

Não sou o único a achar que as tentativas de condicionamento da liberdade de expressão e opinião, mesmo tendo eventuais efeitos dissuassores no curtíssimo prazo ou criando indevidos problemas a alguns não-conformistas usados como exemplo para a maioria (neste caso, temos as demissões conhecidas e o processo a Balbino Caldeira), são sempre contraproducentes e negativas para os seus promotores.

Assim como despertam a curiosidade e suscitam a busca de informação por parte daqueles que, mesmo não deixando sinal explícito da sua passagem e posição, ficam com a necessidade de saber mais. Por isso a Censura tem sempre efeitos limitados e acaba por, felizmente, tornar mais populares os que discordam da regra imposta.

Tudo isto para dizer que ontem aqui pelo Umbigo se chegou perto das 2200 visitas, o que é o recorde de entradas de sempre, batendo o anterior por cerca de 5%. E acredito que o mesmo terá acontecido em muitos outros espaços da net e da blogosfera.

O que (por enquanto) não nos mata, faz-nos mais fortes e a blogosfera tem capacidades de multiplicação e resistência que nenhum poder, vagamente democrático, tem capacidade de controlar.

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Aquela em que se faz o apelo explícito à delação, sem qualquer suporte ou esclarecimento sobre o que pode ser considerado “ilegal” em matéria de conteúdos na Internet.

É só anonimamente inserir uma url e esperar que os problemas aconteçam.

Aos outros.

Não tenho mais palavras para explicar o asco que é impossível deixar de sentir perante isto, pelo que recomendo a leitura desta curta crónica de Manuel António Pina, do Alhos Vedros ao Poder e do Citadino, tudo recomendações chegadas por mail.

Entretanto há muitos outros silêncios. Comprometedores e muito, em especial por parte de quem diz que era contra tudo isto nos outros tempos. Os do outro senhor que usava botinhas de meio cano.

Certamente todos se lembram do que se passou a meio da primeira metade dos anos 90 e da famosa defesa do direito à indignação por parte de Mário Soares, então Presidente da República e assumida força de bloqueio de um cavaquismo em segundo mandato decadente e cada vez mais fechado sobre si mesmo.

Passaram cerca de 15 anos e  algumas coisas mudaram muito, mas foram muitas outras as que pouco evoluíram, sendo que nos dois casos nem sempre para melhor.

Eu estava a preparar-me para uma prosa verborreica, indo buscar citações aos diários da Assembleia Nacional dos anos 30 quando o Estado Novo exigia dos seus funcionários obediência máxima ao chefe, assim como sisudez e discrição na execução da política salazarista. Até pensei em ir buscar as minhas passagens weberianas favoritas sobre o que é, ou deve ser, uma burocracia de Estado.

Mas desisti.

Não vale a pena o esforço de erudição livresca.

Decidi antes lembrar-me da nossa História recente e entristecer-me com a falta de coerência da nossa classe política – claro, já sei que me dirão que isso é um dado adquirido, algo que é assumido a partida por todos, incluindo os próprios – e da sua absoluta falta de coragem em assumir frontalmente ao que andam quando passeiam à procura de votos.

O pai (agora mais avô) do direito à indignação, depois de recrutado para uma humilhante derrota nas eleições presidenciais, foi agora arrumado num daqueles cargos honoríficos que servem de prateleira dourada para quem acha que o seu lugar na História ainda precisa de mais uma norta de rodapé. O outro pai, o da teoria das forças de bloqueio, está por sua vez em Belém, em primeiro mandado à espera do segundo, sabendo que não lhe é muito vantajoso, em termos estratégicos, dar muito nas vistas.

Os filhos da época inverteram posições:

  • os que então clamavam contra o autismo cavaquista, que apoiavam todo o tipo de manifestação contra o Governo, subscrevendo rabos mostrados ao léu na 5 de Outubro e dando força a todo o tipo de ataques aos ministros, a começar pelos da Saúde, hoje tornaram-se seríssimos homens de Estado, que defendem o respeitinho como a norma e desaconselham, à força de processos disciplinares e jurídicos, mais demissões, tudo o que lhes pareça atentado à sua (hipotética) honradez e dignidade pública.
  • os outros, os que então estavam do lado contrário ao buzinão e as gravuras não sabem nadar, yô, agora são os que falam em claustrofobia democrática. Esquecendo todo o seu passado e toda uma prática que durou quase uma década.

