Hoje, dia 22 de Dezembro, a 9 dias do final do ano civil de 2009, data em que todas as fases do 1º ciclo de avaliação do processo não suspenso de ADD deveriam estar concluídas, há escolas e agrupamentos que não comunicaram a classificação a nenhum professor – e nem sequer falo de quem não entregou OI -  impedindo assim que eventuais recursos possam ser apresentados em prazo útil.

Gostaria, por isso, que quem está em tal situação, possa neste post oidentificar escolas e agrupamentos onde isso se passa. Eu poderia começar por identificar já alguns casos, mas depois ainda me acusavam de fazer uma caça às lideranças indecisas.

VENI, VIDI, VICI…

OI’S – Afinal…

Concluiu-se um processo. Como não podia deixar de ser. Fez-se alguma justiça dentro de um procedimento injusto – o modelo que se impôs implementar neste 1º ciclo de Avaliação de Desempenho dos Professores.

Impôs-se implementar, num dado momento, noutro já não poude ser assim. Porque tudo o que começa acaba e foi breve o momento em que tudo se lhes foi permitido. Até a ilusão de que podiam ultrapassar a Lei ou a Constituição.

Mas não.

Abusus non est usus, sed corruptela.

Não foi necessário mais demandas do que esperar que justiça se fizesse por si mesma. Tende a acontecer quando há  algum equilíbrio. Gaia, a Grande Mãe, Deusa da Terra,  é sensata, cuida desse eterno equilíbrio onde a justiça é um dos valores fundamentais.

Ainda assim e analisando certos procedimentos nesta última recta final, este gorgolhar moribundo, estertor definitivo, especíiicamente no que respeita ao caso dos professores que não entregaram Objectivos Individuais e no meu caso concreto, foi ainda necessário enviar à Direcção uma minuta com um pedido de esclarecimentos e o resultado da AD (artº 61 do CPA) uma vez que o sr. Director considerou dúbio o conteúdo da mensagem da Sra Ministra da Educação no que respeitava a este assunto. Teria, assim, 10 dias para responder. E assim o fez, como não podia deixar de ser.

Recebi uma carta simples pelo Correio com o resultado da minha avaliação e um post-it amarelo com a mensagem manuscrita: “Por favor, devolver o original ao Agrupamento. Obrigado”. …

Tive Bom com 10, sem OI’s entregues. (não aproveitei a oportunidade para pedir para ser avaliada em duas aulas assistidas – avaliação da componente pedagógica)

Os meus colegas que, como eu, não entregaram OI’s, obtiveram a mesma classificação (também não aproveitaram a mesma oportunidade).

Não faço mais comentários. Não são necessários…

Acabo apenas afirmando que, para mim, sempre foi límpido o caminho a percorrer, por duro que se apresentasse. Se num primeiro momento fiquei contente com este desfecho, num outro fiquei vazia e invadiu-me a tristeza.

Preferia que tudo isto nunca se tivesse passado. Preferia que tudo isto nunca se tivesse podido passar…

Veni, vidi, vici sim, só para que se saiba, só para que não se esqueçam…

Porque a História tende a repetir-se.

Sílvia

Professora, com muita honra

Tenho de começar a fotografar outras coisas, estou a ficar chato.

Emiliana Torrini, Heartstopper

O assunto é complicado e merece análise com cabeça mais liberta da ganga dos últimos dias do período lectivo, reuniões e outras formalidades incluídas.

Mas é bom que se perceba que nestes últimos 3 anos tivemos dois processos de transição na estrutura da carreira e que se avizinha outro. Primeiro foi a passagem do modelo antigo para o do decreto-lei 15/2007, que criou a polémica da divisão na carreira. Depois veio a passagem do 15/2007 para o 270/2009, processo de reposicionamento esse que estou cansado de chamar a atenção para que os colegas peçam para fazer o mais rapidamente possível, no sentido de perceberem exactamente em que ponto da carreira estão neste momento. E quando falo no ponto da carreira, vamos ser claros, falo no índice remuneratório correspondente e não para o ordinal do escalão de professor ou titular.

Isto tem interesse, por exemplo, ao nível, por exemplo, dos 3º, 4º e 5º escalões de professor que pelo 15/2009 se completavam após 15, 19 e 23 anos de serviço e pelo 270/2009 se completam ao fim de 12, 16 e 18 anos de serviço. Isto significa que um professor com mais de 18 anos de serviço estaria, pelo 15/2007, no 4º escalão da carreira de professor, mas que agora estará no 6º pelo 270/2009, a menos que eu esteja a ver muito mal (é a diferença entre o índice 218 e o 245).

Mas este é apenas um exemplo da importância que o reposicionamento pode ter para muita gente, mas que por vezes alguns esquecem, pensando que a transição para a carreira única é que interessa a partir daqui.

