Fica aqui o texto que a colega Isabel Guerreiro me enviou, assim como para alguns órgãos de comunicação social sobre a relação entre a Música e a Matemática:

Em ficheiro pdf: musicamatematica

As mentes simples na antecâmara da fama que viria logo a seguir. Com um vídeo completamente early eighties.

David Shanahan*, The New Yorker, 5 de Maio

(* Alguém que espero não me queira ameaçar judicialmente por aqui destacar o seu trabalho.)

Li a generalidade dos comentários a um post de hoje à tarde e lá encontrei dois velhos argumentos contra quem critica os sindicatos:

  1. Só pode criticar quem lá está dentro.
  2. Quem critica só ajuda a enfraquecer a posição dos sindicatos.

A isso respondo de forma breve:

  1. Se assim é, não percebo como é que quem não é do PS pode criticar a sua acção no Governo.
  2. Se assim é, que espaço existe para a liberdade de expressão dos docentes não sindicalizados? Só podem criticar o ME?

A publicação, nos últimos dias, na blogosfera das 96 teses para avaliar a excelência do desempenho escolar está a provocar algumas perturbações e reacções que acho precipitadas, que abordarei em outra altura depois de analisar de forma ponderada todas as reacções dos envolvidos (queixoso e intimados).

Por enquanto não encontro razões válidas para alterar nada do que foi postado no Umbigo. Mas a discussão seguirá logo que oportuno.

Ministério aponta falhas a seis manuais do 9.º ano

Sobre a questão dos manuais e dos «erros e imprecisões» muito haveria a dizer. De qualquer modo acho que pouco tem sido feito para que os manuais deixem de ser, cada vez mais, objectos de marketing pelas editoras. As condições em que são elaborados - been there, done that - nem sempre são as melhores para os autores, assim como é pouco clara a política do ME neste aspecto, desde a falta de um efectivo controlo de qualidade até uma flutuação na calendarização das adopções que também prejudica o trabalho das editoras e dos próprios docentes para os seleccionar, pois não é raro terem alguns dias ou um par de semanas para passar em revista 20 manuais.

Agora uma coisa eu acho que posso garantir: não são erros de detalhe em alguns manuais que explicam o insucesso escolar galopante na disciplina de Matemática ou em qualquer outra. Por experiência o digo, pois muitos dos erros existentes em manuais de todas as disciplinas são, por regra, corrigidos pelos docentes que os utilizam.

O que me parece é que querem achar, a qualquer preço, bodes expiatórios para o insucesso escolar.

Adolescentes enviam em média 236 sms por semana

(…)
Questionados sobre a posse de telemóveis, a grande maioria dos pré-adolescentes (93,3%) afirmaram ter um, enquanto no grupo de colegas mais velhos todos possuíam telemóvel. Curiosamente, em ambos os grupos, os aparelhos tinham, na sua maioria, câmara (78% nos pré-adolescentes e 87,4% nos adolescentes). Por outro lado, a maioria dos alunos de ambos os grupos já possuía telemóvel há muito tempo 69% dos pré-adolescentes tinham começado a usar antes do ano de 2006, enquanto os adolescentes já os usavam desde antes do ano 2002.
Curiosamente, 36,5% dos alunos do 6.º ano de escolaridade já tinham tido mais de três telemóveis. O mesmo acontecia a 77% dos adolescentes.
Quanto ao envio de sms, os investigadores apuraram que os pré-adolescentes enviavam uma média de 84,2 por semana. Já os colegas mais velhos, superavam as 235 sms por semana.

Isso não chega a 35 por dia, não é quase nada. Se tirarmos as horas de sono, dá para aí duas por hora. Eu acho pouco. Por observação directa que mandam 236 por dia. Mas é a tal história da média. Há uns quantos info-excluídos que não mandam nenhuma, mais os que ficam sem saldo logo na 2º feira.
Como há umas semanas um conhecido especialista e opinador sobre hábitos da adolescência, explicava que este método tinha vindo substituir a troca de mensagens em papel, vejam o lado bom da coisa: são florestas inteiras que se poupam graças a este método.

Agora a mim resta-me ainda um desconsolo adicional: ou esta malta tem uma mesada superior ao meu salário mensal ou é urgente que eu mude de tarifário, porque ao preço que pago os sms isto dá quase para pagar uma mensalidade do crédito à habitação.

E o vídeo original de 1980 aqui.

