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David Bowie, Where Are We Now?

FNE não concorda com prova de professores, mas diz que “é inevitável”

E depois há esta forma de apresentar como “conquista” o que já tinha sido afirmado.

A FNE assegurou, após reunião com o Governo, que a contratação de professores não vai passar para a responsabilidade das autarquias, no âmbito do projeto-piloto que está a ser negociado com alguns municípios sobre transferência de competências para as autarquias, ao abrigo do programa “Aproximar Educação”.

Com sindicatos destes, não são necessários patrões.

Phosga-se!

Será que a FNE ainda tem 10.000 (5.000?) associados pagantes?

Letrados e reaccionários

A área da Educação é aquela em que o desgoverno PSD/CDS – à excepção de um cheque-ensino às claras, embora ele vá avançar de modo indirecto – mais parece determinado em levar o seu anti-PREC ao máximo das suas possibilidades, por forma a tornar muito complicado desmontar toda a asneira feita.

Foram aproveitadas todas as portas abertas por Sócrates e foram escancaradas de par em par, ao mesmo tempo que se foram e vão abrindo outras, por onde todo o folclore fandango irá entrar de armas e bagagens.

O objectivo é tornar o sistema educativo de tal modo desregulado nas matérias que mais interessam a certos grupos de interesses que será muito difícil fazer regressar alguma sanidade a um sector que está a saque há coisa de uma década.

Há uma enorme clivagem entre os estudiosos da coisa e os que vivem a coisa. E por coisa, entendam-se as aulas reais do Ensino Básico e também Secundário.

Dizem-nos os estudiosos, quando descrevemos o quotidiano, que produzimos narrativas, que são fragmentos de um real localizado que, por si mesmos, têm um valor relativo, pois é necessário integrá-los num grande plano, que transcende as experiências individuais.

Até hoje ainda não percebi se um quadro estatístico ou uma conceptualização muito sofisticada, por si mesmos, substituem a realidade das aulas, o concreto das narrativas que nos acusam de produzir, dizendo isso sempre com um tom de paternalista condescendência que, não raro, desperta o mais killer do meu instinct.

Dizem-nos ainda outros, quantas vezes cheios de boas intenções, que devemos assegurar o sucesso a todos os alunos, não excluir, preparar as aulas até para o mais renitente dos renitentes que por lá aparecem.

Sim, concordo, mas por vezes, a faceta de entertainer que somos obrigados a assumir para chamar a atenção dos tais renitentes, toda a criatividade que colocamos no ensino dos advérbios ou da batalha de Aljubarrota, podem fazer-nos alienar a metade da turma que até se sente confortável com uma aula mais convencional e que sente que parecemos só estar preocupados em incluir 2 ou 3 estarolas, enquanto prescindimos de prestar o melhor serviços aos 12 ou 13 (ou mais) que até estão lá para fazer algo mais conservador (porque os miúdos são mais conservadores do que se quer fazer acreditar, em especial quando precisam de segurança para se expressarem).

E depois há ainda os especialistas do sucesso e da indisciplina como mito, que nos querem fazer acreditar que é possível dar uma aula inclusiva, a todos os diferentes e os iguais, enquanto existem micro-fenómenos de falta de civilidade básica, o arroto destemido, a conversa sempre que apetece, a esferográfica atirada pelos ares para o colega só porque sim, o exibicionista mexer constante no estojo das 36 canetas que produz aquele agradável ruído de fundo a qualquer aula que se baseie numa comunicação entre 25 ou 30 pessoas.

Porque tudo isto são gotas e todos nos dirão que não são indisciplina propriamente dita, que não são razões para registar ocorrências disciplinares, que não são motivo para excluir este ou aquela da aula.

Mas…

Experimentem lá estar 90 minutos (ou várias vezes 90 minutos ao dia) a levar com uma gota de água na testa ou a cair de uma torneira, de poucos em poucos segundos, e digam-me se não mói… se não produz um estado de espírito de pré-ruptura da paciência.

Podem ensinar-nos exercícios de respiração para relaxar, técnicas de meditação para nos abstrairmos, até estratégias mais “activas” para desarmar as situações, mas há (quase) sempre um momento em que… não há conceptualização que sirva para lidar com os sujeitos das narrativas.

E depois não chega falar em burnout e coisa e tal, porque já é tarde e já lixámos muita gente na base do coitadinhos-das-crianças e do teacher-leave-the-kids-alone a cheirar mofo e com o vinil riscado.

(E nem é bom falar da parte em que, quando confrontados os responsáveis familiares com situações já mais gravosas do que a gota de água, ou ouvimos um risinho apatetado do “são crianças, o que quer?” ou o mais lacrimoso “diga-me o que fazer que eu já não sei como lidar com el@”.)

(E nem é bom falar daqueles que relacionam directamente estes comportamentos com minorias étnicas ou culturais, quando não entram mesmo por designações equivalentes ao british white trash, pois eu poderia apresentá-los a exemplos de maiorias étnicas sem especiais problemas, cujo prazer é conseguido através de shots de destrambelhamento e cujo gozo é conseguido, desde cedo, ao ver o resultado do mal por si feito de forma consciente e voluntária em colegas, funcionári2s e professor@s.)

 

por causa da iniciativa do lello e do couto.

Mas, vamos lá a ver… o que se esperaria da confluência de tão notáveis senadores da nossa República?

Já pensaram bem de quem estamos a falar?

Já pensaram bem no que eles fizeram efectivamente pela República e em todas as honrarias e assentos que receberam em troca?

Estamos a falar de estimáveis senhores que fizeram vida encavalitados nos acessos permitidos pela política, que invocam direitos adquiridos para eles mas os negam aos trabalhadores (qualquer deles foi defensor das políticas de austeridade dos respectivos partidos), que falam em expectativas de vida mas colaboram no seu corte a muitos milhares de desempregados e beneficiários de prestações sociais.

Para memória futura, quando a senhora deputada Isabel Moreira (a face fotogénica desta vergonha) aparecer a criticar isto ou aquilo com ar muito indignado, lembrem-se sempre da forma como ela, de forma demagógica, mistura no mesmo saco coisas muito, muito diferentes. Ser “político” não é emprego, ser deputado ou secretário de Estado 8 ou 12 anos não equivale a 30 ou 40 de uma carreira profissional.

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