Não, por acaso é bem importante que cada um perceba exactamente em que ponto da carreira está e em que índice salarial deve ser reposicionado, pois será esse o índice que funcionará para a transição para a tal carreira única de (novamente) dez escalões, pois como aqui se lê, da transição de modelos de carreira não pode resultar perda de remuneração.

Ora se, por distração, alguém se deixar estacionar num índice de remuneração abaixo do que deve, depois é mais difícil restabelecer a situação correcta.

Quanto à carreira em negociação, é isso mesmo, está em negociação. Não está aprovada. Apesar da eliminação da divisão da carreira em duas categorias, algumas das suas propostas são gravosas em termos de progressão e não entendo como é que há quem já pense nesses moldes, sem entender que neste momento a prioridade é que cada um saiba em que ponto está para poder saber para onde vai.

E, já agora, leiam com atenção os pontos 4 e 6 da proposta do ME. Só para que tudo fique encaixado e não reajam ao ouvi dizer que.

… e muito menos a ir mais longe. Aliás, este tipo de declarações, assim a atirar para o cliché vazio, a esta altura do ano, poderiam era fazer-me ir mais longe em algumas observações que poderiam roçar a rudeza, pelo que me fico por este mero registo.

Avaliação: quotas estimulam professores

Ministra da Educação considera que leva docentes a quererem «ir mais longe»

De acordo com os dados do ME existem perto de 115.000 professores nos seus quadros. Parece-me um valor baixo, pois está longe dos quase 150.000 que se diz estarem em exercício. Isto significa que andarão pelo sistema de ensino cerca de 20% de docentes contratados ou mesmo mais.

No contexto dos quadros, nota-se uma divisão entre 73,6% de professores e 26,4% de titulares que, no caso destes, têm uma distribuição interessante, pois quase 50% correspondem a docentes no índice remuneratório 340 (antigo 10º escalão, actual 3º de titular), embora o total desses docentes represente menos de um terço dos que estariam em condições para serem titulares.

Eu sei que estas contas são feitas de modo muito grosseiro, mas uma primeira constatação contraria algumas ideias pré-concebidas na altura do concurso para titular. Supunha-se então que quem estava no 10º escalão, por não ter margem de progressão, nem poder ser muito penalizado, não teria grande estímulo para concorrer.

Ora o que se nota é que quase 90% dos docentes nesse escalão/índice transitaram para titulares. Mesmo descontando o peso das aposentações é um valor muito alto em relação aos escalões abaixo (menos de 45% para o índice 299, antigo 9º escalão e menos de 40% para o índice 245, antigo 8º escalão).

Todos estes docentes (cerca de 15000) encontram agora pela frente a possibilidade de ascenderem a um novo patamar: o índice 370 do actual 4º escalão de titular, futuro 10º escalão da carreira única.

Parecendo que não, é muita gente…

Tenho aqui o quadro oficial do Ministério com a distribuição dos 114970 docentes integrados na carreira em Novembro de 2009, 84600 como zecos e 30370 como titulares. Os números parecem-me muito redondos mas tudo bem.

Mais logo já apresentarei os números todos, mas desde já deixo a nota curiosa de nos índices remuneratórios 245 e 299 (antigos 8º e 9º escalões que dariam acesso à titularidade) serem muito mais os que ficaram como professores rasos do que os que conseguiram ascender ao Olimpo do título.

Já no índice 340 (10º escalão antigo) a situação é a inversa.

Acabei a minha temporada de avaliações. Não me portei tão mal quanto é hábito, mas só tenho PCA. Bonito, bonito vai ser levá-los em Maio a fazer provas de aferição de LP com menos 45 minutos semanais do que as turmas regulares.

Quanto a HGP, com 90 minutos por semana, resta-me esperar que eles percebam que houve mundo antes dos telemóveis e dos leitores de mp3.

Já foram vendidos 400 mil ‘Magalhães’ no Mundo

A J. P. Sá Couto, empresa que produz o polémico computador,  vendeu tantas unidades no estrangeiro como as que foram adquiridas para as  escolas nacionais. O Tribunal de Contas está, entretanto, a investigar a Fundação para as Comunicações Móveis, que gere o projecto. Apesar de tudo, o  ‘Magalhães 2′ vai de novo a concurso e já tem concorrente: o ‘Latitude’ da Dell.

Este ano já se venderam quase tantos Magalhães no estrangeiro quanto os que já foram vendidos em Portugal para o programa e-escolas e e-escolinhas. Os negócios correm bem para a J.P. Sá Couto, que em Portugal está envolvida em várias polémicas.