Pelos vistos, os sindicatos andaram mesmo aos papéis durante muito tempo - já o sabíamos, mas é bom confirmá-lo - e perderam completamente o comboio da contestação ao ME até conseguirem um balão de oxigénio com a manifestação de 8 de Março e depois com o entendimento com o ME.

No fundo, e eu até achei que o entendimento não foi necessariamente negativo e dei-lhe o meu apoio sob reserva, ME e sindicatos queriam era normalizar a situação.

  • O ME condescendeu e reconheceu aos sindicatos um papel que lhe negara durante três anos, com o objectivo que eles passassem a enquadrar a acção contestatária multipolar dos professores. Reconhecendo aos sindicatos o direito a estarem presentes em organismos de que antes estariam arredados - substituídos por um Conselho de Escolas que se mostrou meio indócil - o ME precisou dos sindicatos para acalmar os docentes e neutralizar a parte tradicional da contestação.
  • Os sindicatos precisaram de ter uma espécie de vitória simbólica para exibir, assim como de recuperar o protagonismo que estavam a sentir ter perdido desde 2005. Incapazes de reagir em seu tempo, os sindicatos uniram-se no sentido de mostrar uma frente única ao ME mas também aos docentes, globalmente fartos do modo de agir de um sindicalismo acomodado, sem imaginação e em risco de ser thatcherizado pela equipa do ME.

Aquilo a que se assiste agora é a uma tentativa dos sindicatos esvaziarem as formas alternativas de organização dos docentes e, nesse sentido, as declarações de João Dias da Silva são bem elucidativas:

Muitos sócios nossos podem ter-se sentido motivados pelos blogues, pelos SMS, pelas mensagens desses movimentos que aliás, durante a contestação, deram um contributo para o reforço do debate entre as pessoas.
(…)
Mas é preciso referir que há diferenças radicais entre o funcionamento dos movimentos informais de cidadãos e os sindicatos. E que, em democracia, a legitimidade da representação dos trabalhadores pertence aos sindicatos e a mais ninguém.
(…)
Não devemos criar confusões com entidades amorfas, que não têm dirigentes eleitos. Prestam contas perante quem? E de quê? Nos sindicatos as opções não resultam de conversas de café ou de encontros na sala de professores, são o resultados de do funcionamento de órgãos constituídos democraticamente.

Vamos lá começar por dar uma pequena dose de anestesia: todos temos direito às nossas opiniões e a defender os nossos interesses, sendo que João Dias da Silva é pessoa que não conheço para além da exposição pública e até me parece ser alguém simpático, afável e com quem se pode tomar um café, desde que não discutamos questões de política educativa e sindicalismo (não é por mim, ele é que diz que isso não interessa). Nada me move contra ele ou a FNE, tirando as opiniões que ele veiculou nos últimos dias.

Por isso vamos lá à marretada mesmo em força, para ver se Dias da Silva e a FNE (mas não só eles) aprendem e/ou percebem alguma coisa do que se passou nos últimos meses, antes de pensarem que o casulo se recompôs e que a carneirada está de volta ao redil:

  1. Aqui eu mesmo só pertenço ao MIM - Movimento Individual Minimal - e a mais nada. E assim deverei continuar por muitos e bons anos, salvo colaborações pontuais com quem eu me sinta «confortável» em colaborar e vice-versa. De forma voluntária, nenhum sindicato ou organização me representa individualmente, porque a nenhuma organização eu acrescentei o meu nome como associado. E como eu, acho umas boas dezenas de milhar de outros docentes tresmalhados, independentes e não-alinhados.
  2. João Dias da Silva, com alguma candura e manifesta falta de jeito, afirma que sócios da FNE (e de outros sindicatos) reagiram «durante a contestação» a estímulos vindos de fora do movimento sindical. Ora bem, sem os blogues, os SMS e os movimentos informais as coisas nunca teriam sido o que foram, porque os sindicatos estavam com o traseiro pregado às cadeiras tamanha era a tareia que estavam a levar do ME. Pronto, está dito. Para além disso JDS coloca as coisas como se a «contestação» já não estivesse na fase do «durante». E é aqui que existe um divórcio radical entre a sua atitude e a larga maioria dos docentes. A contestação ainda está no «durante», mesmo se os sindicatos parecem ter ficado cansaditos com a jornada de 8 de Março e agora já estejam mais «confortáveis» novamente nas reuniões em gabinetes do CNE ou ME.
  3. Em democracia a representação dos trabalhadores não «pertence» a ninguém que não sejam os próprios trabalhadores. JDS parece ter conhecimentos algo simplistas do conceito e funcionamento da «representação» em democracia. Em especial com os sindicatos e outras organizações de inscrição voluntária, a representação não é totalitária. Os sindicatos têm a representação formal dos trabalhadores mas não a esgotam, em especial se os trabalhadores não se sentirem devidamente representados e optarem por outras formas de se manifestar e fazer representar. Lamento muito, mas a FNE representa os seus associados (quantos são, já agora?) de forma directa e mais ninguém. Ponto final. Posso estar enganado mas na FNE andarão, o quê?, 10% de todos os docentes? Corrijam-me se estiver enganado. E o mecanismo da representação «legítima» dos «trabalhadores» não se esgota nos sindicatos, mesmo falando estritamente em termos laborais. Ficamos esclarecidos, ou é preciso elaborar e desenvolver mais?
  4. Agora a questão de considerar «amorfas» as entidades que JDS associa aos movimentos (in)formais de docentes. Em primeiro lugar, há entidades formais de professores, de que a mais antiga é a ANP. JDS já informou João Grancho de que não pode falar em nome dos professores? Ou a recente APEDE? Eles também têm «órgãos democraticamente eleitos». JDS não sabe disso? Em segundo lugar, «amorfos» andaram os sindicatos durante muito tempo e só sob pressão das «bases» se mexeram para além do estritamente necessário. Julgará JDS que os docentes não sabem da absoluta desorientação que se apossara dos «órgãos democraticamente eleitos» da generalidade dos 163 sindicatos existentes, incluindo os que têm menos sócios inscritos e pagantes que os alunos da minha Escola? E já agora, será que os sindicatos, em vez de se fecharem em conversas internas, não fariam mesmo melhor em descer ás «conversas de salas de professores»? É que a razão do vosso descrédito é acharem-se detentores de uma sapiência extra só porque foram eleitos por uns quantos milhares de docentes e a partir daí podem funcionar sem os consultar. É como os governos que acham que só ao fim de 4 anos os eleitores podem reclamar de alguma coisa. Nesse aspecto a lógica da nomenklatura impera e é transversal a quase todas as organizações «não-amorfas».

Enfim.

Vamos crer que João Dias da Silva disse o que disse porque teve pouco tempo para preparar as suas declarações, estava com pressa e muitos afazeres sindicais e confundiu as coisas. Porque se o que ele disse corresponde efectivamente ao seu pensamento, estamos de volta à estaca zero em matéria de renovação do movimento sindical e a uma enorme confusão quanto ao conceito de «representação» que é imanente dos representados e não posse dos representantes.

Seria bom que não apenas João Dias da Silva mas todos os outros líderes sindicais, incluindo aqueles que 99% dos docentes não conhecem, percebessem o seu papel enquanto «representantes», necessariamente transitórios, de uma parte de um grupo profissional.

E que entendessem que esse seu papel desaparece quando perdem a confiança daqueles que afirmam representar.

Explicar isto de forma mais clara, só se o Antero fizer um desenho.

Os Empossados

Alguns presidentes de conselho executivo — agora nomeados “directores” pela varinha de condão — estão a viver autênticos dias de plenitude profissional nunca antes experimentada. Pelos indícios externos, parece um estado de alma semelhante ao dos adolescentes que acabam de descobrir os segredos do sexo: uma certa lascívia no exercício constante da autoridade “patronal” está a manifestar-se num “quero, posso e desmando” que tem tanto de provinciano como de ridículo: parecem maestros de banda filarmónica, caminhando à frente da trupe, enquanto gesticulam abundantemente, de peito emproado como generais. Depois do 25 de Abril mais triste dos últimos trinta e quatro anos e do 1º de Maio mais sorumbático — e até com o seu quê de “retro”— parece que voltámos ao tempo do medo de falar e dos laconismos cínicos: “porque sim”; “porque eu decidi”; “porque tem de ser”; “estou apenas a cumprir ordens”. Mas… «não nos interroguemos sobre os nossos superiores, porque eles têm preocupações que nós nunca entenderemos», como já se dizia no tempo da senhora dona ditadura.

Continua aqui.

