Pelo menos para os 2º e 3º ciclos do Ensino Básico cuja separação há muito considero ser desnecessária e artificial.
Nada de muito original.
Uma carga horária de 30-32 aulas semanais com 50 minutos cada à “moda antiga”: 8-10 horas para as expressões ou “educações” (EV/EVT, Ed. Musical e Ed. Física) e 20-24 para as disciplinas teóricas (Português, Línguas Estrangeiras, Matemática, História, Geografia, Ciências Naturais/Biologia/Físico-Química). Nos 5º/6º ano, 10 horas para as expressões e 20 para as “teóricas”; a partir do 8º a distribuição a passar para 8 e 24 (também posso dar a minha proposta de distribuição por disciplinas).
Horários a funcionarem num regime de turnos com 25 horas (5 horas x 5 dias) durante a manhã ou tarde com as disciplinas teóricas e Ed. Musical (ou uma outra opção da área das Artes nos 8º e 9º ano) e o resto em contra-horário concentrado em apenas dois dias. Nos outros dias, sempre em contra-horário, um sistema de salas abertas/de estudo/ateliers/clubes/workshops, o que quiserem, de frequência livre, mas com a necessidade de cumprir um certo número de horas por período, estando esses espaços ocupados permanentemente por docentes ou outro tipo de técnicos especializados, especificamente designados para essa função e não `contrariados, com horas dispersas para ocupar horas ad hoc.
Desaparecimento das excrescências inúteis na forma como estão actualmente pensadas (Estudo Acompanhado/Área de Projecto/Formação Cívica). Turmas com um máximo de 24 alunos. Horários desenhados de forma lógica e regular. Permanência das turmas em uma ou duas salas apenas para a generalidade das aulas.
Reforma dos conteúdos programáticos de forma a distenderem-se pelos 5 anos deste ciclo de estudos e não a repetirem-se e sobreporem-se de forma desarticulada, evitando tentar concentrar matérias que precisam de uma aprendizagem consolidada em 2 ou 3 anos apenas.
Manutenção de um núcleo duro de docentes (4 a 6) do Conselho de Turma ao longo dos cinco anos, com especial interesse no caso do Director de Turma.
Avaliação com critérios claros e transparentes, com objectivos claramente definidos não só para o ciclo de estudos mas para as suas diversas fases intermédias e sem uma carga burocrática asfixiante.
Exigência de colaboração das famílias/encarregados de educação na definição dos objectivos para as turmas e responsabilização pelo acompanhamento efectivo da vida escolar dos alunos.
Elaboração de projectos específicos apenas para as turmas com características especiais (alunos com NEE, aí incluindo os casos de risco de abandono ou de comportamento irregular).
Escolas equipadas com o material técnico e humano (em especial nas áreas da Psicologia Educional, Assistência Social e Animação Cultural) indispensável e pessoal auxiliar sem ser a conta-gotas.
Uma tutela que fizesse do discurso da Autonomia uma prática efectiva, em especial no plano pedagógico e do funcionamento corrente dos estabelecimentos de ensino, e não uma aplicação condicionada e regulada na base da meia-dúzia de circulares e pedidos de informação semanal.
Se vos parece que isto é pouco diferente das Escolas que já temos ou têm muita sorte (eu tenho alguma) ou então andam a ver mal o que os rodeia. Porque lá que deveriam ser assim, pelo menos em parte significativa, isso deveriam ser. Mas infelizmente são muitas as que não o são.
Fevereiro 4, 2007 at 5:09 pm
Paulo, você é definitivamente um querido, pela fé e pela exactidão; isto não quer dizer que eu não tenha também alguma fé e é por isso mesmo que espaços como este fazem a maior falta.
Fevereiro 4, 2007 at 6:16 pm
e onde seria leccionado o actual 3.º ciclo, nas EB23 ou nas secundárias?
Fevereiro 4, 2007 at 6:47 pm
sobre a carga horária considero 30-32 horas excessivo, 25 horas para todo o ensino básico, como acontece actualmente, no 1.ºciclo, parecem-me suficientes; turno único, das 9 às 15, por exemplo, e não desdobramnetos numa lógica de armazém, saem uns entram outros. Quanto às ACND acho a actual carga horária excessiva, particularmente no 3.ºciclo.Faz sentido um aluno andar a aprender técnicas de estudo até ao 9.º ano? Na Área de Projecto que se estreou este ano no 12.º ano, em muitas escolas estão-se a fazer trabalhos interessantes, como na minha, com boa organização pode ser uma área bastante útil.
Fevereiro 4, 2007 at 6:55 pm
Paula, ainda emolduro o comentário para mostrar a alguns colegas.

DA,
Seria leccinado nas EB2+3, naturalmente pois elas (ainda como C+s) foram criadas exactamente para isso.
32 horas não é nada excessivo, desde que se não inventem cargas horárias com pseudo-áreas disciplinares perfeitamente aberrantes (e agora essas levam 5 horas no 2º ciclo).
Das 9 às 15 não é horário que permita aproveitar os espaços escolares de forma adequada, nem haveria espaço para isso.
Questões práticas…
Fevereiro 4, 2007 at 7:09 pm
Ora aqui está uma organização escolar que certamente promoveria mais a realização pessoal e social dos alunos e gratificaria mais os professores…
O “currículo único pronto a vestir” e a “cadeia de montagem de tipo industrial” são, provavelmente, os problemas maiores que urge enfrentar.
Fevereiro 4, 2007 at 8:52 pm
Acrescentemos algumas pitadas: a disciplina de Português acompanharia a par e passo, pelo menos até ao 6º ano ( e iterativamente depois disso) o alargamento vocabular e, subsequentemente, o alargamento conceptual operado em cada disciplina (sobretudo no que se refere a étimos ou afixos latinos e gregos e às suas realizações, bem como aos empréstimos de outras línguas), operando a sua extensão ao real envolvente ou aos mundos ficcionais e seleccionando para isso os textos (ou pretextos) mais directamente ligados à língua propriamente dita (científicos ou de didáctica disciplinar específica, literários ou meramente informativos). A produção de texto incluiria duas vertentes, a criativa e lúdica (a par com o literário e o ficcional) e a de carácter acentuadamente académico, esta última sempre a par com o desenvolvimento de técnicas específicas de localização e sistematização de informação; no que toca a esta última, haveria forçosamente um consenso interdisciplinar sobre a elaboração das questões e a necessária progressão de problemas de resposta directa (questões fechadas) e de resposta mediada ou pessoal (hierarquização de dados, hierarquização da informação, estruturação da resposta).
Está a ver, Paulo, já não estou a brincar – ou estou?
Fevereiro 5, 2007 at 11:15 am
De maneira como as coisas têm andado, caro Paulo, dream on. Mas lá que era uma escola à maneira, lá isso era. E sem TLEBS, já agora.
Fevereiro 6, 2007 at 12:07 am
E a Expressão Dramática?! Sim, porque isto de o drama ser só familiar e em casa tem que se lhe diga…
Fevereiro 6, 2007 at 11:47 am
Eu a Expressão Dramática sei o que lhe fazia.
O que acontece em muitos Clubes de Teatro e com o Teatro como opção é só rir, só rir. De drama tem pouco. De farsa tem muito.
Fevereiro 7, 2007 at 5:55 pm
Mas por que Diabo haveria de a Educação ser perfeita? Então e o resto do País? E a Saúde? E as Finanças Públicas?
Fevereiro 7, 2007 at 6:14 pm
Máquina Zero, por uma vez concordamos.
Agora é só esperar que palestinianos e israelitas se reconciliem.