O problema, como dizia Medina Carreira na entrevista dada esta semana à Sic-Notícias é que os políticos não têm a coragem de apresentar honestamente o seu programa real de governo em período pré-eleitoral, preferindo as promessas vazias de sentido e de exequibilidade. Chegados ao poder, arranjando subterfúgios vários para fazer o contrário do que tinham prometido, vêem rapidamente a sua legitimidade ser colocada em causa pelos cidadãos que se sentem enganados.

Porque o problema nem sempre são algumas das medidas coplocadas em prática, mas sim a opacidade dos métodos usados – o mais habitual actualmente é lançar apara a comunicação social as pretensas conclusões de “estudos técnicos” para ver a reacção geral –  e a sua ausência do programa eleitoral visível para os eleitores comuns.

E mais grave do que isso com este governo – ainda a meio do seu mandato – é a conjugação de uma evidente aborrência para com a necessidade de aturar o zé-povinho que devia estar calado durante 4,5 anos  – só falta ouvir o deixem-nos trabalhar que tão jocosamente criticaram outrora - e a actual falência da capacidade de controle e gestão da informação para esconder ou camuflar uma ausência de política consequente em relação aos sectores mais críticos da governação, o que se traduz num absoluto desnorte de diversos ministros ou o desaparecimento completo de outros.

Tudo isto sintomas de uma fraqueza intrínseca que, quando percebida pelos próprios, tenta disfarçar-se com actos de repressão arbitrária no sentido de dissuadir quem levante a voz.

Triste.

Patético.

E pouco mais.

Mas nem por isso menos inquietante.

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Oh, i wish i was mr.gates son
Pay me my money down
sit on the dock and wach the work done
Pay me my money down

Eu tinha postado uma outra imagem da declaração que professores (e também outros funcionários públicos) eram obrigados a assinar durante o Estado Novo, em parte como mera curiosidade alfarrabística há menos de um ano, mas parece-me que afinal ainda poderá vir a estar actual e a servir de modelo para algo que já esteve mais longe de voltar.

Sócrates a negativos

A descida do PS está longe de ser um factor isolado – é acompanhada pelo decréscimo de popularidade do próprio primeiro-ministro. Em Maio, Sócrates contava um saldo positivo de 2% na avaliação da sua actuação. Agora, chumba na avaliação, contando 14 pontos negativos. Uma tendência que é generalizada no Executivo, com 15 ministros em 16 a baixarem na popularidade. Mário Lino é o caso mais flagrante, mas a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, não anda longe: desce 16 pontos. Ainda assim, não há queda que valha a Correia de Campos. O ministro da Saúde completa o trio dos piores, mantendo-se destacado como o governante com pior imagem junto dos portugueses – volta a cair nove pontos, agora para os 50 negativos.

E ainda temos as últimas novidades. O problema é temos uma espécie de Oposição.

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Vocês depois dão-nos uma esmolinha, quando eu, o Antero, o Miguel Pinto, a Maria Lisboa e uns quantos outros que nem nomeio por motivos de segurança, formos posto no olho da rua por insubordinação, quebra do dever de lealdade, declarações jocosas e, na prática, por termos acreditado que existia Liberdade?

O ministro da Saúde, Correia de Campos, aconselhou ontem que as sobras de medicamentos deixados nas farmácias devem ser entregues aos pobres, evitando, assim, o desperdício de fármacos. (Diário Económico)

«Certamente, essa associação tem pobres inscritos da 5ª feira ou da 6ª feira. Talvez pudesse facultar esses produtos farmacêuticos para serem utilizados», respondeu Correia de Campos na ocasião. (TSF)

Notícia e justificação em imagens da Sic-Notícias aqui.