Não é nada que não se saiba e não atinge apenas Presidentes de Câmara, mas igualmente vereadores e Presidentes de Assembleias Municipais. E em alguns casos gente muito activa no aparelho dos respectivos partidos que até já passou de forma quase sempre cinzenta e anónima por outras cadeirinhas do poder existente, sendo que esse poder é de todas as cores. E na maior parte dos casos aproveitaram todos os bónus previstos ou previsíveis em todos os regimes excepcionais da lei. Mas é sempre tudo legal, eu sei.

De acordo com estes dados, entre os aposentados cerca de 40% até estão abaixo dos 55 anos e eu sei, de conhecimento directo, dos que assim ficaram livres da carga do trabalho, antes mesmo dos 50 anos.

Por isso, poderá ser que com a municipalização dos serviços educativos - que entre nós será um triste simulacro de uma efectiva territorialização das políticas educativas - os professores possam aprender algumas estratégias de sobrevivência. Ou então, graças à maneira hábil como muitos souberam aproveitar-se de todas as reentrâncias das leis, ficaremos na chamada camisa de onze varas porque eles já a sabem toda e não gostam de partilhar a boa vida.

Porque isto não é demagogia, mas pura e simples observação dos factos: não há notícia de Presidente de Câmara com um par de mandatos que não tenha ficado acomodado para o resto da vida, seja num cargo qualquer numa espécie de empresa (inter)municipal, num organismo intermédio do Estado ou (os que ainda não se safaram, previsivelmente numa estrutura decorrente da disfarçada regionalização administrativa do país.

Demagogia é, isso sim, alguns destes senhores aparecerem a reclamar competências sobre um sector acerca do qual pouco conhecem ou já se esqueceram (sim há Presidentes que já foram professores) e que apenas querem ter sob a sua alçada para melhor estenderem os tentáculos dos polvos partidários locais e exigirem obediências variadas.

Há excepções, claro que há excepções e conheço até algumas, mas são isso mesmo, excepções.

Now I sit by my window
And I watch the cars
I fear Ill do some damage
One fine day
But I would not be convicted
By a jury of my peers
Still crazy after all these years
Oh, still crazy
Still crazy
Still crazy after all these years

E esta também não é nada de se deitar fora.

O NEGÓCIO DA AVALIAÇÃO DE PROFESSORES COM O BENEPLÁCITO DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

Chamo em especial a atenção para as 96 condutas propostas pelo guru fatal da formação do INA sobre a avaliação dos docentes, as quais passo a transcrever para divertimento geral. Para quem achava que as grelhas do ME eram um perfeito delírio, ponham-me os olhos nas teorias deste experto e digam-me lá se não há gente que deveria ser vacinada em pequenina contra a burocratite galopante. E há quem ande a pagar 200 euros para aprender isto!

Destaquei a vermelho e verde apenas alguns dos disparates (alguns não passam de adaptações canhestras de coisas recolhidas em obras sobre gestão de recursos humanos para tótós) e assinalei a azul uma repetição óbvia que deve ter escapado á argúcia do elencador de parâmetros a metro.

