Agora sobre a TLEBS João Peres Andrade dirige uma arma de destruição maciça, não do ponto de vista dos literatos de nariz franzido, mas de quem é da própria área científica. Aqui fica uma passagem, sendo que o resto surge também no caderno Actual do Expresso (pp. 20-22), estando uma versão mais alargada (30 pp) disponível por estes lados:
No plano científico, considero a TLEBS inaceitável. Não é, claro, por ser inovadora, nem por pretender veicular uma postura científica, nem por conter termos complexos, mas, antes de mais, porque cientificamente não merece crédito e porque, mesmo que fosse digna, não poderia apoiar-se em materiais de consulta sólidos, nomeadamente uma boa gramática do português de perspectiva inovadora, que não existe. Adicionalmente, a TLEBS é chocante pela sua insensatez no que respeita à extensão, pelo carácter abrupto (se não brutal) da sua adopção e pela insensibilidade à coesão intergeracional.
Antes de explicitar as minhas críticas, respondo a uma pergunta que o leitor pode colocar-se: a TLEBS não está avaliada e creditada cientificamente, uma vez que a sua base de dados de definições foi elaborada exclusivamente por docentes universitários? Lamento responder que não está. Em primeiro lugar, porque alguns dos seus autores não são as pessoas mais qualificadas do país nas suas áreas; em segundo lugar, porque alguns excederam os limites das suas competências específicas, tratando de questões de que pouco ou nada entendem; finalmente, porque, por mais elevada que fosse a qualidade do trabalho realizado em separado por oito entidades distintas (indivíduos ou grupos), só por milagre a conjugação dessas peças autónomas no todo da TLEBS poderia ter resultado em algo de coeso e consistente, quando nem uma única vez essas diferentes entidades trabalharam em conjunto para articular a nova terminologia.
PIM!!!
Dezembro 8, 2006 at 7:29 pm
Eu gosto de quem fala e escreve com esta clareza e com esta frontalidade. Um homem assim não tem medos.
Dezembro 8, 2006 at 9:27 pm
só quero reforçar o PIM!
Dezembro 9, 2006 at 8:59 am
Teremos chegado demasiado longe no festaréu de mediocridade impune? Certo é que os homens verdadeiramente representativos da cultura em Portugal já começam a manifestar-se. Até que enfim. Já se pode começar a respirar.
Dezembro 9, 2006 at 5:01 pm
Esperemos que não seja apenas mais um tiro no porta-aviões, mas um submarino ao fundo.
Secundariamente, será interessante observar a evolução da carreira académica de João Andrade Peres, para ver a factura desta traição à Causa…
Por que será que não se vêem jovens linguistas a criticar a TLEBS? Estarão todos assim tão comprometidos com a Causa, ou reservarão as suas críticas para círculos mais restritos, para não empenharem as suas futuras e promissoras carreiras?
Dezembro 11, 2006 at 10:41 pm
Claro que sim, claro que o João Peres é o D. Sebastião! Se ele diz que todos os outros são maus – e todos os outros inclui o Celso Cunha, o Lindley Cintra, a Maria Helena Mira Mateus, a Fernanda Irene Fonseca, entre outros jovens – então só pode ser ele o salvador. Ainda bem que ele se fez encontrar, o país está salvo, Tróia não arderá…
Dezembro 12, 2006 at 7:25 pm
Genial, o comentário da Maria Junca! Leiam com atenção o João Peres, D. Sebastião. Eu passei o meu Domingo a ler a versão longa: propõe mais termos, propõe que não se fale de subordinantes, faz pelo menos três análises erradas na classe de palavras e na sintaxe. Vale mesmo a pena ler com atenção, para descobir o flop do catedrático.
Dezembro 13, 2006 at 1:15 pm
O João Peres não faz uma critica tão arrasadora como pretendem. Vejam:
“uma classe de quantificadores encontra justificação na ausência de identidade dos chamados “pronomes indefinidos”, que a introdução de “modificador”, noção transversal e unificadora, realça paralelismos estruturantes das línguas ou que a chamada classe dos advérbios algum dia precisará de uma mexida radical”
“são também de realçar vários elementos positivos em secções já, implícita ou explicitamente, contempladas na Nomenclatura, nomeadamente: na secção de “Fonética e Fonologia”, a maior atenção dada às questões de prosódia ; na secção “Representação gráfica da linguagem oral”, a inclusão de novos termos, relativos à escrita; nas Classes de Palavras, a inclusão da classe dos quantificadores e algumas reclassificações pertinentes, como a dos numerais ordinais (que de numerais nada têm, porque não envolvem números propriamente ditos, mas antes posições numa ordem) e algumas distinções no âmbito dos nomes (ou substantivos, se quisermos) e dos verbos; na Sintaxe, a introdução do conceito de tipo de frase, da função de modificador e da noção
de elipse; na Semântica Lexical, a inclusão das noções de hiponímia e hiperonímia,
de sigla e acrónimo e ainda de empréstimo; finalmente, na Semântica Frásica, em particular a tentativa (embora mal sucedida) de explorar conceitos em torno das noções de
tempo, de aspecto e de modalidade.