Directora de centro de saúde demitida por não retirar cartaz “jocoso” sobre Correia de Campos

A directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, Maria Celeste Cardoso, foi exonerada pelo ministro da Saúde por não ter retirado do centro um cartaz que apresentava declarações de Correia de Campos “em termos jocosos”.
O despacho de exoneração de Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso foi publicado hoje em Diário da República.
Segundo a agência Lusa, alguns deputados socialistas manifestaram-se “incomodados com a situação”.
“Pelo despacho (…) do Ministro da Saúde, de 05 de Janeiro, foi exonerada do cargo de directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho a licenciada Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso, com efeitos à data do despacho, por não ter tomado medidas relativas à afixação, nas instalações daquele Centro de Saúde, de um cartaz que utilizava declarações do Ministro da Saúde em termos jocosos, procurando atingi-lo”, lê-se no documento.
Perante este caso, considera-se demonstrado que Maria Celeste Cardoso não tem “condições para garantir a observação das orientações superiormente fixadas para a prossecução e implementação das políticas desenvolvidas pelo Ministério da Saúde”.

É bem verdade que no clássico O Nome da Rosa de Umberto Eco, toda a intriga e os homicídios se desenvolvem em torno da tentativa de afastar do olhar público um hipotético códice contendo uma dissertação de Aristóteles sobre o riso.

Por um lado, a nosso favor, temos o facto de actualmente a coisa se ficar pelas demissões.

Contra, o facto de a Idade Média, de acordo com a sabedoria livresca, ter acabado há mais de 500 anos, quer tomemos como baliza cronológica a queda de Constantinopla, a descoberta da América ou a abertura da rota do Cabo.

Entretanto, aproveito para esclarecer que, em nenhum ponto deste post, procuro ser jocoso ou, muito menos, desrespeitar a sisudez de qualquer elemento do actual governo, ou de qualquer um do passado ou futuro, ou mesmo de qualquer assessor, director-geral ou regional do ME ou de qualquer outro ministério, instituto público ou instituição equipada ou equiparável. Agradeço ainda que, seguindo as instruções de Pacheco Pereira e Vital Moreira, a caixa de comentários deste texto seja usada com o maior dos respeitos e das circunspecções.

‘ta agradecido.

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Após meses e meses de apoio à ministra da Educação durante 2005 e 2006, a revista Visão parece tomar novo rumo e depois de, na semana passada a ter colocado no lado mais negro do seu Radar de figuras por causa da polémica com a Associação dos Professores de Matemática, esta semana volta à carga por causa das trapalhadas nos exames, retratando-a com aquela tradicional pose de mártir de mãos postas, quando não sabe o que responder às questões.

Perante a generalizada desafeição daqueles que a levaram ao colo durante tanto tempo, espero com um sorriso a ida ao Assembleia da República em 11 de Julho, já quase em época de banhos parlamentares. Aliás, tamanho atraso na ida só se pode perceber com a tentativa de descolar a ministra da sucessão de embaraços que marcou este último par de  meses e de esperar que a silly-season jornalística tenha começado e, nesse contexto, o que vier a acontecer pareça normal.

Os bonecos estão no Umbigo ao Quadrado.

Público, 25 de Julho de 2007

Há umas semanas escrevi sobre um relatório da Comissão que agora tem outro nome (é Nacional e destina-se agora a proteger Crianças e Jovens em Risco), mas que na prática todos conhecemos e conheceremos como de Protecção de Menores.

Lá vinham explicitadas todas as mazelas e maleitas que afligem o funcionamento das Comissões locais, as carências de meios técnicos e humanos, a apropriação dos cargos de chefia por delegados políticos das autarquias e tudo o que mais sabemos.

Mas isso, explicando muito, não pode explicar tudo.

Não querendo entrar em detalhes de situações muito concretas, que naturalmente atentam contra a privacidade das pessoas envolvidas, e até porque nos últimos anos trabalhei em três concelhos diferentes e em todos eles se verificaram situações semelhantes, o que permite uma ligeira panorâmica do problema, é necessário lamentar que, ano após ano, se repitam situações inadmissíveis de demissão das responsabilidades por parte de quem tem como função assegurar a protecção de alguns dos elementos mais desprotegidos da e na nossa sociedade.