CONDUTAS
1.
É pontual.
2. Disponibiliza-se para actividades que ultrapassam obrigações horárias/profissionais.
3. Cumpre prazos .
4. Quando trabalha em equipa é um elemento participativo e não conflituoso.
5. Zela e preserva material/equipamento escolar.
6. Proporciona ambiente calmo, propício à aprendizagem.
7. Numa reunião tem uma atitude de colaboração e de entreajuda.
8. Manifesta opinião própria e construtiva relativamente a assuntos debatidos.
9. Não gera mau ambiente no local de trabalho.
10. Evita banalidades e perda de tempo.
11. É receptivo à mudança.
12. Dá sugestões / tem opiniões críticas para melhoria de serviços.
13. Faz formação de acordo com o projecto educativo da escola (1/3).
14. Faz formação na sua área específica (2/3).
15. Disponibiliza-se para apoiar os alunos após as horas lectivas, sempre que considere necessário.
16. Regista e avalia o cumprimento das actividades planificadas.
17. Estabelece planos de acção para corrigir desvios.
18. Apoia o desenvolvimento de métodos de aprendizagem / estudo.
19. Estabelece e faz respeitar regras de convivência, colaboração e respeito.
20. Aplica os critérios de avaliação aprovados pelos órgãos competentes.
21. Cumpre o horário - substituir parâmetros de assiduidade
22. Mantém a calma perante uma situação de tensão com alunos, professores ou pais.
23. Mantém limpo e arrumado o local de trabalho.
24. Oferece-se para ajudar em outras áreas que não a sua quando é necessário.
25. Predispõe-se para ajudar as pessoas aquando da necessidade de urgência no serviço
26. Conhece o PE da escola, a missão e a visão da escola.
27. Utiliza correctamente os equipamentos.
28. Verifica o estado dos equipamentos antes e depois da sua utilização.
29. Zela pelo cumprimento do regulamento interno da escola.
30. É educado e cordial com todos os elementos da comunidade escolar
31. Perante uma situação determinada, apresenta diferentes alternativas como solução.
32. Comunica por escrito ao conselho executivo sugestões a implementar (por ex:com base na análise de melhores práticas de outras escolas ou organizações) que ajudam a garantir um serviço de mais qualidade.
33. Mantém a confidencialidade e discrição perante determinadas situações.
34. Recolhe diferentes opiniões ou sugestões procurando criar sinergias com os seus colegas com a mesma função.
35. Colabora / age no sentido de proporcionar um bom clima de escola.
36. Resolve situações de conflito sem ter que solicitar ajuda extra.
37. Assiste a aulas de colegas sempre que considera útil.
38. Permite que outros colegas assistam a aulas suas.