(…)

A empresa que produz o portátil vendeu, em 2009, 370 mil unidades do polémico computador versão um e dois, 350 mil dos quais para a Venezuela e 20 000 para a Rússia, Namíbia, Angola, Brasil, Espanha e Moçambique. Ao todo, no estrangeiro a empresa já facturou este ano 70 milhões de euros, dos quais 69 milhões na Venezuela. Apesar de neste país, ter sido cumprida apenas a primeira fase de um acordo que prevê a compra, por parte daquele país de um milhão de computadores à J. P. Sá Couto, explicou ao DN o gestor.

É útil saber que é vice-presidente da bancada parlamentar do PS e um dos vultos que tem surgido com alguma notoriedade nos últimos tempos nas manobras de spin político.

Quanto ao resto, acho que a sua decisão é bastante bem ponderada, até porque a ilha de São Miguel é pequena.

Ricardo Rodrigues não vai recorrer de decisão da Relação

Justiça ilibou jornalista acusado de difamação e injúria. Vice-presidente da  bancada do PS diz  que o que “os tribunais decidem, está decidido”.

O vice-presidente da bancada do PS no Parlamento nacional, Ricardo Rodrigues, garantiu que não vai apresentar recurso da decisão – proferida primeiro pelo Tribunal de Ponta Delgada e ratificada recentemente pelo Tribunal da Relação de Lisboa – de não pronunciar o jornalista Estêvão Gago da Câmara pelos crimes de difamação e injúria contra a sua pessoa.

Em causa está um artigo de opinião publicado pelo jornal Açoriano Oriental, a 5 de Janeiro de 2005, a dar conta de que Rodrigues estaria associado a um ‘gang internacional’, na sequência de um processo, que remonta a 1997, de burla qualificada e falsificação de documentos em Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel.

Supergrass, Pumping on your Stereo

Para começar um dia de reuniões, com almoço de Natal à mistura.

Tom Jones & Cerys Matthews, Baby It’s Cold Outside

(c) Thomas Boldt

Um exemplo prático de um professor penalizado

O “azar” de ter mais Tempo de Serviço

Encontrei o seu website e achei que seria muito útil que divulgasse a nossa iniciativa:

O planeta energia: recursos didácticos para a infância sobre energia e alterações climáticas. Uma ferramenta para educadores e crianças recorrendo à arte e à interactividade disponível em www.oplanetaenergia.eu .
Se desejar coloque a imagem que envio em anexo. Muito obrigado.
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Jorge Assis (Sócio gerente de Mundo Gobius Comunicação e  e Ciência)

Caro Paulo Guinote,

Este ano, comemoram-se os 125 anos da Escola Secundária de Avelar Brotero, em Coimbra, onde entre muitas outras actividades estamos a dinamizar um blogue: http://esab125.wordpress.com/. Por conter informação que poderá ser do interesse de ex-professores e ex-alunos, alguns dos quais certamente serão leitores do “Umbigo”, sugiro divulgação, caso lhe pareça adequado inserir um post sobre o assunto.

Cumprimentos,

João Sá

OS NOMEADOS

Jesus Cristo, todos o sabem, nomeou, doze apóstolos e incumbiu-lhes a penosa, mas nobre, missão de espalhar a sua doutrina por toda a terra. (Não contava era que Maomet lhe estragasse os planos, e fizesse o mesmo com outra doutrina… que também desejou ver espalhada pela terra inteira, mas teve de se contentar com cerca de um terço dela.).

Entre os apóstolos “nomeados” por Cristo, destacam-se dois: S. João e S. Pedro. ( Até pelas romarias e festas em sua honra…).

Os apóstolos são, pois, os “nomeados” de Cristo.

Como na altura não havia nada que se parecesse com “sistemas educativos”, nem com “universidades”, nem se passavam “diplomas”  as “nomeações” eram feitas “a olho”.

Foi o que fez Jesus Cristo: olhou para Pedro, viu aquela respeitável barba branca pendurada no queixo, e…, toca a nomeá-lo logo para o cargo que lhe pareceu o mais adequado: o de “Porteiro do Céu”( com o devido respeito pela dignidade do dito).

Mas, hoje em dia, já existem uns “sistemas” chamados “educativos”, “escolas” chamadas “universidades”, e até certificados a que chamam “diplomas” …

Por isso, já não era necessário nomear ninguém recorrendo ao “olhómetro”.

Porém… Dois mil e nove anos depois de Cristo, ainda há muito boa gente que tem o poder de “nomear” ignorando diplomas, certificados, e outras coisas afins… Está-se mesmo nas tintas se o nomeado não sabe ler, escrever ou contar. Aliás, dizem as más línguas que os nomeadores preferem nomeados, não direi analfabetos, porque parece que já não os há, mas sem diploma nenhum. E, se porventura, o cargo que vão exercer exige diploma, esperam que o seu escolhido o tire depressa (ou compre – que ainda é mais rápido…), e, só depois, abre o “concurso” para o nomear.