  • Não é admissível que, alegando insuficiências próprias na investigação de casos gravíssimos, se mandem arquivá-los por falta de provas e se afirme que existem outras situações muito mais graves (por vezes começa a ser difícil imaginar mais grave do que…).
  • Não é admissível que com o pretexto da falta de tempo e sobrecarga de trabalho, se mandem os professores estabelecer os contactos oficiais com autoridades policiais e médicas destinados a resolver situações da estrita competência das Comissões de Protecção, fazendo com que esses professores depois sejam confrontados com respostas evasivas do tipo, isso não é o modo oficial de tratar desses assuntos.
  • Não é admissível, por muito maltratada que ande a nossa infância e adolescência, que para se conseguirem consultas de aconselhamento pedo-psicológico ou mesmo psiquiátrico, se esperem semanas e meses a fio (a menos que funcione a boa e velha cunha ou o alternativo choradinho) e, na ausência de famílias que acompanhem as crianças e jovens, e sempre com a alegada sobrecarga de horário a que se junta o pretexto das férias de Verão, sejam os docentes a acompanhá-lo(a)s a essas consultas.

Não é admissível isto e muito mais que, como digo, se repete ano após ano, de concelho para concelho, com demasiadas coincidências para não se tratar quase de um padrão de conduta, motivado pela falta de meios, mas também pelo desânimo dos agentes envolvidos.

Enquanto as escolas não tiverem gabinetes especializados no acompanhamento deste tipo de situações (os SPO não servem para isso), com técnicos (no plural) devidamente qualificados para esse tipo de função, tudo isto não passa de uma enorme anedota de péssimo gosto, porque fora delas parece que todos estes problemas são sempre extras mal recebidos.

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A nomeação divertidíssima que o Miguel Pinto fez do Umbigo e de moi-même como uma das 7 Maravilhas da Blogosfera (iniciativa originária de O Sentido das Coisas), considerando-me o “menino” Ronaldo da dita. Eu cá ultimamente, fruto da total ausência de horários e condições decentes para me alimentar, estou mais como o outro Ronaldo, mas isso agora não interessa nada.

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O que interessa é que fico com a obrigação moral de nomear as minhas 7 maravilhas. O que vai demorar mais um bocadinho pois, quando estava com a lista quase pronta, passei pelo Abrupto e vi a nova diatribe do JPP contra a “outra” blogosfera (post das 9.49 de 26 de Junho, porque eu nunca percebo aquele sofisticado esquema de ausência de links directos), aquela que tem comentários livres e deve ir a Tribunal por isso. Sei que estou a exagerar (não muito…), mas ficou-me cá atravessada aquele outro texto sobre o Metabloguismo e o amiguismo blogosférico, prosa que ele afirmava que ia continuar, mas não continuou, esperando eu que não tenha sido graças ao mail que lhe enviei desmontando a limitação do próprio Abrupto em termos de ligações regulares (que o Touchgraph bem demonstra) e abertura de espírito à diferença.

É que já estou (mesmo) a ficar farto das posturas aristocráticas do género, eu é que sei e nem estou para mais do que um dois contraditórios que eu próprio escolho. Não é tão mau como o Vital Moreira, mas com um pequeno descuido…

É que a crème de la crème, em especial a soixante-huitard com pergaminhos na luta anti isto e aquilo, por muito democrática que seja, sempre que tem pretexto, gosta de traçar linhas pouco imaginárias para demarcar o que acha ser a fancaria da feira do que é Rosa & Teixeira opinativa.

Por isso e não só, decidi reformular a lista e fazer uma nova, bem mais aberta, saindo para fora das questões da Educação e apontando os meus refúgios alternativos e puramente de lazer e prazer na blogosfera, onde não vou necessariamente à procura do que me é útil e interessante do ponto de vista do trabalho ou da opinião, mas meramente da diversão, nem estando sequer alguns (a maioria) linkados no Umbigo.

Portanto, as minhas 7 Maravilhas seguem dentro de momentos…

Oh I know I should come clean
But I prefer to deceive
Everyday I walk alone
And pray that god won’t see me

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