39. Actua de forma rápida e eficaz, de acordo com critérios predefinidos, dentro das acções previstas nos processos de trabalho em que está envolvido
40. Age com assertividade e discernimento, encontrando as soluções mais pertinentes para cada situação, apresentando-as ao respectivo responsável hierárquico.
41. Analisa problemas e toma decisões relativas a rotinas de trabalho, não necessitando de apoio superior.
42. Avalia sistematicamente os resultados que se propõe atingir e reformula as actividades para atingir os resultados de forma mais eficaz.
43. Cumpre prazos.
44. Transmite a sua opinião de forma racional e controlada.
45. É receptivo à mudança e envolve os seus pares para melhorar a sua área, a dos outros e a escola no seu todo, não se opondo às questões.
46. Quando é chamado a desenvolver outras actividades, encara sempre a situação de uma forma positiva, predispondo-se para actuar.
47. Revela empenho no desenvolvimento das tarefas, realizando-as antecipadamente.
48. Toma decisões e assume a responsabilidade não jogando a culpa dos problemas para cima de outros.
49. Sugere soluções inovadoras, antecipando a ocorrência de problemas.
50. Gere com eficiência todos os meios existentes na escola.
51. Procura todas as oportunidades de formação de forma a alargar conhecimentos específicos relativos à área da sua intervenção.
52. Propõe actividades com vista à modernização e desenvolvimento da comunidade onde se integra (extravasando os limites da escola).
53. Supera as expectativas do grupo com contribuições activas de desenvolvimento, motivando estes a seguir o exemplo, oferecendo ajuda e dando opiniões construtivas (não havendo rejeições das suas contribuições).
54. Assiste a eventos desenvolvidos por qualquer tipo de entidade.
55. Está ao corrente de situações e dificuldades de outras escolas desenvolvendo soluções na escola como prevenção.
56. Perante uma dificuldade na escola conversa com outros colegas que possam partilhar situações similares e sugere determinadas acções.
57. Traz à escola pessoas de assuntos de interesse partilhando experiências.
58. Desenvolve planos de acção para a implementação de melhores práticas pesquisadas e adequadas à escola.
59. Fomenta o networking interno e externo através de comunicações e actividades.
60. Analisa continuamente as tendências dos outros e procura implementar as melhores práticas para encontrar as melhores soluções.
61. Aplica a formação recebida nas tarefas que lhe são atribuídas.
62. Aproveita ideias de outras áreas ou de organizações semelhantes e adapta-as à sua.
63. Avalia sistematicamente os resultados que se propõe atingir e reformula as tarefas, no sentido da melhoria, ou seja, faz alterações ao previsto, para atingir os resultados de forma mais eficaz.
64. Consegue sinergias com outras áreas da organização no sentido de facilitar ou agilizar o serviço.
65. Identifica situações que fogem do padrão do controle previsto e apresenta soluções ao Coordenador no sentido de evitar possíveis problemas.
66. Organiza e coordena actividades consideradas por outras áreas como melhores práticas e incorpora-as com vista à superação dos resultados previamente estabelecidos, apresentando propostas ao Coordenador para superação de objectivos através de um plano de a
67. Orienta e planeia acções com uma visão partilhada que potencia a missão e os valores da organização.
68. Partilha técnicas, ferramentas e conhecimentos dentro da organização.
69. Partilha técnicas, ferramentas e conhecimentos fora da organização, por exemplo fazendo apresentações em congressos, palestras, etc
70. Partilha técnicas, ideias e recursos melhorando o trabalho em equipa através de aconselhamentos aos seus colaboradores.
71. Predispõe-se para ajudar as pessoas aquando da necessidade de urgência no serviço.
72. Procura todas as oportunidades de formação de forma a alargar conhecimentos específicos relativos à área da sua intervenção.
73. Sempre que verifica alguma anomalia mesmo que não seja da sua área sugere soluções simples mas concretas.
74. Contribui para a mudança planeando melhores práticas e tomando iniciativas, com base em projectos de autonomia e liderança, medindo o grau de satisfação de pelo menos 75% dos seus colaboradores através de pesquisas de satisfação rápidas
75. Apresenta por escrito propostas de soluções novas de problemas fora da sua área de trabalho e de actuação
76. Cria acções novas e motivadoras para a manutenção da disciplina na sala.
77. Cria e implementa novas formas e metodologias que favorecem a participação dos alunos na realização da aula.
78. Cria ferramentas de controle da sua actividade ou de outros dentro da organização que sejam simples mas resolvam os problemas de acompanhamento.
79. Cria instrumentos que proporcionam auto avaliação dos alunos com rigor e objectividade.
80. Cria novos métodos de estudo para os alunos, demonstrando a sua eficácia.
81. Cria novos sistemas ou metodologias nas turmas que estimulam o processo de ensino-aprendizagem.
82. Cria processos e critérios de avaliação e partilha com os avaliados, obtendo consenso e validação.
83. Desenvolve recursos inovadores para a realização de actividades lectivas.
84. É capaz de desenhar condutas observáveis dos colegas avaliados de forma simples e objectiva.
85. Envolve-se em projectos comunitários inovadores por iniciativa própria.
86. Estabelece mecanismos novos de seguimento ou acompanhamentos da implementação dos planos de melhoria negociados com os avaliados.
87. Executa um projecto de liderança inovador e consegue implementar ideias revolucionárias e estratégicas, envolve as pessoas nesses projectos não deixando de fora ninguém.
88. Inova com ideias jamais testadas em algum lado e prova que a organização poderá beneficiar disso.
89. O professor cria e implementa processos claros e reconhecidos pelos alunos para facilitar a sua disponibilidade e apoio aos mesmos.
90. Preocupa-se no desenho e implementação de novas ideias criadas por ele que ajudem a escola na redução do abandono escolar.
91. Propõe novas actividades com vista à modernização e desenvolvimento da comunidade onde se integra.
92. Quando apresenta os problemas apresenta também hipóteses de várias soluções criadas por ele, devidamente estudadas e analisadas e dá a sua opinião de como o problema pode ser resolvido da melhor forma.
93. Sugere novas estratégias para a resolução de problemas.
94. Sugere novos critérios que permitam fazer uma análise da planificação e estratégias de ensino para a adaptação ao desenvolvimento das actividades lectivas.
95. Sugere soluções inovadoras, antecipando a ocorrência de problemas.
96. Utiliza os resultados da avaliação dos alunos como base para criar novas formas de actividade lectiva que permitam desenvolver com eficácia e competência as atitudes dos alunos.

Adenda:

O Dr. Fatal Nogueira anda por estes dias e horas a distribuir ameaças por alguns blogues quanto à utilização do que ele chama uma «ferramenta» que não pode ser divulgada por causa de direitos autorais e etc. Não sei se ele já registou a patente da «ferramenta», mas a verdade é que o próprio parece que a assume como sua e a divulga nas suas acções de formação. De qualquer modo fica aqui a confirmação da aparente autoria e o facto de nenhum de vocês - malandros - poderem usá-la em vosso proveito. OK?

Não me parece que estivéssemos interessados, mas de qualquer modo aqui fica desde já menção quanto ao copyright.

Hora do óbito, digo, da adenda, 15.00, dia 11 de Maio de 2008.