Ora, pelos sinais, este processo ( da nomeação) nunca irá, infelizmente, acabar. ( Embora se perceba que é uma forma especialmente propícia à entrega de chefias e cargos de responsabilidade aos não competentes…). A sensação que se tem é que só vai existindo para manter de pé a estrutura feudal do “Senhor do anel” e do “Servo da Gleba”…).

A verdade é que há, de facto, uma espécie de gente que só alcança um lugar de destaque, quando alguém  o/a nomeia para determinado lugar.

Os “nomeados” podem sê-lo de diversas maneiras. Umas vezes vivem na mesma rua de quem os nomeia; outras vezes moram no mesmo prédio; ou então, frequentam há anos a mesma pastelaria…

Assim, por exemplo, quando o novo chefe da Direcção Regional de Fardos de Palha, ( o sr Dr. Celestino), quer substituir o sr Belarmino,  chefe da respectiva Delegação Distrital, é, justamente, isso que faz: Substitui o sr. Belarmino  (que havia sido nomeado pelo sr. Dr. Antonino) e nomeia para esse lugar o sr Diamantino.

E por que razão ele (o sr. Dr. Celestino) nomeou desnecessariamente o sr. Diamantino, para o lugar do sr. Belarmino, mesmo sabendo que este era e é mais competente?

Há duas respostas possíveis:

A verdadeira, é porque C. e D. moram na mesma rua, e os pais, amigos de infância, e colegas na tropa, continuam a aprofundar a amizade, indo juntos à “caça”…

A falsa, é porque D, (avisado por C que precisava de um diploma para aquele efeito, tirou um curso intensivo de “enfardagem de palha” no Instituto Superior de Trás-Os-Palheiros, mais conhecido pelo pomposo nome de Universidade das Novas Oportunidades) tem as habilitações adequadas para ocupar o lugar.

Cunha Ribeiro

Todos, ou quase, conhecemos a prática de pequenas festas nos finais de período, ao atingir-se a centésima lição de alguma disciplina, no final do ano.

São pequenos rituais, regularmente repetidos a que nem sempre damos a devida atenção, mesmo quando participamos e nos envolvemos.

No entanto, nos últimos anos, esta prática começou a alargar-se cada vez mais e a outro tipo de datas. Este período, em especial numa das minhas turmas mais curtas começou a ser hábito a comemoração do aniversário dos alunos – para além da tradicional cantoria no final de uma aula -  envolvendo aquilo que é habitual: trazerem-se sumos, pequenos comes e bebes para uma meia hora de convívio numa aula em que o(a) docente prescinda de se preocupar com as formalidades programáticas.

Contrariando aquela ideia de que a escola é aborrecida e de que os alunos, em especial com historial de insucesso, se sentem incompreendidos pelos professores que com eles têm dificuldade de relacionamento num plano mais horizontal, os alunos desta turma fazem questão de querer o máximo de professores presentes, como aconteceu na passada 6ª feira em que vários alunos partiram em busca dos elementos do Conselho de Turma que ainda estavam a leccionar a meio da tarde.

Em outras ocasiões a ocorrência é mais modesta, como que apenas um pequeno momento de pausa e convívio. Há algumas semanas, lá fui convocado e apareci na sala de uma colega minha que tinha tido o cuidado de comprar bolo e velas para o aluno que fazia anos, já sabendo das suas dificuldades. A reacção do miúdo foi de espantado prazer, seguido de evidente emoção e indecisão: nunca tinha comido bolo de bolacha na vida (fazia 13 anos), nem sabia se o haveria de levar para casa para mostrar à família o que a professora lhe dera, tamanha considerava a dádiva surpreendente.

Como que ficou paralisado, após lhe cantarem os parabéns e ele ter soprado as velas. Colocou a fatia de bolo na mesa, para poder levá-la para casa, mas não parava de a olhar. Cedendo à tentação lá pediu para a comer, quando a aula já tinha sido retomada. Eu já lá não estava mas contaram-me que saiu um pouco da sala e comeu toda a fatia, enquanto uns colegas de passagem lhe pediam um pouco. Satisfeito, reenntrou dizendo que lhes tinha deixado uns pequenos restos que estavam na caixa do bolo.

Tanto no momento como agora, este é o tipo de história que nos deixa com um nó na garganta, sem saber se devemos sentir satisfação pela felicidade do aluno, se um incómodo embaraço por tudo o que revela das imensas carências, e não falo apenas das materiais, com que se debatem estas crianças e jovens com que trabalhamos todos os dias.

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