A crítica das convicções, o papel da educação

Talvez Ricoeur tenha hoje uma particular actualidade (A crítica e a convicção. Ed. 70, 2009). Nascemos e crescemos em contextos marcados por valores, aprendemos desde cedo o que é bem e o que devemos fazer e, por isso, pode dizer-se que todos temos quadros morais que orientam e determinam as nossas acções.

Nesses quadros, é relevante o papel das convicções (valores histórico-culturais, tradicionais, religiosos….), por se tratar de crenças fortes, de algo de tal modo estabilizado em nós que já não questionamos à hora de agir; portanto, valores que gerações sucessivas consideraram como referências quasi objectivas e que, também, valorizaram e transmitiram.

Mas, ainda assim, não são inquestionáveis, não são da ordem do racional, têm de ser postas em causa sempre que entrem em conflito com os princípios universais do humano (liberdade, autonomia, respeito), o que acontece quando radicalizam em posições de princípio, sem considerar as crenças e as convicções dos outros.

A convicção não impede a minha razão, não impossibilita a minha capacidade de pensar, de ouvir, de reagir, de ser solidário, de ter sentimentos, de saber o que é o bem e o mal…, assim, nunca pode ser um fundamentalismo, tem de incorporar a ponderação e a crítica aberta e plural.

O fundamentalismo islâmico que está a recrudescer de forma tão violenta e tão inusitada (quem é que estava à espera de uma coisa assim? Talvez os mais avisados sobre estas questões, mas não o comum das pessoas) coloca, obviamente, muitas críticas e muitas perplexidades:

- Por que é que estamos a assistir a isto, depois de tanta racionalidade, de tantos universais reconhecidos (Declaração Universal dos Direitos Humanos, Tratados Internacionais, Protocolos adicionais…)?

Haverá muitas perspectivas de análise, mas, desde logo, é possível dizer que esses grupos extremistas não reconhecem nem os direitos humanos, nem o direito internacional…, radicalizam tudo na religião que não questionam.

- Por que é que islâmicos moderados aderem à ideologia extremista e passam a carrascos dos próprios vizinhos e conhecidos, com quem até há pouco dividiam um quotidiano pacífico?

Na verdade, passar de moderado a extremista é a mesma lógica, se radicalizamos numa ideologia, só isso interessa.

- De onde lhes vem o dinheiro para se armarem até ao ponto a que estamos a assistir?

Não se sabe, haverá meandros subterrâneos, mas uma coisa é certa ou a diplomacia internacional arranja maneira de não confundir interesses com valores e traça linhas vermelhas claras ou o trágico a que assistimos perdurará por muito tempo.

- O que leva jovens que não nasceram nessas culturas, nessas tradições a converterem-se a elas e a serem tanto ou até mais extremistas que os outros?

A aderência de jovens ocidentais mostra, por um lado, a ausência de convicções próprias, não colocam nada em confronto, aderem de forma não reflectida, não mediada; por outro, mostra que há falhas nos sistemas educativos das sociedades em que vivem e supostamente foram educados, não estão preparados para pensar pela própria cabeça.

Um dos grandes desígnios da educação, em geral, tem de ser o de dar ferramentas para aprendermos a viver com os outros num mundo global. Claro que se pode dizer que nem tudo cabe à escola. Certamente, mas cada um faça o que têm de fazer.

 

Maria Rosa Afonso

Basílio Horta ameaça protestar à porta do Ministério da Educação

(R)Foto0266

J. Geils Band, Freeze Frame

das fórmulas é não serem elegantes.

 

 

O Chelsea está a ganhar com justiça.

O Rui Patrício fez quase tudo bem.

O Sporting precisa de um central que chefie aquela defesa.

O William Carvalho precisa de comer mais sopa e mexer-se mais depressa para ter dimensão europeia.

O Nani tem essa dimensão há muito e o Adrien, o João Mário e Jonathan vão a caminho.

Conferência Perspetivas da Língua Portuguesa na Universidade do Minho

Programa da conferência e outras informações:

http://observatorio-lp.sapo.pt/pt/programa-conf-minho

Inscrições na conferência:

http://observatorio-lp.sapo.pt/pt/inscricao-conf-minho

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