‘Apito Final’: toda a investigação

Mas não desesperem que com os recursos prometidos muito poderá ser apenas um entusiasmo passageiro. Afinal estamos no país em que muitos arguidos poderosos não negam em tribunal terem praticado os actos de que são acusados, preferindo contestar os meios de recolha das provas.

Mau sinal. A FNE começa a queixar-se que perdeu visibilidade e tal e quer no futuro ficar mais tempo na fotografia.

FNE diz ter perdido visibilidade com plataforma sindical e quer acordos futuros que evitem supremacias

Isto não prenuncia nada de muito bom para a Plataforma Sindical. A menos que façam uma coisa muito simples que é terem um porta-voz rotativo. Mas depois ainda aparecem a discutir os minutos a quem têm direito na televisão e mais não sei o quê.

Francamente, isto são questões perfeitamente laterais e periféricas. A FNE está interessada em resolver os problemas dos professores ou em ter maior visibilidade em nome próprio? A FNE acha que consegue melhor sozinha do que acompanhada? Se assim é, façam lá o favor de apresentar propostas jeitosas para nós apreciarmos e batermos palminhas. Com jeitinho, mete-se uma cunha e a bandeira da FNE e João Dias da Silva até conseguem uns minutos de tempo de antena.

Se assim for, prometem que não fazem beicinho?

Bilu-bilu?

Apenas 48 horas depois de um dia passado numa Feira de Projectos Educativos. As minhas extremidades - na modalidade tímpanos e pés - estão perfeitamente arrasadas.

Mas estes bicharocos, tipo moinho de vento hiperactivo, eram simpáticos.

… quando a minha habitual fornecedora de jornais e revistas me diz que guardou uma revista para mim, «porque é daquelas que costuma levar e só veio uma» e depois me mostra uma publicação com a caricatura de um meco a urinar, enquanto é filmado por uma câmara de videovigilância .

Passada a primeira surpresa, noto que afinal é apenas o regresso da clássica L’Echo des Savanes que tinha interrompido publicação há uns tempos e agora reapareceu, toda convidativa.

Eu vou querer acreditar que a lembrança - efectivamente boa - se deve ao facto de eu ser um tipo cosmopolita à brava, francófono q.b., e que de quando em vez compra publicações francesas cultas que se fartam, tipo Lire, Magazine Littéraire, Le Nouvel Observateur, etc. Qualquer alternativa é capaz de me deixar com sérias dúvidas sobre a minha imagem pública.

Apesar da previsão do Fafe, ainda não é desta que caio nos Status Quo.

Desempenho das escolas vai beneficiar professores

Quotas de Excelente e Muito Bom irão variar entre estabelecimentos
O resultado da avaliação externa das escolas, que o Ministério da Educação está a conduzir, vai ter consequências na carreira dos professores que ali leccionam. Isto porque, segundo anunciou ontem o secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, os estabelecimentos que registem melhores desempenhos serão discriminados positivamente na percentagem de classificações de “Excelente” e “Muito Bom” que poderão dar aos seus docentes, sendo que estas notas permitem progredir mais rapidamente na carreira.
A revelação de Jorge Pedreira surgiu no final da primeira reunião da comissão paritária de acompanhamento do processo de avaliação, que inclui o Ministério e representantes de doze estruturas sindicais. O secretário de Estado explicou que as quotas para atribuição das melhores notas serão “muito aproximadas” das que se aplicam na generalidade da administração pública. Ou seja: os valores deverão situar-se nos 5% para as classificações máximas e 20% para as imediatamente inferiores. O governante admitiu, no entanto, que “haverá também, neste caso, majorações para as escolas que tenham melhor avaliação externa”.

Se é verdade que eu consigo achar uma pequena lógica neste tipo de raciocínio, que será a de compensar de forma mais ampla quem consegue obter melhores resultados, não é menos verdade que existe um conjunto de perversidades associado a este tipo de solução.

Isolemos rapidamente apenas alguns dos efeitos indesejáveis deste modelo:

  • O poder da IGE para condicionar o funcionamento das Escolas aumenta desmesuradamente pois, em última instância, é da sua avaliação que dependerão ao quotas para a classificação dos docentes. Claro que este tipo de mecanismo, não previsto na legislação em vigor, é perfeitamente contestável juridicamente, mas já sabemos que isso nunca impediu que o ME despachasse como bem entende e depois logo se vê se alguém se queixa e se os Tribunais lhes dão razão. Fazer depender as quotas de classificação dos docentes - já sendo esse um mecanismo injusto - da avaliação da IGE é compensar ou castigar os docentes de acordo com algo que lhes escapa por completo. Um docente pode ser excelente no seu trabalho individual, ou mesmo um grupo de docentes, mas globalmente a escola funcionar mal.
  • Para além disso este tipo de lógica não se afasta muito de uma situação de pressão mal encoberta sobre as escolas para que funcionem á imagem daquilo que a IGE e o ME pretendam, cortando margens de autonomia e liberdade e conduzindo todos para o mesmo rebanho de conformismo á força para com as ordens dos pastores. Ou seja, as Escolas poderão passar - em especial com o modelo de Direcção Executiva - a funcionar apenas para o «retrato» que a IGE lhes vai tirar. Este tipo de lógica teve resultados funestos, por exemplo, na Inglaterra.
  • Por fim, constata-se que, cada vez mais, os docentes serão classificados com base em critérios que não dependem em nada da qualidade do seu desempenho profissional. As classificações dependem dos resultados dos alunos, da avaliação externa das escolas, de observações de aulas baseadas apenas em questões formais, estando praticamente ou mesmo totalmente ausente qualquer preocupação com a qualidade científica dos conhecimentos transmitidos. O que significa que cada vez mais a tendência será para um simulacro de rigor, para a ficção da qualidade, para uma pura e simples representação administrativa e estatística do sucesso.

É interessante notar a importância relativa que parecem ter certos encontros para os respectivos parceiros. No caso da Educação é público e notório que pais/encarregados de educação e professores devem trabalhar em conjunto e não em confronto.

Pelo que o diálogo entre as respectivas associações representativas - mesmo que essa representatividade nem sempre seja a maior - é sempre positivo. Em especial se for estabelecido de forma franca e sincera, não sendo muito útil quando existe apenas para efeito de coreografia.

Isto surge-me a propósito das reuniões todas na 5ª feira pela direcção da Fenprof com a direcção de duas confederações de associações de pais (CONFAP e CNIPE).

  • A estratégia sindical parece ser a de demonstrar que, na esteira do entendimento com o ME, há todo um trabalho a fazer e que os sindicatos (neste caso a Fenprof) estão numa fase especialmente construtiva da sua história. Na página de abertura do site (quem ler isto muito mais tarde já não deve encontrar o que refiro, mas podem acreditar na mesma) dá-se conta das reuniões havidas, sendo depois dado destaque à existência de convergência de posições em alguns aspectos da actualidade educativa. Sou suspeito, mas acho que essa é uma mera convergência retórica, pois eu posso estar de acordo com alguém quanto à necessidade de mudar o tipo de legislação sobre a venda de parafusos, só que eu posso querer vendê-los em caixas de 100 unidades (todos com a cabeça para cima) e o meu interlocutor que sejam vendidos à unidade ou em paletes de 10.000 (todos na horizontal). Existir uma convergência quanto á necessidade de alterar algo é algo potencialmente irrelevante e inócuo. Percebo ainda a forma da Fenprof querer colocar a CONFAP e a CNIPE em plano de igualdade no diálogo. É um truque interessante, mas tão só isso.
  • Já no caso das confederações de pais nota-se que para a Confap, a avaliar pelo seu site, a reunião nem existiu. Em termos de agenda percebe-se que o Pai da Nação tirou a 4ª feira para falar com os comunas, mas tão só isso. Claro que os destaques vão para a ida à Assembleia da República. Percebe-se que a relação preferencial se estabelece com os órgãos de poder - os verdadeiros parceiros preferenciais; o resto são formalidades a cumprir, a bem das conveniências democráticas. Não se vai negar uma reunião aos descamisados, pois não? Ficaria mal! Quanto á CNIPE, ainda uma estrutura semi-virtual, em processo de arranque, só quase se conhecem as posições de princípio, não existindo um espaço próprio.

O que extrair disto? Para mim, que a Fenprof faria bem melhor em perceber o que quer fazer neste momento, em vez de andar à cata de convergências em que ninguém verdadeiramente acredita.

Quanto ao MAP seria bom que percebêssemos exactamente se quer mesmo colaborar com os professores no sentido de melhorar a Educação deste país, se se assume como simples lobby junto do poder político para fazer valer as suas posições específicas.

Next Page »